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quinta-feira, 23 de maio de 2019

Adeus chucha!

Assim, de repente, nos despedimos desse objeto que nos acompanhou durante três anos e quatro meses e que a Pipoca tanto gostava...

Há 11 noites que a chucha já não faz parte do soninho dela, 11 noites que minha menina se despediu definitivamente do seu consolo.
A melhor parte disto? Foi uma decisão dela...

Infelizmente eu não tive coragem de lhe tirar a chucha quando ela deixou de utilizar na escola, ainda antes dos dois anos. Era um ritual, chegávamos na escola, a chucha ficava na caixinha dos recados; ao fim do dia era a primeira coisa que ela pedia e eu não conseguia negar.

Então decidi que ela deixaria a chucha no tempo dela, quando se sentisse preparada para isso. Confesso que já estava ficando preocupada, pois já se nota muito na arcada dentária, os dentes de cima a afastarem-se e a parte da frente a subir, enquanto os de baixo estavam a entrar. Apesar de ter reduzido drasticamente o seu uso durante o dia, ainda era essencial para que ela adormecesse em casa ou quando ela por alguma razão chorava ou se frustrava, era definitivamente o seu conforto. 

Nos últimos tempos eu e o pai começamos a dizer-lhe que ela precisava deixar a chucha, pois os seus dentinhos estavam a ficar para fora. O pai chegou a colocá-la em frente ao espelho para fazê-la entender o que a chucha estava a fazer, ela, coitadinha, começou a chorar compulsivamente porque os dentes estavam feios... eu cheguei a fazer o tal furinho com uma agulha, que já estava a rasgar de ela tanto morder, mas como já era a última chucha, ela não conseguiu jogar fora, como fez com outras 4 que tinha... estas porque estavam sujas, tinham cabelo ou um furo...

Depois de cerca de duas semanas conosco a bater todos os dias na mesma tecla, houve uma noite que ela não pediu a dita. Dormiu a noite inteira sem ela, só pediu já era de manhãzinha e eu dei. Quando levantamos e eu lhe estava a pentear eu disse-lhe: "estás mesmo crescida, filha! Já consegues dormir sem chucha". Ela levantou-se do meu colo e perguntou onde estava a chucha; pensei eu: já estragaste tudo. Mas não, ela foi à procura e voltou dizendo: "vou jogar no lixo mamã". E jogou mesmo. Eu cheia de receio de ter uma péssima noite, apanhei a chucha, lavei e guardei dentro do frigorífico, onde ela não vê. Mais no fim da tarde ela lembrou-se e veio ao lixo procurar pela chucha "onde está mamã?", perguntou ela. Eu só lhe disse: "jogaste fora filha, agora não já mais". Ela resmungou, não chegou a chorar.

A segunda noite já não foi tão pacífica. Ela sabia que tinha jogado a chucha fora e que já não a teria mais. Mesmo assim, pediu, chorou. Cortou-me o coração vê-la chorar, saber onde a chucha estava e não lhe dar, mas eu tinha que me manter firme, para o bem dela. Consegui distrair a sua atenção com uma história e assim passou a segunda noite. Na terceira noite já não houve choro; ela pediu a chucha, eu repeti o que já tinha dito na noite anterior, que foi ela quem jogou fora, ela resmungou e não falou mais no assunto. 

Da quarta noite em diante ela já não pediu, ela já não falou mais na chucha e tem sido assim todas as noites. Às vezes ela se lembra, começa a falar na chucha e cala-se. Noutro dia perguntou-me: "mamã, meus dentinhos já estão bonitos?" Claro que a resposta foi "sim, filha, agora que deixaste a chucha, estão lindos!" Lendo agora o que estou a escrever, até dá a sensação que fiz bulling com minha filha... que horror! Mas a verdade é que resultou. 

Isto nos prova também que além de respeitarmos o tempo deles, também devemos lhe dizer as verdades, mesmo que doa, pois muitas vezes elas nos abrem os olhos... Com isto, minha princesa deu mais um passo no seu desenvolvimento, na sua independência. Como ela diz, "mamã, eu já cresci bebé, vês! Eu estou grande!"

O próximo passo gostava que fosse o leitinho da noite, mas como tem sido até agora, vou respeitar o tempo dela... há de chegar o dia!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Eu portei bem!

Novo argumento lá de casa: "eu porto bem"!

O que me tenho rido com os argumentos que a Pipoca tem! Dessa vez foi porque queria o telemóvel do pai. Estava ela de sanita quando se lembra de dizer: "mamã, o papá não empresta o telefone", "o papá não diz não" (é como ela disse que alguém disse não), "mas eu até portei bem hoje, eu portei bem!" Lendo assim não parece nada demais... mas se vissem a cara dela e os gestos que fazia com a mão, iam rolar no chão de rir! 

O pai entra na casa de banho e ela continua: "papá, porque não empresta o telefone a mim? Eu portei bem"... oh que coisa mais gostosa de se ver! O raciocínio então, é brutal! 

Estou cada dia mais encantada com a evolução, o desenvolvimento dela. Super independente, já não precisa ou quer ajuda para quase nada, carrega a sua cadeirinha para todo o lado para apanhar as coisas no alto, para lavar as mãos, para fazer coisas que os pais não estão à espera... 

No fim de semana teve visita de uma amiga um pouco mais nova que ela. Enquanto eu fazia o almoço ela no balcão da cozinha com a sua cadeirinha e uma faca redonda de criança apoderou-se do frasco de azeitonas pretas e uma folha de massa de lazanha que serviu de tábua; cortava as azeitonas a meio, comia metade e ia oferecer a outra metade à amiga: "toma minha aiga, toma"... 

Ontem queria ajudar-me a cortar já não me lembro o que e o pai disse que não podia, que ela não pode cortar porque ela ainda é pequenina. Ela muito inconformada só dizia: "mas eu cortou azeitona para minha aiga, eu cortou"... 

Ah! E ontem também me disse, quando lhe fui buscar a escola que a Fulana já não é má... ufa! Que alívio! 

Tentamos reproduzir o que ela disse na sala depois, não teve a mesma piada porque tivemos que puxar por ela, não foi tão espontâneo, mas mesmo assim não deixa te ter a sua graça! 



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Brinquedos comprar ou não comprar?

Brinquedos? Não... prefiro Tuperwares!


Essa seria a resposta da minha Pipoca há algum tempo. Ah... e livros! Mas as caixinhas de plástico do meu armário são, de longe,  a maior diversão.

Eu já tinha mais ou menos essa noção, que bebés por norma gostam mais de brincar com qualquer coisa do que com brinquedos, mas agora  tenho a confirmação.

Acho que consigo contar nos dedos os brinquedos que comprei. Ter primos mais velhos e tias fixes dá nisto: herda-se muita coisa. Vou ser sincera, quando olho para o cantinho dela até acho um exagero, pois ela praticamente não liga aos brinquedos. Metade deles se não estivessem lá não fariam falta, mas é aquela história, já que temos, vamos utilizar. Tem peluches, carrinhos, bolas, legos, entre outros brinquedos para a idade dela. Não é que não brinque, mas não se prende a eles.

A Pipoca gosta muito de um conjunto de 8 caixinhas que se encaixam dentro umas das outras. No início ela só sabia desencaixá-las. Depois aprendeu a encaixar, a empilhar e agora dá-lhe um novo uso: é uma espécie de taça para a papa, quando não é copo. Não, ela não põe comida nas caixinhas, embora já tenha posto água, ela já sabe brincar a fingir. Tem um ritual que é sentar-me a mim ou ao pai no chão (ou os dois), senta-se em cima de uma outra caixinha que mal lhe dá para uma nádega, "põe a comida" na nossa boca e ainda pergunta se está bom. Ai de nós se nos levantamos ou não comemos! Levamos logo com aquele olhar sério com dedinho apontado a dizer: "aiaiai"...

Com excepção dessas caixinhas, onde a Pipoca passa mais tempo a brincar é na cozinha com as vasilhas de plástico ou a abrir a sua gaveta preferida onde há coisas permitidas. Ah! Também há lá um cestinho com nozes de há um ano ou mais, que já são mesmo só brinquedo. Estas são para espalhar no chão e passar de um cesto para outro. As caixinhas de plástico que são guardadas umas dentro das outras com as tampas à parte são todas tapadas e empilhadas, seja dentro do armário seja no chão, mas tudo muito organizado. Clips, agrafadores, rato de computador, telemóveis antigos, tudo é brinquedo melhor do que os brinquedos de verdade que ela tem. Ah! Tudo o que tiver no armário da sala também é para brincar, até hoje, principalmente os comandos da Wii que ficam numa das gavetas. 

Bom... acho que já deu para perceber que cá em casa se brinca um pouco com tudo. Daí volto ao título deste texto: "brinquedos, comprar ou não comprar?"

Não vou negar que sim. Apesar de ver que tudo é mais interessante do que os próprios brinquedos, se temos condições financeiras e não "herdamos" nada, acho que devemos sim proporcionar aos nossos pequenos esses pequenos mimos próprios para suas idades. Entretanto, sem exageros, sem grandes tecnologias. Não vou oferecer à minha filha de um ano e meio um tablet ou um telemóvel de verdade, mas sim brinquedos que estimulem o seu desenvolvimento psicomotor e afetivo.

Considero importante a observação do que é realmente necessário para cada fase. Acho que já me referi aqui que não sou contra as tecnologias, mas devemos saber como e quando utilizá-las, principalmente quando se trata dos pequenos em que o cérebro se desenvolve exponencialmente. Muitas vezes um clip ou uma caixinha com tampa podem ser super bem recebidos pelos pequenos e se tornarem um grande impulsionador da sua imaginação. Por exemplo, é muito lindo uma bateria de brinquedo, mas é muito mais divertido fazer uma bateria com várias latas e dois pedaços de pau, acredita, falo por experiência própria. Também é importante construírmos coisas, fazer origames, bricolages, bichinhos com massa de modelar. Mas isso não é novidade para ninguém.


O que quero dizer, que seja qual for a decisão que tomemos, que seja sempre a pensar no desenvolvimento saudável dos nossos filhos e não em algo que apenas os vai fazer ficar quietos para que "tenhamos sossego". Eu sei que muitas vezes posso "pagar língua", porque minha filha ainda é bebé e que ainda tenho muito para aprender. Tenho plena consciência que muitas vezes vou falhar e que poderei fazer o contrário do que estou a dizer, vencida pelo cansaço. Hoje mesmo deixei a Pipoca ver Galinha Pintadinha por mais ou menos duas horas, porque acordou as 6:30h da manhã e eu mal conseguia abrir os olhos, não tinha forças para lhe entreter de outra forma. Mas um dia não são dias e que não se torne um hábito.

É muito importante ter brinquedos sim, mas muito mais importante do que ter brinquedos, é ter com quem brincar. Muitas vezes sentamos as duas na cozinha a brincar com as caixinhas de plástico ou com as nozes. Ultimamente quando chegamos da creche ficamos um pouco à porta do prédio a brincar na rua, ela se diverte só subindo e descendo degraus. 

Quer ver um exemplo simples? Assista o vídeo.


Esse vídeo é super popular e mostra exatamente o que estou tentando dizer. É óbvio que nem todas as crianças reagiriam como esta criança ao ganhar um clip, podem ver uma reação diferente no vídeo a seguir (parecem o mesmo, mas são dois vídeos diferentes):


Há N vídeos parecidos na net. Apesar de ser simples agradar uma criança, nem todas reagem da mesma maneira, todas são diferentes. Devemos sobretudo conhecer as nossas crianças, pois elas vão reagir ao presente que lhes damos consoante a forma que lhes ensinamos a valorizar as coisas e principalmente conforme as expectativas que lhes criamos. Não vamos oferecer uma banana de plástico numa caixa de boneca, isso é frustrante e chega a ser cruel.

É muito fácil fazer uma criança feliz... o importante é nunca nos esquecermos disto!





Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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