Estava ela tão entretida com o telefone na mão, a enfermeira a conversar com ela, que ela nem se importou quando lhe foi limpo o braço com álcool. Acho que o pior foi o susto que levou quando sentiu a agulha; soltou o telefone e agarrou na mão da enfermeira com tal força que conseguiu tirar a agulha, ficando um restinho da vacina ainda na seringa. O choro? Dez segundos...
Depois começou a sentir dor no local, pois claro que aquilo deve ter feito mal aos músculos, sem contar a dor normal da vacina...
Depois começou a sentir dor no local, pois claro que aquilo deve ter feito mal aos músculos, sem contar a dor normal da vacina...
Chegou em casa a dormir. Tive que acordá-la para jantar e tomar banho e notava-se que ela estava um pouco mal disposta (diga-se de passagem que eu também ficaria se me acordassem!). Primeira coisa que diz, mostrando o penso no braço: "a senhora fez dói dói no meu braço"... lhe dei um beijinho no dói dói e fomos ver o que era o jantar que o pai estava a fazer. Mostrou o dói dói ao papá que também lhe deu beijinhos e jantou até bem. À hora do banho tivemos que dizer que íamos todos, pois com a impertinência do sono associada à dor da vacina, falar a palavra banho era motivo para um pranto desmedido... assim ela lá aceitou sem choro, inicialmente. Durante o banho conforme mexia o braço lhe doía, estava aí já muito chorosa e nada estava bom.
Tivemos a dar-lhe paracetamol para ajudar a acalmar a dor e fomos dormir... foi uma a noite complicada, pois à medida que se virava sobre o braço doía e ela acordava chorando; não tomou sequer o "leitinho" habitual. A meio da noite levantei-me para ir à casa de banho e ela acordou, disse-lhe que já vinha e ela disse que queria ir à casa de banho com a mamã, pensei eu que era para fazer xixi (já tiramos a fralda da noite) mas afinal era mesmo só porque queria colo...
Às cinco da manhã tem outra vez febre e vai mais um paracetamol e até que enfim ela adormece até as sete e meia... ainda muito chorosa e dengosa. Não quis leite, não quis bolachas, iogurtes ou fruta, não comeu simplesmente. Não queria sair de casa, não queria ficar na escola...
Sabe aquele momento em que desejamos largar tudo só para dar colo? Pois é... só eu sei a luta dentro de mim para manter a calma e deixá-la. Não ficou a chorar, estive com ela enquanto pude, até que ela aceitasse deixar-me ir... é uma dor tão, mas tão... olhar para aquele bracinho e ver o penso, ouvir aquela voz deliciosa com suas meias palavras a dizer que a senhora fez dói dói... fez-me voltar no tempo, no hospital, aquelas mãozinhas magrinhas e pequeninas a levar picadas umas atrás das outras para fazer análises e que eu chorava mais do que ela...
Acho que nunca me vou esquecer dessa frase... "a senhora fez dói dói no meu braço"... <3
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