quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Em casa, os dois primeiros meses.

E parecendo que não, já se passou um ano. Um ano! E eu não consegui relatar nada... :( A verdade é que a gente pensa que os bebés no início só comem, dormem e sujam fraldas e que enquanto dormem conseguiremos fazer 1001 coisas, mas depois descobrimos que não é nada assim, nada mesmo!

Vou tentar descrever o que minha memória me deixar, pois um ano é um ano e o que eu não queria que acontecesse é esquecer os detalhes deste início de jornada com minha pipoquinha, vamos ver...

Minha bebe não chorava. Sempre foi super calminha, dorminhoca e muito linda!! Ai que apaixonada que sou! Nossos primeiros dias nem foram difíceis! Meu maridão foi um homem de verdade e cuidou muito bem de nós as duas... fazia almoço, jantar, lanche... trocava fraldas, dava banho... o que ajudou imenso. Obrigava-me a dormir um bocadinho durante o dia, uma vez que optamos por ser sempre eu o plantão da noite, porque logo chegou o dia que ele tinha que trabalhar. 

Também tive a ajuda da minha mãe. Há quem não  goste de ter a mãe por perto nestas horas, mas eu agradeço todos os dias por ela ter vindo. Ela além de me ajudar com a pequenina punha a roupa a lavar, fazia comida, limpava a casa... tive realmente a vida bem facilitada e tempo a 100% para cuidar do meu mais novo amor.

Em Vila Real de Santo António existe um programa gerido pela enfermeira Sónia Patrícia Jerónimo, que dá aulas de preparação para o parto e apoio domiciliar após o nascimento. Até fazem o teste do pezinho e tudo... no meu caso não aconteceu, pois minha pequenina como teve que fazer fototerapia ficou mais um dia no hospital e o dia do teste daria num fim de semana e fizeram logo o teste antes de virmos embora. Bom, o programa da enf. Patrícia é um tema para mais tarde... A pequenina foi pesada e tinha perdido peso, o que é normal nos bebes. Nos primeiros meses os bebes são pesados todas as semanas e com ela não foi diferente. Na segunda pesagem ela tinha chegado aos 2,280kg. tinha perdido muito peso para os que tinha e não podia perder mais. Infelizmente, eu estava a ter dificuldade em amamentar. Todos os dias eu tentava, mas ela não conseguia agarrar à mama e fazia demasiado esforço, o que obrigou a reforçar com leite de fórmula... hoje arrependo-me de te-lo feito. Eu tirava leite com a bomba, uma hora ela iria começar a ganhar peso... mas eu não sabia, era inexperiente. Quando ela conseguiu agarrar à mama eu não deixei a fórmula, tinha medo que ela voltasse a perder peso e continuei. Claro que mamar no peito era muito mais difícil e ela acabou por, ao fim de 20 dias, já não agarrar à mama. Dormia quando era posta para mamar... mas eu cometi um erro grave que desaconselho a  todas as mulheres que queiram amamentar: dei a formula antes do peito... claro que de barriguinha cheia ela já não ia mamar! Mas eu não sabia isso também. Chorei. Chorei muito por não poder ser o único alimento que ela precisava e não foi fácil me conformar, porque sempre sonhei amamentar até quando ela quisesse e eu tivesse leite... mas passou, hoje recordo com tristeza, mas sei que fiz o que sabia e pensava ser o melhor, por isso, sem culpas. Ainda consegui tirar leite até os 3 meses com uma bomba, era cansativo, pois de 3 em 3h lá ia eu, dia ou noite. Para além da dificuldade que foi amamentar, ela era uma bebé que não acordava com fome, ela se deixasse dormia 5,6 ou mais horas seguidas e quando tentávamos acordá-la de 3 em 3 horas para comer era uma dificuldade... mas tirando a amamentação, para mim a maternidade estava a ser tal e qual nos contos e nos filmes... tudo lindo!

Mais ou menos uma semana antes de completar um mês ela começou a gemer muito. Isto serve de alerta mães!!! Não subestimem o gemido dos bebes!!! Ela gemia a dormir, principalmente à noite... toda a gente dizia que eram cólicas! Eu dizia que devia levá-la ao médico, meu instinto me dizia e minha mãe também, mas outras pessoas, incluindo o marido diziam: vais ao médico para ela ficar doente? Vai apanhar doenças lá, isso sim... até que passada uma semana ela teve febre. 37,8º C. Falei com algumas mães que conhecia, incluindo minha cunhada que me disseram: 37,8º não é considerado febre, só é relevante a partir dos 38,5º... O quê??? Num bebé pequenino de baixo peso que há uma semana está gemendo? Meu coração estava apertado demais... não podia medicá-la, não havia nada a fazer e ela só gemia e dormia, mas incrivelmente, não chorava. Isso foi exatamente no dia em que ela fez 1 mês. À tarde minha sogra veio vê-la e ficou incomodada com os gemidos e apoiou-me, encorajou-me a ir com ela ao hospital, mesmo contra a vontade do pai e eu lá fui acompanhada das duas avós. Entrei para a triagem e já não saí lá de dentro das urgências da pediatria do Hospital de Faro. Uma bebé tão pequena de tão baixo peso com 37,8 º de febre! Foi atendida por um médico jovem, mas muito atencioso que fez-lhe vários exames até que descobriram o impensável para mim: minha bebé de 1 mês de vida que nem 3kg tinha estava com Pielonefrite. O quê? Isso mesmo... Pielonefrite. Fizeram uma caminha para ela, pois ficaria internada... imagina meu coração! Apertado demais! Iriam colocar soro onde? As mãos eram tão pequeninas e frágeis... que sofrimento! Mas o médico atencioso uma vez mais foi 5 estrelas e fez um teste com o antibiótico, se ela tolerasse a toma oral não ficaria internada e ela lá conseguiu aguentar (aquilo era mais doce que o mel!). Fomos para casa e disseram para retornar dois dias depois para observação, mas no dia seguinte ligaram do hospital para lá voltar com ela... eu ia surtando de medo! Mas observaram-na, levei um raspanete da médica de plantão que me disse que devo confiar nos meus instintos, que pequenina como ela, com apenas um mês, mesmo que tivesse apenas 37,5º devia ir para o hospital. Fomos para casa e daí em diante mal ela fazia qualquer som eu ia medir a febre... ainda voltei ao hospital duas vezes em vão depois disso, mas preferia levar um raspanete por lá ir e não ser nada do que ir e ter uma surpresa desagradável e dolorosa para ela... Ainda me apanho a pensar como ela é forte e resistente à dor. Os gemidos eram de dor, da ardência que sentia ao urinar... sem contar que lhe podiam doer os rins e ela não chorava... escusado será dizer que a partir de então o pai já não foi, em momento algum contra ir para o hospital... 

O segundo mês ocorreu sem sobressaltos e fui me adaptando à minha nova realidade, cada vez mais cheia de amor... 

2 comentários:

  1. E o pai que papel desempenhou e desempenha???
    Nunca falas no teu companheiro.

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    1. Olá!

      Se reparar bem, no terceiro parágrafo falo no quanto meu marido foi presente e essencial, principalmente nessa fase.
      Mas tem razão. Por acaso após divulgar meu blog no facebook comecei a reler minhas postagens e reparei que raramente menciono o pai. A verdade é que desde o início tentei falar da minha experiência, do que eu tenho enfrentado. O pai sempre foi e é um pai presente. Somos casados e dividimos as tarefas de casa. Quantos aos cuidados com a pequena, claro que também é dividido, a proporção é que acaba por não ser a mesma por motivos óbvios. O pai sempre foi e tem sido um paizão e um marido super atencioso e compreensivo. Nesta fase dos primeiros meses então, era mais preocupado comigo do que comigo mesma. Quando fomos para o hospital ele estava a trabalhar e como eu tinha a companhia da minha mãe e minha sogra, ele foi ter conosco ao hospital quando saiu...

      Obrigada pelo alerta, penso que terei que fazer uma postagem a corrigir esta falha grave.

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