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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Por que não comeste primeiro?

Porque ela pediu-me colo e eu neguei. 

Eu, que ainda hoje fiz um post no Instagram a dizer que meu colo é dela sempre e até quando ela quiser neguei-lhe colo. Arrependi-me, no mesmo segundo, mas ela já tinha sentido... 


A Pipoca hoje teve febre, ainda não descobri o que é. Não comeu quase nada o dia todo e ao jantar e eu fiz uma sopa de massa, que sei que ela gosta, para ver se comia. Não comeu. Sentamos os três à mesa para jantar mas ela nem quis provar. Ficou em pé na cadeira, a brincar e o pai lhe dizia para sentar. Ela não queria comer, ela não queria sentar, ela queria colo... e e disse ao pai: ”não, vou sentar no colo da mamã”, dando-me os braços pedindo colo.  O pai num tom imperativo diz-lhe: “não, a mamã está a comer”. Ela insiste e estica os bracinhos para mim, que para não desautorizar o pai, apanho-a e coloco-a no chão, como quem diz “ouviste o teu pai”...

No momento que aqueles pezinhos tocaram o chão com as perninhas encolhidas em protesto, meu coração deu um salto e estiquei novamente meus braços para ela... mas ela já tinha sentido. Ela já se levava em lágrimas, notava-se muito magoada comigo. Sentada no chão a chorar deu-me as costas. Eu, com meu coração destroçado agarro nela, agora a espernear e a dizer-me para deixá-la no chão. Com muita calma, seguro o rostinho dela contra o meu e lhe digo muito baixinho: “desculpa filha, desculpa, desculpa a mamã”. Ela neste preciso momento acalmou-se, pediu para ver bonecos animados na Tv. Eu dou-lhe um beijo do rosto e digo-lhe novamente: “desculpa filha”... a seguir disse-lhe que ia acabar de comer e ela prontamente diz-me: “ok” (porque agora já não é está bem, aprendeu o ok). Assim que entro na cozinha e sento-me o pai me faz a pergunta “por que não comeste primeiro?” e eu só lhe consegui responder “porque ela me pediu colo e eu neguei”. Ele vai à sala, dá-lhe um beijo e diz algo que eu não ouvi; não sei se também lhe pediu desculpas ou se lhe disse algo mais, não perguntei. 

Agora estou eu, com ela na minha cama, às duas da manhã, escrevendo este post entre uma febre e o drama da comichão por causa da picada dos mosquitos, que não a deixam dormir, sentindo necessidade de registar, de partilhar esse momento, esse sentimento, essa fração de segundo em que quebrei uma promessa e que me arrependi no mesmo instante para que um dia ela saiba...


“Enquanto couberes, enquanto quiseres, meu colo é teu. Quando já não couberes ou já não quiseres, meu colo continuará sendo teu. Um dia, quando tiveres a quem dar o teu colo, o meu continuará aqui para ti... porque neste dia, sei que o desejarás, que dele precisarás e porque desde que soube que estavas no meu ventre, prometi. #maioramornaoha #maioramordomundo #adorodarcolo“ Instagram @temposermae

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Varicela! E agora?


Por essa eu não esperava!

Fui ingénua o suficiente para pensar que ela ia escapar. Alguns coleguinhas  da creche já tiveram e ela ainda nada, até que estava a tirar a roupa para lhe dar banho quando me dou conta de dois pontinhos vermelhos no barriga. Ainda pensei em mosquito (pernilongo), mas seria estranho picadas ali com tanta roupa que vestimos no inverno! Comecei a olhar mais de perto  daquilo de repente deixou de parecer picada de mosquito e veio o pensamento: ai não! Já tinha três nas costas, essas pequenas bolhas com líquido... 

No dia seguinte vamos à médica de família para ver e confirma-se: é mesmo varicela (catapora).  O que fazer agora? Bom, para começar vamos ficar de molho em casa, 10 dias de baixa para a mãe ficar com a Pipoca. Comprar um remédio para evitar que ela se coce e outro para secar as bolhas. Para a coceira foi recrutado Atarax que eu pouco dei. Não gostei do que li na bula. Para secar foi recrutado um líquido rosa, Caladril, para passar depois do banho. Mas o que eu acho que resultou mesmo foi uma pomada para picadas de insetos que lhe comprei quando estivemos no Brasil, para acalmar uma que já estava ferida de tanto ela coçar. Santo remédio porque realmente parecia aliviar a comichão e ao mesmo tempo tinha um efeito psicológico, porque assim que ela sentia vontade de jogar a mão pedia o “creminho” e não coçava. 

Ao fim de três dias apercebi-me que seria menos difícil do que pensava. Ela quase não teve bolhas e estava a lidar bem com as poucas que teve. Nada de febre... fizemos nossa vida normal, com exceção de ela ir para a creche e eu para o trabalho. Claro que evitamos lugares com crianças e grávidas, tal como nos disse a médica e avisávamos sempre que alguém se aproximava dela. 

Apesar de ser uma doença chata, até correu bem, muito bem. Ainda tem feridas a soltar as últimas “cascas” e ela se queixa de doi doi, mas porque deve incomodar. Vai ficar com apenas duas marcas, espero eu, infelizmente uma na testa e outra na sombra ela que foram as primeiras que ela coçou e acabaram por ser as últimas a secarem. De resto... já está despachada. 

Parte mais chata disto tudo: ver a minha filha doente e ter que ouvir que é melhor ter já, quanto mais cedo melhor. Como se fosse uma coisa boa! Não, não é. Melhor é não ter! Mas já que teve, ainda bem que foi pacífico, tranquilo mesmo.  

Agora espero que as doenças dêem uma trégua! Coitada da Pipoca, não tem que ter todas né!










segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Estomatite Aftosa: dor que passa dos limites

Dor da filha é dor no coração da mãe.

Quando engravidei não fazia a menor ideia que existiam tantas doenças terminadas com "ite" e menos ainda que minha filha teria praticamente todas! Estomatite Aftosa ou Estomatite Herpética é a nova doença da Pipopa. 

Trata-se de uma doença causada pelo vírus HSV-1 e manifesta-se cerca de 5 a 7 dias após o contacto com pessoa infectada. O primeiro sintoma é a febre muito alta e vermelhidão na boca, incluindo bochecha, garganta e gengivas. As lesões depois se parecem com aftas e são extremamente dolorosas e contagiosas. 

No caso da Pipoca, após um dia em que ela supostamente esteve super bem, muito agitada e bem disposta, durante a noite teve febre que atingiu os 39º. Uma vez com febre durante a noite não acabou por ficar em casa com o pai que estava de férias. Liguei para a creche para avisar e disseram-me para observar porque há dias tinha uma miúda de outra sala que teve uma amigdalite aguda. 

De facto na manhã a seguir ao início da febre ela tirou a chupeta e me disse que tinha "dói dói" na boca. Disse ao pai para levá-la ao centro de saúde apesar da febre só agora ter começado; por experiência própria não quis esperar os ditos 3 dias de febre para depois ir diagnosticar seja o que for, prolongando o sofrimento. Com a informação da creche o pai foi com ela ao médico que, não sei se por não ser pediatra ou influenciado pela informação que levamos, diagnosticou uma faringite e receitou Amoxicilina + Ácido Clavulânico. 

Um dia e meio após o início da febre apareceram bolhas nos lábios e queixo e ela deixou de comer. Pensávamos que era por causa do antibiótico, mas com 3 dias de tratamento a febre continuava muito alta e nada de melhorias na garganta. Controlávamos com Iburon supositório 75mg (Brufen) e Benuron supositório 250mg (Paracetamol), alternando entre um e outro de 4 em 4h, porque a febre manifestava-se num intervalo muito curto - mal descarregava já subia novamente.

Devido à má experiência que tive com a Pipoca no primeiro mês de vida por não ter dado atenção ao meu instinto, levei-a à urgência pediátrica do Hospital de Faro e foi diagnosticada a tal Estomatite Aftosa. Resultado: estava tomando antibiótico para nada, pois o antibiótico não é tratamento em caso de vírus, então suspenderam a toma. Ainda bem! Porque como já devem ter lido no meu post sobre "A Pipoca e os remédios", fazê-la  tomar antibiótico é sempre um filme de terror, para além do facto da moça andar sempre a antibióticos um atrás do outro... 

Indicações para o caso: Aloclair Gel para aliviar as dores e o desconforto; aplicar pelo menos 4 vezes ao dia, de preferência cerca de meia hora antes da refeição para que a criança consiga comer algo. Após a refeição limpar os dentes com uma compressa molhada (nada de escova) e voltar a por o gel. Li entretanto relatos em sites de maternidade de mães que optaram pelo spray, por ser mais fácil de aplicar, o que vou experimentar hoje por conta própria, pois a Pipoca não lhe deixa aplicar o gel - já levei com cada dentada que nem conto! O brufen e o paracetamol também ajudam a aliviar as dores, principalmente o brufen, pelo que a médica disse para utilizar também para este efeito e não só para baixar a febre.

De resto, é esperar. Esperar que as defesas do corpo façam o seu trabalho e matem o vírus. O pior desta espera não é a febre, com ela pode a Pipoca bem, apesar de sempre vomitar quando chega aos 39º. Essa parte é mesmo chata, porque foram 3 noites sem dormir praticamente nada, 3 noites a dar banho na Pipoca durante a madrugada e a trocar lençóis, limpar a cama e o chão. Nas últimas noites a febre deu uma trégua e espaçou um pouco, evitando subir durante a madrugada. Infelizmente não é suficiente para a pequena dormir bem. Mas pior mesmo é que acorda vezes sem conta a chorar desesperadamente com dores, com fome. O biberão está lá para ela, só que começa a beber o leite e lhe dói a boca, ela acaba por deixar e dormir. Parte-me o coração.

Por isso estou sempre a dizer que dor da filha é dor no coração da mãe... se tem uma coisa difícil na maternidade é ver um filho sofrer e não conseguir fazer nada para retirar dele esse sofrimento. Claro que os miminhos ajudam, acalentam... mas não tiram a dor! 

Colinho, muito colinho! Ontem foi um dia de colo: colinho acordada, colinho dormindo... miminhos destes não estragam, muito pelo contrário, mostram que estamos lá para eles sempre, principalmente quando estão vulneráveis!







quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Em casa, os dois primeiros meses.

E parecendo que não, já se passou um ano. Um ano! E eu não consegui relatar nada... :( A verdade é que a gente pensa que os bebés no início só comem, dormem e sujam fraldas e que enquanto dormem conseguiremos fazer 1001 coisas, mas depois descobrimos que não é nada assim, nada mesmo!

Vou tentar descrever o que minha memória me deixar, pois um ano é um ano e o que eu não queria que acontecesse é esquecer os detalhes deste início de jornada com minha pipoquinha, vamos ver...

Minha bebe não chorava. Sempre foi super calminha, dorminhoca e muito linda!! Ai que apaixonada que sou! Nossos primeiros dias nem foram difíceis! Meu maridão foi um homem de verdade e cuidou muito bem de nós as duas... fazia almoço, jantar, lanche... trocava fraldas, dava banho... o que ajudou imenso. Obrigava-me a dormir um bocadinho durante o dia, uma vez que optamos por ser sempre eu o plantão da noite, porque logo chegou o dia que ele tinha que trabalhar. 

Também tive a ajuda da minha mãe. Há quem não  goste de ter a mãe por perto nestas horas, mas eu agradeço todos os dias por ela ter vindo. Ela além de me ajudar com a pequenina punha a roupa a lavar, fazia comida, limpava a casa... tive realmente a vida bem facilitada e tempo a 100% para cuidar do meu mais novo amor.

Em Vila Real de Santo António existe um programa gerido pela enfermeira Sónia Patrícia Jerónimo, que dá aulas de preparação para o parto e apoio domiciliar após o nascimento. Até fazem o teste do pezinho e tudo... no meu caso não aconteceu, pois minha pequenina como teve que fazer fototerapia ficou mais um dia no hospital e o dia do teste daria num fim de semana e fizeram logo o teste antes de virmos embora. Bom, o programa da enf. Patrícia é um tema para mais tarde... A pequenina foi pesada e tinha perdido peso, o que é normal nos bebes. Nos primeiros meses os bebes são pesados todas as semanas e com ela não foi diferente. Na segunda pesagem ela tinha chegado aos 2,280kg. tinha perdido muito peso para os que tinha e não podia perder mais. Infelizmente, eu estava a ter dificuldade em amamentar. Todos os dias eu tentava, mas ela não conseguia agarrar à mama e fazia demasiado esforço, o que obrigou a reforçar com leite de fórmula... hoje arrependo-me de te-lo feito. Eu tirava leite com a bomba, uma hora ela iria começar a ganhar peso... mas eu não sabia, era inexperiente. Quando ela conseguiu agarrar à mama eu não deixei a fórmula, tinha medo que ela voltasse a perder peso e continuei. Claro que mamar no peito era muito mais difícil e ela acabou por, ao fim de 20 dias, já não agarrar à mama. Dormia quando era posta para mamar... mas eu cometi um erro grave que desaconselho a  todas as mulheres que queiram amamentar: dei a formula antes do peito... claro que de barriguinha cheia ela já não ia mamar! Mas eu não sabia isso também. Chorei. Chorei muito por não poder ser o único alimento que ela precisava e não foi fácil me conformar, porque sempre sonhei amamentar até quando ela quisesse e eu tivesse leite... mas passou, hoje recordo com tristeza, mas sei que fiz o que sabia e pensava ser o melhor, por isso, sem culpas. Ainda consegui tirar leite até os 3 meses com uma bomba, era cansativo, pois de 3 em 3h lá ia eu, dia ou noite. Para além da dificuldade que foi amamentar, ela era uma bebé que não acordava com fome, ela se deixasse dormia 5,6 ou mais horas seguidas e quando tentávamos acordá-la de 3 em 3 horas para comer era uma dificuldade... mas tirando a amamentação, para mim a maternidade estava a ser tal e qual nos contos e nos filmes... tudo lindo!

Mais ou menos uma semana antes de completar um mês ela começou a gemer muito. Isto serve de alerta mães!!! Não subestimem o gemido dos bebes!!! Ela gemia a dormir, principalmente à noite... toda a gente dizia que eram cólicas! Eu dizia que devia levá-la ao médico, meu instinto me dizia e minha mãe também, mas outras pessoas, incluindo o marido diziam: vais ao médico para ela ficar doente? Vai apanhar doenças lá, isso sim... até que passada uma semana ela teve febre. 37,8º C. Falei com algumas mães que conhecia, incluindo minha cunhada que me disseram: 37,8º não é considerado febre, só é relevante a partir dos 38,5º... O quê??? Num bebé pequenino de baixo peso que há uma semana está gemendo? Meu coração estava apertado demais... não podia medicá-la, não havia nada a fazer e ela só gemia e dormia, mas incrivelmente, não chorava. Isso foi exatamente no dia em que ela fez 1 mês. À tarde minha sogra veio vê-la e ficou incomodada com os gemidos e apoiou-me, encorajou-me a ir com ela ao hospital, mesmo contra a vontade do pai e eu lá fui acompanhada das duas avós. Entrei para a triagem e já não saí lá de dentro das urgências da pediatria do Hospital de Faro. Uma bebé tão pequena de tão baixo peso com 37,8 º de febre! Foi atendida por um médico jovem, mas muito atencioso que fez-lhe vários exames até que descobriram o impensável para mim: minha bebé de 1 mês de vida que nem 3kg tinha estava com Pielonefrite. O quê? Isso mesmo... Pielonefrite. Fizeram uma caminha para ela, pois ficaria internada... imagina meu coração! Apertado demais! Iriam colocar soro onde? As mãos eram tão pequeninas e frágeis... que sofrimento! Mas o médico atencioso uma vez mais foi 5 estrelas e fez um teste com o antibiótico, se ela tolerasse a toma oral não ficaria internada e ela lá conseguiu aguentar (aquilo era mais doce que o mel!). Fomos para casa e disseram para retornar dois dias depois para observação, mas no dia seguinte ligaram do hospital para lá voltar com ela... eu ia surtando de medo! Mas observaram-na, levei um raspanete da médica de plantão que me disse que devo confiar nos meus instintos, que pequenina como ela, com apenas um mês, mesmo que tivesse apenas 37,5º devia ir para o hospital. Fomos para casa e daí em diante mal ela fazia qualquer som eu ia medir a febre... ainda voltei ao hospital duas vezes em vão depois disso, mas preferia levar um raspanete por lá ir e não ser nada do que ir e ter uma surpresa desagradável e dolorosa para ela... Ainda me apanho a pensar como ela é forte e resistente à dor. Os gemidos eram de dor, da ardência que sentia ao urinar... sem contar que lhe podiam doer os rins e ela não chorava... escusado será dizer que a partir de então o pai já não foi, em momento algum contra ir para o hospital... 

O segundo mês ocorreu sem sobressaltos e fui me adaptando à minha nova realidade, cada vez mais cheia de amor... 

Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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