quinta-feira, 27 de julho de 2017

O raio das Otites e o desespero da mãe

Não me lembro de me sentir tão frustrada como hoje pela manhã. A sério. Provavelmente até já estive, mas como memória de mãe esquece facilmente os momentos difíceis com os pequenos, estou considerando hoje o meu pior dia.

Agora já me vai passando, mas senti-me horrível de chorar e implorar à pipoca que engolisse o antibiótico.

Acontece que ontem acordamos cedo, despachamo-nos cedo, saímos de casa cedo. Das poucas vezes que chegamos à creche as 9:00 h. Como chegamos cedo e a auxiliar ainda não estava na sala, fiquei a conversar com outra mãe. Passados uns 5 minutos a auxiliar aproxima-se de nós e brincando com a Pipoca e diz-me: "mãe, ela tem o ouvido arrebentado". O quê? Como assim? Quando olho para o ouvido da pequenina nem queria acreditar... cheinho de pus. Mais estranho foi ela não se queixar.

Ela já andava febril na semana passada, febres leves que iam e voltavam sozinhas e no sábado  à noite queixou-se do ouvido. Fiquei a noite a observá-la, mas como no domingo já não se queixou mais, supus que ela poderia ter água no ouvido, uma vez que passamos o dia na piscina. Aí me perguntam: e a febre? Pois é, os médicos modernos dizem que dentição não causa febre, mas a verdade é que sempre que está para sair um dentinho a temperatura dela tende a subir. Como ela tem andado a babar muito, a morder e coçar com os dedinhos, imaginei que a febre vinha daí.

Mas não... é o raio de uma Otite. Assustou-me demais! Claro que ela nem ficou na creche, fomos a correr para o Centro de Saúde, que por sorte estava vazio e ela foi atendida rapidamente. O médico acabou por tranquilizar-me ao dizer que quando arrebenta é bom, porque alivia a pressão que a inflamação estava a fazer no tímpano e em consequência alivia também a dor. Pobre da minha pipoca... ela é mesmo muito resistente à dor, porque queixou-se tão pouco! Nem chorava nem nada.

Agora vem a parte do antibiótico, não é! Tem que tomar Klacid Pediátrico, esse por acaso ainda não lhe tinha calhado. O sabor é bom, sabe a Tuti-Fruti, mas o granulado não dissolve, fica tipo como se tivesse uns grãozinhos de areia que depois na boca amargam quando passa o sabor adocicado. 

Ontem a missão dar antibiótico até correu bem. Ao tentar dar-lhe com a seringa ela cuspiu tudo, mas como era hora do leitinho da deita, coloquei cerca de 40ml de leite num biberão pequeno e misturei o antibiótico e ela não se queixou. Hoje de manhã não foi tão fácil assim. Ela não costuma comer nem beber nada ao acordar, o que dificulta o truque do leite. Tentei com a seringa diretamente, assim que o antibiótico bateu na garganta, vomitou. Daí esquece dar puro... misturei num pouco de leite com um cheirinho de café (que ela adora) e nada. Experimentei um copinho de remédio, por ser pequenino ela acha piada, mas foi tudo para o chão. Experimentei o leite com palhinha (canudinho) e nada... nada lhe fazia beber o remédio. 

Por fim forcei a barra com o leite com cheirinho a café, colocando em uma seringa, mas a magana conseguia cuspir quase tudo... não pelo sabor, mas porque ela não queria mesmo beber nada. 

Só sei que gastei 3 doses de antibiótico e não sei se ela chegou a  tomar uma. Chorei e cheguei a lhe implorar para que tomasse o remédio, mas ela olhava-me com aquela carinha laroca e sorriso doce como se eu estivesse a fazer uma bela palhaçada. 

Fiquei frustrada. Fiquei desolada por saber que ela precisa melhorar e eu não consegui que ela engolisse o remédio. Chorei sim, irritei-me, fiquei triste em ter de forçar-lhe a beber o leite, de ter que segurá-la aos prantos. Desesperei... nunca tinha acontecido, pois antes mesmo que ela não gostasse do remédio, com a seringa ela acabava por tomar. Agora não, isso de aprender a cuspir é terrível!!

Pesquisei formar de dar o remédio, mas pelo que vi, muitas mães passam pelo mesmo que eu e faz o mesmo: mistura no leite. Hoje a noite é tranquilo, pensei eu. Amanhã é outro dia...

Mas não foi assim. Esta noite ela apercebeu-se no remédio no leite e não o quis tomar. Insisti várias vezes durante toda a noite e nada. Nesta noite falhámos uma dose do medicamento.

De manhã outra luta. Desta vez o pai a agarrou e tivemos que forçar outra vez, puro. Desta não vomitou, foi difícil, doeu em mim o prato dela, mas tinha que ser.

Mentalizei-me no tem que ser e assim tem sido e será até acabar. Foram 4 dias de ouvido a sair pus. São 10 dias de antibiótico e parece que com o tempo vai ficando menos difícil. O choro é intenso, mas parece que ela vai tomando consciência que não vale a pena lutar contra, porque vai ter que tomar o remédio.

Eu converso antes, mostro a seringa para ver se ela toma de boa vontade. Ela até ameaça, mas quando sente o sabor rejeita. Quando acaba batemos palma e fazemos a festa e ela até comemora, mas durante é um filme! Parece que lhe estamos a espancar!

O que vale é que está quase... 

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