segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Terror noturno

Foram uns sustos valentes. Acreditem, é provavelmente uma das situações mais desesperadoras por que passamos durante algumas noites, pelo menos até descobrirmos do que se tratava: o tal "terror noturno".

Quem acompanha o blog sabe que existiu uma fase em que a Pipoca só aceitava a mãe durante a noite, em que se fosse o pai a lá ir era um verdadeiro berreiro. Pois bem, a primeira vez que presenciamos um ataque de terror noturno da Pipoca pensamos que era uma situação destas: ela gritava e esperneava enquanto o pai tentava acalmá-la. Quando percebi que ela não se acalmava fui lá "acudir"; mas ela continuava se debatendo; quanto mais que eu falava com ela e tentava envolvê-la nos meus braços mais ela gritava e esperneava, a ponto de a colocarmos no chão e ela continuar. Tentamos dar-lhe a chupeta, o leite, água e nada.Voltamos a pô-la na cama e ela simplesmente acalmou, do nada; virou-se para o lado e estava a dormir. Foi horrível, assustador. Ficamos a olhar um para o outro sem sequer fazer ideia do que se  tinha passado, incrédulos. Até pensamos que poderia ter sido um pesadelo do qual ela não acordava.

Esse episódio voltou a acontecer, mesmo sendo apenas eu a ir atendê-la, uma e outra vez, o que me fez tentar entender o que se passava, pois não era normal, não podiam ser apenas pesadelos. Comecei então uma maratona de pesquisas na Internet e encontrei muita coisa sobre o terror noturno: o que acontece fisicamente com o bebé, quando acontece, como proceder. Descobri que não é nada como um pesadelo, mesmo pelo contrário, "acontecem quando a criança está na fase em que dorme profundamente mas ainda não sonha." 

O terror noturno é um distúrbio do sono que pelo visto acontece na primeira hora de sono, parece não ter uma causa conhecida e é mais comum do que se possa imaginar. Pode ser facilmente confundido também com o sonambulismo e é muito associado ao stress, uso de medicamentos, consumo de cafeína; o que não se aplica claramente no caso de bebés e crianças. Nestes casos associa-se um pouco ao cansaço e à falta de sono. No caso da minha Pipoca, sinceramente não sei muito bem ao que associar, talvez à imaturidade do sistema nervoso, como sugere a psicóloga Margarida Luzia dos Santos Antunes Chagas numa entrevista.

Claro que estou para aqui a falar do que pesquisei e estou a fazer uma associação ao que presencio em casa. Não foi feito diagnóstico médico e para já, não me parece que seja caso disso. São episódios esporádicos e o último aconteceu recentemente, por isso lembrei-me de falar um pouco sobre o assunto. Neste último ao chegar no quarto a Pipoca estava a chorar desesperadamente sentada na cama, parecia perdida, completamente sem saber o que fazer; se estivesse mesmo acordada iria se levantar da cama e ter conosco à sala, como já fez umas quantas vezes. Desta vez não houve grande drama, apenas cheguei, deitei-a e foi o suficiente para ela voltar para seu sono calmo. A diferença é que desta vez eu sabia o que estava a acontecer e como lidar com a situação.

Para identificar o episódio temos que conhecer o comportamento da criança normalmente. No caso da Pipoca, basta chegar ao quarto e dar-lhe a chupeta, se ela não tiver fome vai virar para o lado e dormir; se por outro lado quiser o "leitinho" dela, vai deitar a chupeta fora e apontar para a mesa de cabeceira onde o biberão está. Quando  tem estes episódios ela não aceita a chupeta, não deixa tocá-la, quase escala a parede, literalmente falando. Quando isso acontece o que fazer então? Bom, de tudo que li e da experiência que vou tendo a resposta é: _Nada.

Não há nada que fazer a não ser assegurarmo-nos de que não se magoem. Quando se trata de crianças maiores, pelo que pesquisei até podem magoar outras pessoas, o que espero não chegar a experimentar com Pipoca quando for mais velha, minha esperança é que deixe de acontecer. Entretanto enquanto vão acontecendo e me apercebo o que se está a passar, fico ao lado dela à espera que acalme para depois ajeitá-la na cama. Falando assim parece fácil, mas não é. Aguardar é uma tortura! Vermos a nossa cria literalmente "berrando" e não lhe podermos sequer tocar é horrível, mas pode acreditar, é melhor assim.

Há algumas medidas sugeridas para ajudar a reduzir o terror noturno, mas nada garante que não voltem a acontecer: "regularidade no horário do sono, cuidados com a alimentação, investigar se algum medicamento em uso pode causar o terror, diminuir a ansiedade caso a criança esteja passando por um momento estressor e oferecer conforto físico e emocional antes do sono". (Margarida Luzia dos Santos Antunes Chagas, psicóloga CRP 06/83646 para o portal UOL)

A boa notícia é que apesar de não ter um  tratamento específico, segundo especialistas, o terror noturno não se reflete em idade adulta e normalmente acaba antes da adolescência! Confortante, não é? Só que não! O jeito é ir tomando as medidas para amenizar os episódios e manter a esperança que deixem de acontecer!




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