sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Brinquedos comprar ou não comprar?

Brinquedos? Não... prefiro Tuperwares!


Essa seria a resposta da minha Pipoca há algum tempo. Ah... e livros! Mas as caixinhas de plástico do meu armário são, de longe,  a maior diversão.

Eu já tinha mais ou menos essa noção, que bebés por norma gostam mais de brincar com qualquer coisa do que com brinquedos, mas agora  tenho a confirmação.

Acho que consigo contar nos dedos os brinquedos que comprei. Ter primos mais velhos e tias fixes dá nisto: herda-se muita coisa. Vou ser sincera, quando olho para o cantinho dela até acho um exagero, pois ela praticamente não liga aos brinquedos. Metade deles se não estivessem lá não fariam falta, mas é aquela história, já que temos, vamos utilizar. Tem peluches, carrinhos, bolas, legos, entre outros brinquedos para a idade dela. Não é que não brinque, mas não se prende a eles.

A Pipoca gosta muito de um conjunto de 8 caixinhas que se encaixam dentro umas das outras. No início ela só sabia desencaixá-las. Depois aprendeu a encaixar, a empilhar e agora dá-lhe um novo uso: é uma espécie de taça para a papa, quando não é copo. Não, ela não põe comida nas caixinhas, embora já tenha posto água, ela já sabe brincar a fingir. Tem um ritual que é sentar-me a mim ou ao pai no chão (ou os dois), senta-se em cima de uma outra caixinha que mal lhe dá para uma nádega, "põe a comida" na nossa boca e ainda pergunta se está bom. Ai de nós se nos levantamos ou não comemos! Levamos logo com aquele olhar sério com dedinho apontado a dizer: "aiaiai"...

Com excepção dessas caixinhas, onde a Pipoca passa mais tempo a brincar é na cozinha com as vasilhas de plástico ou a abrir a sua gaveta preferida onde há coisas permitidas. Ah! Também há lá um cestinho com nozes de há um ano ou mais, que já são mesmo só brinquedo. Estas são para espalhar no chão e passar de um cesto para outro. As caixinhas de plástico que são guardadas umas dentro das outras com as tampas à parte são todas tapadas e empilhadas, seja dentro do armário seja no chão, mas tudo muito organizado. Clips, agrafadores, rato de computador, telemóveis antigos, tudo é brinquedo melhor do que os brinquedos de verdade que ela tem. Ah! Tudo o que tiver no armário da sala também é para brincar, até hoje, principalmente os comandos da Wii que ficam numa das gavetas. 

Bom... acho que já deu para perceber que cá em casa se brinca um pouco com tudo. Daí volto ao título deste texto: "brinquedos, comprar ou não comprar?"

Não vou negar que sim. Apesar de ver que tudo é mais interessante do que os próprios brinquedos, se temos condições financeiras e não "herdamos" nada, acho que devemos sim proporcionar aos nossos pequenos esses pequenos mimos próprios para suas idades. Entretanto, sem exageros, sem grandes tecnologias. Não vou oferecer à minha filha de um ano e meio um tablet ou um telemóvel de verdade, mas sim brinquedos que estimulem o seu desenvolvimento psicomotor e afetivo.

Considero importante a observação do que é realmente necessário para cada fase. Acho que já me referi aqui que não sou contra as tecnologias, mas devemos saber como e quando utilizá-las, principalmente quando se trata dos pequenos em que o cérebro se desenvolve exponencialmente. Muitas vezes um clip ou uma caixinha com tampa podem ser super bem recebidos pelos pequenos e se tornarem um grande impulsionador da sua imaginação. Por exemplo, é muito lindo uma bateria de brinquedo, mas é muito mais divertido fazer uma bateria com várias latas e dois pedaços de pau, acredita, falo por experiência própria. Também é importante construírmos coisas, fazer origames, bricolages, bichinhos com massa de modelar. Mas isso não é novidade para ninguém.


O que quero dizer, que seja qual for a decisão que tomemos, que seja sempre a pensar no desenvolvimento saudável dos nossos filhos e não em algo que apenas os vai fazer ficar quietos para que "tenhamos sossego". Eu sei que muitas vezes posso "pagar língua", porque minha filha ainda é bebé e que ainda tenho muito para aprender. Tenho plena consciência que muitas vezes vou falhar e que poderei fazer o contrário do que estou a dizer, vencida pelo cansaço. Hoje mesmo deixei a Pipoca ver Galinha Pintadinha por mais ou menos duas horas, porque acordou as 6:30h da manhã e eu mal conseguia abrir os olhos, não tinha forças para lhe entreter de outra forma. Mas um dia não são dias e que não se torne um hábito.

É muito importante ter brinquedos sim, mas muito mais importante do que ter brinquedos, é ter com quem brincar. Muitas vezes sentamos as duas na cozinha a brincar com as caixinhas de plástico ou com as nozes. Ultimamente quando chegamos da creche ficamos um pouco à porta do prédio a brincar na rua, ela se diverte só subindo e descendo degraus. 

Quer ver um exemplo simples? Assista o vídeo.


Esse vídeo é super popular e mostra exatamente o que estou tentando dizer. É óbvio que nem todas as crianças reagiriam como esta criança ao ganhar um clip, podem ver uma reação diferente no vídeo a seguir (parecem o mesmo, mas são dois vídeos diferentes):


Há N vídeos parecidos na net. Apesar de ser simples agradar uma criança, nem todas reagem da mesma maneira, todas são diferentes. Devemos sobretudo conhecer as nossas crianças, pois elas vão reagir ao presente que lhes damos consoante a forma que lhes ensinamos a valorizar as coisas e principalmente conforme as expectativas que lhes criamos. Não vamos oferecer uma banana de plástico numa caixa de boneca, isso é frustrante e chega a ser cruel.

É muito fácil fazer uma criança feliz... o importante é nunca nos esquecermos disto!





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