Após um período menstrual curto, com pouquíssimo fluxo, lá fui eu ao ginecologista tentar descobrir o que se passou comigo neste ciclo e o que foi a tal dor nos ovários...
Ao contrário do que eu esperava, não consegui falar ou perguntar nada, simplesmente bloqueei. Parecia uma adolescente que ia ao GO pela primeira vez, cheia de vergonha e medo de ser rotulada de "ignorante"...
A GO de costume esteve doente e foi substituída por um outro médico, homem. Não tenho nada contra ginecologistas homens, mas sinceramente, é sempre diferente quando é uma mulher pelo simples fato de que ela passa ou já passou pelo que estamos a passar e compreende muito melhor as nossas preocupações, dúvidas e ansiedades. O homens só sabem a teoria, as mulheres têm a prática e serão capazes de compreender melhor as coisas...
Gêneros à parte, sentei-me no consultório e comecei a falar que estava tentando engravidar, que uma semana antes do período comecei a sentir tensão mamária (o que não é normal em miim), fome e que durante o período senti muita dor no ovário direito e que da última vez que senti isto era um cisto...
Ele olhou para mim e perguntou-me: mas ainda tá com o período? _Não, está só o castanho do fim, quase nada mesmo. Ele olhou para mim serio e perguntou: mas começou quando mesmo? _ Na 3ª feira. _ E hoje já não tem nada? Perguntou-me ele com um ar de estranheza, espanto mesmo. Não... já acabou. _Mas é sempre assim? _ Não, sempre não, mas é normal, raramente tenho fluxos grandes...
Então vamos nós para a famosa maca que nos faz sentir meio estúpidas ao fingir que nada se passa enquanto estamos ali, de pernas abertas. Fez-me o exame de toque e perguntou-me várias vezes se tinha tido os sintomas normais do inicio da gravidez: dor nas mamas, sono, muito xixi... e eu la respondi meio entrelinhas... Sem dizer muito mais, diz-me para passarmos para a sala de ecografias. Eu ao levantar-me ainda disse-lhe: eu tenho andado a tirar minhas temperaturas, se o doutor quiser dar uma olhada... _ Vamos passar primeiro a ecografia, depois vemos isso. Foi a resposta que tive.
Ok, pensei eu... isso está esquisito. Durante a ecografia não falou comigo. O ecrá estava virado para o lado contrário, pelo que eu não conseguia ver nada. Falava baixinho com a enfermeira... explicava que meu útero estava assim e assado, mas não consegui perceber muito bem. Quando acabou a ecografia disse-me: _Você guando engravidar vai ter uma barriga bem grande... Lol! É só isso que tem para me dizer??? Pensei eu...
Acabada a ecografia, já vestida ele diz-me que inicialmente pensou que eu pudesse estar grávida. Pelo exame de toque, a posição do meu útero sugeria mesmo gravidez, por isso ele tinha feito aquelas perguntas todas. Juntando ao fato de eu ter tido pouco fluxo no período... mas a eco tirou as dúvidas todas. Disse que estava tudo bem e que era para continuar tentando que uma hora ia acontecer...
Eu simplestemente bloqueei. Tudo que eu queria perguntar sobre uma possível gravidez bioquímica ficou-me entalado na garganta. E agora, mais do que nunca, tenho quase a certeza que aconteceu e o que ele dizia baixinho à enfermeira, provavelmente não me disse para eu não me assustar... ele nem deve imaginar as coisas que sei e que dizer-me as coisas como são seria melhor para mim... Mas eu feita parva não fui capaz de dizer mais nada. Nem de lhe dizer para ver as minhas temperaturas. Apenas lhe perguntei: mas não tenho nenhum cisto, nada? Está mesmo tudo bem? E essas dores, o que foi? Ele só balançou a cabeça negativamente e disse-me: está tudo bem...
Em suma, voltei sabendo praticamente o que sabia quando fui... apenas tenho a certeza que não tenho nada e que posso continuar os "treinos" sem qualquer reserva...
Mas queria muito era saber por que na hora que precisamos, não conseguimos dizer, perguntar tudo o que pensamos, ensaiamos diversas vezes? Comportei-me tal e qual uma adolescente envergonhada... como se o que eu estivesse a fazer ou a pensar fosse errado...
Agora faltam-me aproximadamente 7 dias para minha próxima ovulação, mais dia, menos dia... então faltam-me 7 dias para começar a angústia da dúvida, da espera... aquela ansiedade que dura cerca de 14 dias... os 14 dias em que minha esperança é maior do que tudo... só espero que a próxima visita ao GO seja por um motivo mais feliz e que se confirme um feijãozinho cá dentro...
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