quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A frase que não gostei de ouvir...

Eu não gosto da "Fulana", ela é má. 

Esta frase...

No auge dos seus dois anos e dez meses a minha filha me diz isso. Não sei de onde ela tirou a expressão "ela é má". Eu nunca disse isso a respeito de ninguém, muito menos a ela. Mas ela com certeza já a ouviu, só não sei onde nem dita por quem.

Trata-se de uma frase de grande impacto e que não se deve dizer em frente às crianças, a menos que estejamos a falar de uma pessoa que realmente lhes possa fazer algum mal. Dizer que elas próprias são más menos ainda, porque elas passarão a acreditar que são e isso é uma barreira psicológica para um adulto feliz e que se aceita como é, uma criança classificada como má poderá levar o "peso" de uma culpa por ser mau para o resto da sua vida, sem ter culpa nenhuma.

Este é o meu ponto de vista...

Parte-me o coração, literalmente. Não só saber que minha filha já vê "o mal" nas pessoas, mas principalmente porque essa maldade lhe está a ser incutida, de certa forma. Ok, ela pode estar apenas a repetir algo que ouviu, sem saber ao certo o significado do que está a dizer... ou não! De dia para dia tenho visto que ela sabe muito mais do que eu consigo imaginar.

Eu luto contra isso, pergunto o que a pessoa fez para ela dizer isso e tento remediar. Ela não me diz, ainda, porque acha a pessoa má, daí também eu pensar que está a ser um papagaio, repetindo algo que ouviu. Mas... da mesma forma que ela me diz que não gosta de uma pessoa porque é uma pessoa que lhe impõe regras e limites, daqui uns tempos poderei ouvir que não gosta do amigo porque é "gordo" ou "preto" ou "pobre", etc., e eu não quero isso para minha filha. Quero que ela seja parte de uma geração que pode mudar mentalidades, que vai mostrar para o mundo que é sim possível vivermos em paz, cada um com sua cor, com sua "gordurinha", com sua religião, com sua situação financeira, com sua sexualidade. Quero que ela seja alguém que aceite as diferenças e que saiba que isso não torna ninguém melhor do que ninguém, apenas diferentes e que a diferença até é uma coisa boa.

Sei que posso parecer paranóica e estar fazendo um graaaande filme aqui na minha cabeça. Mas também sei que é por ignorarmos os pequenos sinais, as palavras que consideramos irrelevantes, que certas coisas acontecem. Agora é a hora de moldar, de incutir bons sentimentos, de criar o adulto que queremos ver um dia, não depois, nunca depois... agora. 

O que desejo para ela é que ela seja a menina que protege os oprimidos, a menina tímida que pode se transformar em defesa do mais fraco. Não desejo nunca que ela seja a oprimida, a mais fraca... quando ela chega com um nariz arranhado, temo por ela. Ela só me diz "o (...) fez dói dói em mim e eu chorou"...

Chora, filha, pela dor da ferida em si, mas não chores pela atitude do outro, tenha antes pena. Tenha pena da pessoa que te fere, mas não dê a outra face, nunca. Impõe-te, não és e nem hás de ser saco de pancada de ninguém. Não aceites nunca menos do que eu e teu pai te damos... espalhe amor e gentileza sim, mas mostre também que ninguém tem direito de te fazer mal. Esse direito só tu tens e acredito que dificilmente vais querer usufruir dele...

Espalhe amor, espalhe gentileza, espalhe gratidão... espalhe flores! Se a lei do retorno existe mesmo, terás uma vida linda, rodeada de pessoas boas, que te querem bem... floresça no coração das pessoas... tu podes, tu consegues.

Sabes por quê? Porque tu conseguirás tudo o que quiseres, porque faz mais quem quer do que quem pode e já há muito tempo se diz que o querer é poder...

Seja feliz minha Pipoquinha!










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