segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Onde anda o pai?

"E o pai que papel desempenhou e desempenha???
Nunca falas no teu companheiro."



Esta foi uma pergunta que me fizeram num comentário à minha postagem sobre os dois primeiros meses após o parto. Embora no 3º parágrafo deste post eu tenha referido que meu marido estava a ser um marido exemplar e um paizão.

É verdade. Muitas vezes omito a presença do pai, algumas vezes de propósito, outras nem por isso. Poderia e ainda posso postar, por exemplo, como é a relação do pai com a filha, como foram os dias em que ele ficou sozinho com ela quando ela esteve doente ou para a mãe sair. Das vezes que ele acorda cedo para ficar com a Pipoca para a mãe dormir um pouco mais de manhã ou aos fins de semana. Mas não é esse o objetivo do meu blog. É sim relatar a minha experiência como mulher com dificuldades em engravidar, como grávida e como mãe. Tudo na minha perspectiva. 

Embora eu não deva explicações, entendi que deveria, por isso, fazer um post a dizer onde anda o pai.

Pois bem... durante a gravidez o pai me acompanhou a todas as consultas. Víamos e ouvíamos o coração da Pipoca e nossos corações palpitavam quase tão rápido como os dela... Em casa fazia questão de me por a descansar, levava-me o pequeno almoço à cama, mimava-me de todas as formas possíveis. Obrigava-me a fazer caminhadas, porque sabia que iria ajudar na hora do parto, bem como para que eu não engordasse muito. Quando começaram as aulas de preparação para o parto, como estava de férias, acompanhou-me a praticamente todas as aulas, teóricas e práticas e foi sempre atento e participativo. 

No dia do parto, depois de um dia de trabalho, cansado, mal eu disse-lhe que era melhor ir para o hospital, levantou-se prontamente, agarrou na mala preparada para a maternidade e seguimos. Estava nervoso e ansioso mas não demonstrava. Quando demos entrada na maternidade me amparou quando tinha as contrações. Depressa entendeu como a máquina do CTG funcionava e sabia que eu teria contrações muito antes de mim mesma e corria para me fazer massagens. Na hora da expulsão lembrou-se do que tinha aprendido nas aulas práticas e foi um grande apoio. Durante os dias na maternidade ia o mais cedo possível e ficava até o fim da hora de visitas. Ficava com a bebé para eu dormir, trocava-lhe a fralda e foi quem deu os dois primeiros banhos.

Em casa, enquanto não voltou ao trabalho, acordava à noite, ajudava com a troca de fraldas, fazia biberões, auxiliava-me no que era preciso. Quando voltou ao trabalho, optamos por ser sempre eu a acordar, pois ele precisaria estar atento e se concentrar no trabalho que fazia. Entretanto, vinha almoçar à casa para estar conosco e ajudar no que fosse preciso, fazia o o almoço e o jantar, muitas vezes levava-me o café à cama e nas folgas estava sempre a dar-me apoio e a cuidar da Pipoquinha. Mas já ficou de baixa quando ela esteve doente, porque a mãe não podia faltar no trabalho, é quem normalmente faz o "papel de mau" na hora da medicação. É um pai que cuida, que ama, que morre de amores.


Houve momentos difíceis com o pai? Houve. Homens também passam por momentos difíceis de carências, de cansaço, de esgotamento e com o pai não foi diferente. Foi sim diferente pelo facto de o pai sentir tudo de uma forma muito mais intensa do que a mãe. Por motivos que não interessam contar, o pai passou por um esgotamento nervoso e tivemos muitos momentos sozinhas só eu e a Pipoca, quando ela tinha mais ou menos 10 meses. Juntando a isso mudamos de casa, ele mudou de trabalho, eu e a Pipoca fomos de férias sozinhas. Mas tudo isso passou e o pai voltou a ser o pai presente e atencioso. Ainda na fase de recuperação ia buscá-la à creche mais cedo e passeavam, dava-lhe banho e fazia o jantar. Eu chegava à casa e dedicava meu tempo só a ela e ao meu descanso. Claro que muitas das publicações anteriores onde não falo no pai tem a ver com esse momento difícil, onde "carreguei a casa às costas", mas é passado.

Hoje o pai conta os dias para o fim de semana, quando fica com ela de manhã para eu descansar. Vão passear, às compras da semana, à casa da tia... têm o seu momento pai e filha. Continua a tratar do jantar e aos sábados enquanto vamos à natação ele limpa a casa. Quando a Pipoca dorme é o nosso momento a dois, quando namoramos e descansamos.

Enfim, espero ter esclarecido um pouco o papel do pai na nossa vida. Ele provavelmente se criasse um blog falaria da sua experiência da paternidade e não da minha experiência de maternidade. É isso o que estou a fazer aqui...







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