quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cama vomitada

É.
Nada agradável.
Nada cheiroso... 
Desde os primeiros meses que minha pequenina vomita muito. Mas por favor, não vamos já começar com diagnósticos de refluxo, pois não tem nada a ver.

No início era porque lhe dávamos leite a mais.
Não me julguem já.
Sou mãe de primeira viagem e muito tenho aprendido eu com ela.
Mas sim, leite a mais... como o leite era dado no biberão, não tinha nunca a certeza se ela estava satisfeita; então quando ela há pouco tempo de mamar começava a resmungar e a mostrar sinais de que queria sugar a minha primeira reacção era lhe dar mais leite, pois na minha cabeça ela ainda tinha fome.
Resultado: vomito. 

Com o tempo consegui entender que não era fome, mas sim aquela necessidade de sucção que os bebes normalmente têm e que as mães que conseguem amamentar satisfazem com a mama.
Mas eu não tinha como fazê-lo.
Foi aí que resolvi dar a chupeta.
Santa chupeta!
Embora muita gente possa me crucificar a dizer que é contra, que faz mal à dentição... cada um sabe de si, não é! E na hora do desespero, o benefício supera o risco.

Os vómitos melhoraram.
Mas basta um pequeno resfriado, um pouquinho de expectoração para voltarem.
Bebés não sabem se ver livre do muco e muitas vezes tossem até vomitarem.
É normal.
É horrível.
É desesperador... Não podem tomar xaropes para tosse, não há nada a fazer. Apenas socorrê-los para não se sufocarem, deixá-los vomitar, deixá-los chorar até expulsar tudo. Isso quando não são as ditas viroses que além de vómitos também acarretam diarreias... bebés sofrem demais!

Também vomitam porque são glutões, no caso dos bebes que já comem a comida da família.
Não foi uma e nem foram duas as vezes que ela (que ainda mama muito à noite) pede o leite com um intervalo bem menor do que o normal e acaba por vomitar. Além do leite que toma a mais, muitas vezes pedaços inteiros de comida não digerida.
Aí vomita tudo e dorme...
Muitas vezes ela começa a resmungar e basta o barulho de tirar a tampa do biberão para desencadear o vómito. Neste caso já vou aprendendo que quando ela pede (joga fora a chupeta e leva-se dizendo mamãe) num intervalo inferior a duas horas e meia, algo não está bem... 

Com o tempo e o amadurecimento deles as coisas melhoram...
Mas a tosse, ai a tosse!
Essa é malandra!
E no caso da minha pipoquinha, ainda faz mossa.
Já estou tão formatada para quando ouço um esboço de tosse levantar, que quando ela está com tosse acho que nem durmo.
Esta noite foi assim.
Eu ainda estava tentando relaxar um pouquinho no sofá depois de adormecê-la e já tinha levantado umas quantas vezes ao ouvi-la tossir. Ajeitava-a na cama e ela acalmava.
Deitei-me por volta das 23:40h, pouco depois de lhe dar um biberão (o primeiro dos três noturnos), e de lhe preparar o próximo (como ela já não bebe leite de fórmula, nem aquecido, posso deixar pronto).
Estranho, mas eu não consegui adormecer, embora estivesse estourada, com um cansaço tão grande em cima que até já tinha me irritado com o marido por causa do barulho de um aparelho de fazer massagem... e olha que eu para me irritar daquela forma não é fácil!

Parece que estava adivinhando.
Chame-lhe 6.º sentido, instinto, o que quiser, sentia que devia ir dormir perto da minha pipoca, mas não fui.
Continuei no meu quarto, com o marido completamente apagado com o efeito dos antialérgicos e ressonando como um porco por causa do nariz congestionado...
Eu, sem conseguir adormecer.
Perto das duas da manhã ela começa a tossir.
Ouvi longe, penso que estava num tal estado de anestesia do cansaço do dia, de não conseguir dormir, que não consegui anteder de imediato como normalmente faço.
Quando enfim consegui me levantar e cheguei à porta do quarto já a ouvia a vomitar.
Não consegui chegar a tempo, minha única reacção foi apanhar nela, levantar-lhe a cabeça e levar para a banheira.
Não houve choro.
Não houve nada além de mais vómitos.
Ela que ultimamente grita e esperneia para entrar na banheira não tinha forças para se debater, estava simplesmente inerte. Deixou que lhe lavasse a cabeça e quando lhe enrolei na toalha já fechava os olhos, como se nem tivesse acordado.
O vómito tinha sido um alívio.

Depois de lhe enxugar e vestir, coloquei-a na minha cama ao lado do pai, que não dera por nada, e fui tratar da limpeza.
Tirar lençóis, fronhas, limpar o chão e o pior: lavar a almofada.
A almofada viscoelástica que não pode ir à máquina, nem sei se pode ser lavada tampouco... mas não dava para não lavar...
Então lá fui eu para a banheira lavar-me a mim e a almofada, depois de colocar uma máquina de roupa a lavar,  às duas e meia da manhã.
Saí do banho, estendi a roupa e a almofada, que tinha tentado espremer ao máximo, mas que ainda estava super pesada (no fim do dia ei de saber o resultado - se compro outra ou aquela tem remédio). Preparei mais leite, coloquei-a no berço onde ela já não dorme (porque se mexe demais e está sempre batendo a cabeça nas grades) e fui para meu quarto. 

Dormi?
Não.
O cansaço era tal que eu não adormecia. O ressonar do marido, a preocupação com a filha. 

Levantei-me, não sabia onde ir deitar.
Vou para o sofá? Fico ainda mais longe do quarto dela, então não.
Acabei por forrar um edredão aos pés da cama desfeita e vomitada e ali mesmo, numa beirinha da cama, tentei descansar. 

Tentei.
Passados alguns minutos, talvez uma hora, não sei bem, ela começa a bater a cabeça nas grades. Vou aconchegá-la e ela pede colo "mamãe, mamãe" dando os bracinhos.
Não resisto, nunca resisti a um pedido de colo, não tenho tempo para perder, pois tudo passa rápido demais. 

Embalei-a e deitei-a a meu lado.
Minha pipoca... tanto se mexe que eu não conseguia adormecer, ali, confinada a um cantinho aos pés da cama vomitada.
Mais um bocadinho e ela dá um grito: mamãe! Eu tento acalmá-la e ela não se apercebe que estou ali... provavelmente um pesadelo.
Pede o leitinho, já segura sozinha e apanha a chupeta quando acaba.
Adormece.
Posso enfim tentar adormecer... 

Não sei se dormi, nem a que horas.
Doía-me o corpo, a cabeça, ardiam-me os olhos... e ainda a acalmei mais três ou quatro vezes... todas com gritos desesperados e choros que revelavam medo, terror, provavelmente mais pesadelos e para ajudar as tosses que me faziam saltar.

Quando dou por mim ela acorda.
Sem conseguir abrir os olhos, deixo-me ali, até que ela, com suas mãozinhas fofas me toca o rosto, começa a dizer mamãe... não tenho hipótese!
Toca o despertador.

São horas de levantar, de um jeito ou de outro.
Pede colo, dou-lhe miminhos como se tivesse tido a melhor noite da minha vida!
ela começa a tagarelar uma linguagem que é só dela e sorri...
Dá-me a mão e me leva onde quer... 

Sou dela. 

Ela é minha. 

A cama vomitada? Ainda lá estará para mais noites dessas... 
O sono perdido? Já está perdido, não há nada a fazer... 

O sorriso dela?
Ah! O sorriso...
Associado a uma boa chávena de café, iluminou-me o dia e deu-me força para aguentar o dia de trabalho.
O sorriso dela alimenta-me a alma e me mostra que, por mais camas vomitadas que eu venha a limpar, vai valer sempre a pena cada momento.
Vê-la dormir.
Zelar pelo seu sono.
Ser sua mãe. 

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