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quinta-feira, 19 de julho de 2018

A senhora fez doi doi no meu braço...


Acho que não há dor maior para uma mãe do que ver a dor do seu filho, seja a dor e/ou o filho de que tamanho forem... Ontem foi dia de vacina, a terceira dose da Bexero. Oh coisa que custa!

Estava ela tão entretida com o telefone na mão, a enfermeira a conversar com ela, que ela nem se importou quando lhe foi limpo o braço com álcool. Acho que o pior foi o susto que levou quando sentiu a agulha; soltou o telefone e agarrou na mão da enfermeira com tal força que conseguiu tirar a agulha, ficando um restinho da vacina ainda na seringa. O choro? Dez segundos...

Depois começou a sentir dor no local, pois claro que aquilo deve ter feito mal aos músculos, sem contar a dor normal da vacina...

Chegou em casa a dormir. Tive que acordá-la para jantar e tomar banho e notava-se que ela estava um pouco mal disposta (diga-se de passagem que eu também ficaria se me acordassem!). Primeira coisa que diz, mostrando o penso no braço: "a senhora fez dói dói no meu braço"... lhe dei um beijinho no dói dói e fomos ver o que era o jantar que o pai estava a fazer. Mostrou o dói dói ao papá que também lhe deu beijinhos e jantou até bem. À hora do banho tivemos que dizer que íamos todos, pois com a impertinência do sono associada à dor da vacina, falar a palavra banho era motivo para um pranto desmedido... assim ela lá aceitou sem choro, inicialmente. Durante o banho conforme mexia o braço lhe doía, estava aí já muito chorosa e nada estava bom.

Tivemos a dar-lhe paracetamol para ajudar a acalmar a dor e fomos dormir... foi uma a noite complicada, pois à medida que se virava sobre o braço doía e ela acordava chorando; não tomou sequer o "leitinho" habitual. A meio da noite levantei-me para ir à casa de banho e ela acordou, disse-lhe que já vinha e ela disse que queria ir à casa de banho com a mamã, pensei eu que era para fazer xixi (já tiramos a fralda da noite) mas afinal era mesmo só porque queria colo...

Às cinco da manhã tem outra vez febre e vai mais um paracetamol e até que enfim ela adormece até as sete e meia... ainda muito chorosa e dengosa. Não quis leite, não quis bolachas, iogurtes ou fruta, não comeu simplesmente. Não queria sair de casa, não queria ficar na escola... 

Sabe aquele momento em que desejamos largar tudo só para dar colo? Pois é... só eu sei a luta dentro de mim para manter a calma e deixá-la. Não ficou a chorar, estive com ela enquanto pude, até que ela aceitasse deixar-me ir... é uma dor tão, mas tão... olhar para aquele bracinho e ver o penso, ouvir aquela voz deliciosa com suas meias palavras a dizer que a senhora fez dói dói... fez-me voltar no tempo, no hospital, aquelas mãozinhas magrinhas e pequeninas a levar picadas umas atrás das outras para fazer análises e que eu chorava mais do que ela... 

Acho que nunca me vou esquecer dessa frase... "a senhora fez dói dói no meu braço"... <3

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Terror noturno

Foram uns sustos valentes. Acreditem, é provavelmente uma das situações mais desesperadoras por que passamos durante algumas noites, pelo menos até descobrirmos do que se tratava: o tal "terror noturno".

Quem acompanha o blog sabe que existiu uma fase em que a Pipoca só aceitava a mãe durante a noite, em que se fosse o pai a lá ir era um verdadeiro berreiro. Pois bem, a primeira vez que presenciamos um ataque de terror noturno da Pipoca pensamos que era uma situação destas: ela gritava e esperneava enquanto o pai tentava acalmá-la. Quando percebi que ela não se acalmava fui lá "acudir"; mas ela continuava se debatendo; quanto mais que eu falava com ela e tentava envolvê-la nos meus braços mais ela gritava e esperneava, a ponto de a colocarmos no chão e ela continuar. Tentamos dar-lhe a chupeta, o leite, água e nada.Voltamos a pô-la na cama e ela simplesmente acalmou, do nada; virou-se para o lado e estava a dormir. Foi horrível, assustador. Ficamos a olhar um para o outro sem sequer fazer ideia do que se  tinha passado, incrédulos. Até pensamos que poderia ter sido um pesadelo do qual ela não acordava.

Esse episódio voltou a acontecer, mesmo sendo apenas eu a ir atendê-la, uma e outra vez, o que me fez tentar entender o que se passava, pois não era normal, não podiam ser apenas pesadelos. Comecei então uma maratona de pesquisas na Internet e encontrei muita coisa sobre o terror noturno: o que acontece fisicamente com o bebé, quando acontece, como proceder. Descobri que não é nada como um pesadelo, mesmo pelo contrário, "acontecem quando a criança está na fase em que dorme profundamente mas ainda não sonha." 

O terror noturno é um distúrbio do sono que pelo visto acontece na primeira hora de sono, parece não ter uma causa conhecida e é mais comum do que se possa imaginar. Pode ser facilmente confundido também com o sonambulismo e é muito associado ao stress, uso de medicamentos, consumo de cafeína; o que não se aplica claramente no caso de bebés e crianças. Nestes casos associa-se um pouco ao cansaço e à falta de sono. No caso da minha Pipoca, sinceramente não sei muito bem ao que associar, talvez à imaturidade do sistema nervoso, como sugere a psicóloga Margarida Luzia dos Santos Antunes Chagas numa entrevista.

Claro que estou para aqui a falar do que pesquisei e estou a fazer uma associação ao que presencio em casa. Não foi feito diagnóstico médico e para já, não me parece que seja caso disso. São episódios esporádicos e o último aconteceu recentemente, por isso lembrei-me de falar um pouco sobre o assunto. Neste último ao chegar no quarto a Pipoca estava a chorar desesperadamente sentada na cama, parecia perdida, completamente sem saber o que fazer; se estivesse mesmo acordada iria se levantar da cama e ter conosco à sala, como já fez umas quantas vezes. Desta vez não houve grande drama, apenas cheguei, deitei-a e foi o suficiente para ela voltar para seu sono calmo. A diferença é que desta vez eu sabia o que estava a acontecer e como lidar com a situação.

Para identificar o episódio temos que conhecer o comportamento da criança normalmente. No caso da Pipoca, basta chegar ao quarto e dar-lhe a chupeta, se ela não tiver fome vai virar para o lado e dormir; se por outro lado quiser o "leitinho" dela, vai deitar a chupeta fora e apontar para a mesa de cabeceira onde o biberão está. Quando  tem estes episódios ela não aceita a chupeta, não deixa tocá-la, quase escala a parede, literalmente falando. Quando isso acontece o que fazer então? Bom, de tudo que li e da experiência que vou tendo a resposta é: _Nada.

Não há nada que fazer a não ser assegurarmo-nos de que não se magoem. Quando se trata de crianças maiores, pelo que pesquisei até podem magoar outras pessoas, o que espero não chegar a experimentar com Pipoca quando for mais velha, minha esperança é que deixe de acontecer. Entretanto enquanto vão acontecendo e me apercebo o que se está a passar, fico ao lado dela à espera que acalme para depois ajeitá-la na cama. Falando assim parece fácil, mas não é. Aguardar é uma tortura! Vermos a nossa cria literalmente "berrando" e não lhe podermos sequer tocar é horrível, mas pode acreditar, é melhor assim.

Há algumas medidas sugeridas para ajudar a reduzir o terror noturno, mas nada garante que não voltem a acontecer: "regularidade no horário do sono, cuidados com a alimentação, investigar se algum medicamento em uso pode causar o terror, diminuir a ansiedade caso a criança esteja passando por um momento estressor e oferecer conforto físico e emocional antes do sono". (Margarida Luzia dos Santos Antunes Chagas, psicóloga CRP 06/83646 para o portal UOL)

A boa notícia é que apesar de não ter um  tratamento específico, segundo especialistas, o terror noturno não se reflete em idade adulta e normalmente acaba antes da adolescência! Confortante, não é? Só que não! O jeito é ir tomando as medidas para amenizar os episódios e manter a esperança que deixem de acontecer!




Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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