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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Não podes dizer isso!

É a nova frase da Pipoca... 

Impressionante como de um momento para o outro o raciocínio das crianças se desenvolvem, mas não só, porque o vocabulário vai acompanhando. As últimas pérolas da Pipoca têm-me deixado sem argumentos e às vezes não sei o que lhe diga. 

Perto do meu trabalho tem um desenho numa parede. O desenho, para quem o compreende até é meio obsceno, mas ela o vê como um pai e um filho, sendo que o pai está zangado e o filho tem o pé em cima da mesa. Toda vez que passamos por ali ela faz a mesma pergunta: 

_Por que ele está com o pé em cima da mesa? 
_Por que o pai dele está zangado? Pois bem, tendo em conta que estamos sempre a dizer-lhe que não devemos colocar os pés em cima da mesa, a pergunta até é bem pertinente e eu aproveito para reforçar o que estamos sempre a dizer: 
_Ele está a portar-se mal filha, e o papai dele está zangado porque já lhe pediu para não por os pés em cima da mesa. 

Ela aceitava bem este argumento, até uns dias atrás, que ela repetiu a pergunta e eu a resposta, mas ela não aceitou o que eu lhe disse:

_Mamã, não podes dizer isso! Por que estás a dizer isso? 
 _Isso o quê, filha?
_Isso tudo! Isto és tu que estás a dizer, o desenho não fala! 
_Não podes dizer isso, ok?

Eu não soube o que dizer e apenas respondi Ok. 

Ontem à noite, tal estávamos a ler uma história e qual todas as noites, ela fazia perguntas sobre o que via ou o que não via nos desenhos: 
_Ela não tem pais?
_Tem, filha!
_Onde estão os pais dela? 
_Os pais foram à água e ela ficou a brincar na areia, porque tem medo das ondas.
_Mas onde estão?
Eu voltei a repetir, mas ela não se convenceu, porque em nenhum momento, apesar de mencionar que ela e a família vão à praia, não se vê os pais nos desenhos. Então virou para mim e disse:
_Não é nada! Ela não tem pais, os pais dela morreram! (muito zangada)

_Não filha, os papás dela devem estar na água, ou na toalha perto dela, só não se vê no desenho, mas a história diz, falei eu lendo a parte que fala da família.
_Oh mamã! Não podes dizer isso! A história não fala! Tens que parar de dizer essas coisas! Estás a ver, a história não fala!
_A história fala, filha, todos os livros falam, é como contam as histórias.
_Não falam nada! Não podes dizer isso!

Enfim, eu respondi: está bem filha, um dia vais entender... e continuei e história, com mais 1001 perguntas que eu já não sabia se respondia o que era ou se o que ela queria ouvir...

Ao mesmo tempo que fico maravilhada com as observações dela, a forma como ela vê a história e os desenhos, as perguntas curiosas sobre detalhes que para mim, adulta, são tão óbvios e que me passam ao lado, fico pasma com o raciocínio, com os argumentos, com a forma assertiva com que ela fala. 

Eu gosto que ela fale. Eu gosto que ela fale tudo o que pensa, mesmo que eu não goste de ouvir. E não, eu não a "mando" calar ou parar de dizer seja o que for, eu a deixo falar e ouço. É importante incentivarmos as crianças a se expressarem, é importante deixarmos que falem sobre o que sentem. Se lhes dissermos que não podem falar assim com os pais e nos zangarmos, vamos obrigá-los a guardarem o que sentem e aos poucos, simplesmente vão se sentir tão reprimidos a ponto de deixarem de falar. Claro que chegará o momento que teremos que ensinar "como" falar, ensinar a exprimirem o que sentem, seja raiva, frustração, alegria, amor, sempre com respeito, sem gritos, sem palavrões. 

Nesta fase o que vejo é a formação da personalidade dela,  forte, autoconfiante e dona de si e de suas convicções. É aí que vejo também que estou no caminho que quero seguir. Não quero que minha filha diga sim querendo dizer não, apenas para não deixar alguém triste, ou zangado. Quero que ela seja convicta de si e pense sempre na alternativa que ela acredite que vai lhe fazer bem, para não ser uma adulta frustrada, que tem "medo" de dizer não. Claro que em alguns momentos ela será "forçada" pela vida a fazer o que não quer, todos nós passamos por isso nem que seja uma vez. Mas ao menos ela vai crescer sabendo que tem uma escolha, que a resposta não tem que ser sempre sim só porque um adulto "mandou". Quem diz adulto diz um amigo, um parente, um irmão, ou mesmo nós, pais.

Entretanto, neste momento, só sei que eu não posso dizer isso! Hahha!


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Adeus chucha!

Assim, de repente, nos despedimos desse objeto que nos acompanhou durante três anos e quatro meses e que a Pipoca tanto gostava...

Há 11 noites que a chucha já não faz parte do soninho dela, 11 noites que minha menina se despediu definitivamente do seu consolo.
A melhor parte disto? Foi uma decisão dela...

Infelizmente eu não tive coragem de lhe tirar a chucha quando ela deixou de utilizar na escola, ainda antes dos dois anos. Era um ritual, chegávamos na escola, a chucha ficava na caixinha dos recados; ao fim do dia era a primeira coisa que ela pedia e eu não conseguia negar.

Então decidi que ela deixaria a chucha no tempo dela, quando se sentisse preparada para isso. Confesso que já estava ficando preocupada, pois já se nota muito na arcada dentária, os dentes de cima a afastarem-se e a parte da frente a subir, enquanto os de baixo estavam a entrar. Apesar de ter reduzido drasticamente o seu uso durante o dia, ainda era essencial para que ela adormecesse em casa ou quando ela por alguma razão chorava ou se frustrava, era definitivamente o seu conforto. 

Nos últimos tempos eu e o pai começamos a dizer-lhe que ela precisava deixar a chucha, pois os seus dentinhos estavam a ficar para fora. O pai chegou a colocá-la em frente ao espelho para fazê-la entender o que a chucha estava a fazer, ela, coitadinha, começou a chorar compulsivamente porque os dentes estavam feios... eu cheguei a fazer o tal furinho com uma agulha, que já estava a rasgar de ela tanto morder, mas como já era a última chucha, ela não conseguiu jogar fora, como fez com outras 4 que tinha... estas porque estavam sujas, tinham cabelo ou um furo...

Depois de cerca de duas semanas conosco a bater todos os dias na mesma tecla, houve uma noite que ela não pediu a dita. Dormiu a noite inteira sem ela, só pediu já era de manhãzinha e eu dei. Quando levantamos e eu lhe estava a pentear eu disse-lhe: "estás mesmo crescida, filha! Já consegues dormir sem chucha". Ela levantou-se do meu colo e perguntou onde estava a chucha; pensei eu: já estragaste tudo. Mas não, ela foi à procura e voltou dizendo: "vou jogar no lixo mamã". E jogou mesmo. Eu cheia de receio de ter uma péssima noite, apanhei a chucha, lavei e guardei dentro do frigorífico, onde ela não vê. Mais no fim da tarde ela lembrou-se e veio ao lixo procurar pela chucha "onde está mamã?", perguntou ela. Eu só lhe disse: "jogaste fora filha, agora não já mais". Ela resmungou, não chegou a chorar.

A segunda noite já não foi tão pacífica. Ela sabia que tinha jogado a chucha fora e que já não a teria mais. Mesmo assim, pediu, chorou. Cortou-me o coração vê-la chorar, saber onde a chucha estava e não lhe dar, mas eu tinha que me manter firme, para o bem dela. Consegui distrair a sua atenção com uma história e assim passou a segunda noite. Na terceira noite já não houve choro; ela pediu a chucha, eu repeti o que já tinha dito na noite anterior, que foi ela quem jogou fora, ela resmungou e não falou mais no assunto. 

Da quarta noite em diante ela já não pediu, ela já não falou mais na chucha e tem sido assim todas as noites. Às vezes ela se lembra, começa a falar na chucha e cala-se. Noutro dia perguntou-me: "mamã, meus dentinhos já estão bonitos?" Claro que a resposta foi "sim, filha, agora que deixaste a chucha, estão lindos!" Lendo agora o que estou a escrever, até dá a sensação que fiz bulling com minha filha... que horror! Mas a verdade é que resultou. 

Isto nos prova também que além de respeitarmos o tempo deles, também devemos lhe dizer as verdades, mesmo que doa, pois muitas vezes elas nos abrem os olhos... Com isto, minha princesa deu mais um passo no seu desenvolvimento, na sua independência. Como ela diz, "mamã, eu já cresci bebé, vês! Eu estou grande!"

O próximo passo gostava que fosse o leitinho da noite, mas como tem sido até agora, vou respeitar o tempo dela... há de chegar o dia!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Eu portei bem!

Novo argumento lá de casa: "eu porto bem"!

O que me tenho rido com os argumentos que a Pipoca tem! Dessa vez foi porque queria o telemóvel do pai. Estava ela de sanita quando se lembra de dizer: "mamã, o papá não empresta o telefone", "o papá não diz não" (é como ela disse que alguém disse não), "mas eu até portei bem hoje, eu portei bem!" Lendo assim não parece nada demais... mas se vissem a cara dela e os gestos que fazia com a mão, iam rolar no chão de rir! 

O pai entra na casa de banho e ela continua: "papá, porque não empresta o telefone a mim? Eu portei bem"... oh que coisa mais gostosa de se ver! O raciocínio então, é brutal! 

Estou cada dia mais encantada com a evolução, o desenvolvimento dela. Super independente, já não precisa ou quer ajuda para quase nada, carrega a sua cadeirinha para todo o lado para apanhar as coisas no alto, para lavar as mãos, para fazer coisas que os pais não estão à espera... 

No fim de semana teve visita de uma amiga um pouco mais nova que ela. Enquanto eu fazia o almoço ela no balcão da cozinha com a sua cadeirinha e uma faca redonda de criança apoderou-se do frasco de azeitonas pretas e uma folha de massa de lazanha que serviu de tábua; cortava as azeitonas a meio, comia metade e ia oferecer a outra metade à amiga: "toma minha aiga, toma"... 

Ontem queria ajudar-me a cortar já não me lembro o que e o pai disse que não podia, que ela não pode cortar porque ela ainda é pequenina. Ela muito inconformada só dizia: "mas eu cortou azeitona para minha aiga, eu cortou"... 

Ah! E ontem também me disse, quando lhe fui buscar a escola que a Fulana já não é má... ufa! Que alívio! 

Tentamos reproduzir o que ela disse na sala depois, não teve a mesma piada porque tivemos que puxar por ela, não foi tão espontâneo, mas mesmo assim não deixa te ter a sua graça! 



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Pipoca está na pré!

Quase nem acredito! 


A minha Pipoquinha já está no pré-escolar!
Ainda ontem escrevia eu sobre o primeiro dia de creche e agora me vejo falando sobre a pré-escola...

Hoje em dia parece tudo tão precoce! Lembro-me de ir pela primeira vez para a escola já com quatro anos... acho que é a memória mais vívida que tenho desta idade. Ainda não tinham educadora definida e comecei com uma de quem gostei muito, mas passados alguns dias (não sei ao certo porque nesta idade não temos presente a noção do tempo), mudaram e depois mudaram outra vez; não faço ideia quantas educadoras foram, mas lembro-me de um dia a minha mãe me ir buscar e eu chegar em casa e dizer que já não ia para a escola. Lembro-me de fazer cinco com a mão e dizer que só ia à escola quando tivesse cinco anos e realmente assim foi. Claro que são épocas diferentes; a minha mãe não trabalhava fora e pôde estar conosco. Hoje em dia isso é quase impensável... quase somos obrigados a colocar nossos filhos na creche com apenas cinco meses (no meu caso obrigada mesmo). Agora, com apenas dois anos e oito meses já vejo a minha menina, a minha bebe a entrar para a pré-escola. Sabe quando a gente sabe que está acontecendo mas parece que é um sonho? Pois é... só caí em mim quando recebi a lista de material: tesoura, lápis de cor, canetas de feltro, etc... 

Mas onde quero chegar  com esse blá blá blá? Quero chegar na reação da Pipoca à nova escola. Como eu contei quando escrevi sobre o último dia de creche, estava tudo a ser muito mais difícil para mim do que para ela; eu estava sofrendo por antecipação, ansiosa em como dizer a ela que já não veria os amigos, a educadora e a auxiliar. Pois no dia 3 de Setembro começamos a integração na nova escola e neste dia só me apeteceu sair correndo com ela nos braços. Ela agarrou-se a mim de tal maneira que me doeu e doeu ainda mais porque arrancaram-na dos meus braços. Na creche nunca a deixei chorando, ali ficou a chorar logo no primeiro dia. Chorei com ela. Mas passados alguns segundos ela já tinha se calado, ficou bem. O pai ficou em casa nesta semana também e foi buscá-la duas horas depois. 

No dia seguinte eu não quis levá-la. Não conseguia. O pai foi e disse que ela ficou a chorar outra vez, mas passou rápido. Era para buscá-la antes do almoço, mas quando chegou ela já estava à mesa com os colegas e acabou por fazer no segundo o que faria e fez outra vez no terceiro dia, ficou até depois do almoço. No quarto dia criei coragem para ir levá-la novamente. Arrancaram-na outra vez dos meus braços e saí novamente em lágrimas. Neste dia ela ficou a dormir depois do almoço e no último dia da integração foi já para ficar o dia todo. Neste dia não deixei que lhe tirassem de mim. Ela tirou a chucha e guardou na mochila  e a seguir guardei a mochila no cabide. Conversei com ela e expliquei que a mãe tinha que ir para o trabalho e que ela precisava ficar na escola. A seguir os colegas vinham a entrar na sala e eu lhe disse: _ vai para tua sala, vai. Ela foi, feliz da vida, sorrindo. Que alívio! Neste dia fui para o trabalho sem aquele peso de culpa, aquela sensação de não estar lá para ela. 

Na semana seguinte foi a sério. Apesar de no fim de semana ela acordar perguntando se não ia à escola, perguntando sobre a educadora e os amigos da creche, correu bem. Para sair de casa há sempre uma resistência do tipo "não quero ir à escola, quero dormir mais", mesmo estando mais acordada do que eu depois do café, mas com jeitinho, muita conversa, muito jogo de cintura, saímos de casa na boa. Pede sempre colo. A escola é praticamente ao lado de casa (1 quarteirão) e ela raramente vai a andar; quando aceita ir andando quando se aproxima da escola pede colo e apesar disto, nunca mais ficou a chorar...

Quando passamos em frente a escola ela já diz: "olha, a minha escola". Já diz " a minha sala" e "meus amigos". Ela cresceu, cresceu mais do que eu neste período, porque eu continuo cheia de receios... é uma escola de meninos "crescidos", há desde bebés até crianças do ATL, com 10 anos e por isso fico sempre com receio que lhe derrubem no intervalo, que lhe tirem os brinquedos, que lhe batam quando ela não quer dar. Claro que são medos bobos, afinal, estão lá as auxiliares queridas durante o intervalo... claro que ela vai passar por isso um dia, até pode ser o contrário, até pode ser ela a empurrar ou a bater, espero que não, nem uma coisa nem outra.


Enfim, nova página, nova etapa para pais e filha. Vai tudo correr bem, claro que vai! Não fosse a mãe uma drama Queen no que diz respeiro à Pipoca, este post seria muito diferente! 


Com isto a mãe, que há 10 anos não pintava voltou a pintar! 
A Pipoca na escola é a Pocahontas e este é o desenho da almofada dela. Eu podia ter mandado imprimir, mas preferi dar um toque pessoal e adorei o resultado... 
Também descobri que apesar do cansaço do dia-a-dia, quando queremos e gostamos, arranjamos sempre tempo e disposição, mesmo que seja de madrugada! Sim, porque a Pipoca adora pintar e quis dar o seu contributo, então a mãe teve que arranjar alternativa! :)

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A Pipoca dormiu fora!

Ainda não acredito!



Foi assim, de repente, porque se eu fosse pensar provavelmente não tinha acontecido... 

Mãe galinha que sou, toda vez que se falava em deixar a Pipoca dormir seja onde for sem mim, eu negava. Na minha cabeça, era por ela: porque ela ainda acordava muito, porque ainda pede o seu leitinho durante a noite, porque muitas vezes tem pesadelos e principalmente porque sempre que acorda é por mim que chama e para mim é inconcebível que minha filha pense que não estou lá para ela. Essa última parte apercebi-me que não é por ela, no fundo, é por mim; eu que me sinto mal, culpada mesmo por não estar lá quando ela chama por mim... mas se eu pensar bem, sempre que algo lhe corre mal, seja com quem for que ela esteja, durante o dia também é por mim que ela chama e eu quase nunca estou lá. E quer saber? Ela fica bem.

Eu sei que minha Pipoca tem que crescer, tem que "desgarrar" e foi por isso que no sábado ela dormiu fora. Após uma bela tarde de praia com dois ex-coleguinhas da creche ela pede para ir à casa da tia. Lá tem sido a loucura total com a "kima". Chamar para ir embora é como se lhe tivesse batido! Um berreiro que ninguém merece e a meio deste chororô a tia pergunta se quero "experimentar". Naquele momento não pensei muito. Se pensasse não conseguiria dizer que sim. Não vou negar que tentei dar desculpas: "tens a certeza? Olha que vais dormir mal"... "não trouxe o biberão e ela ainda bebe leite à noite". A tia lá me convence: "não faz mal"... "a tia dá um jeito". Ok, não tenho mais argumentos.

Agora vamos falar com a Pipoca, ela tem que saber que eu não vou lá estar e porquê. Entre o pranto e a prima a tentar acalmá-la (que só fazia com que ela ainda chorasse mais) consegui falar com ela. Primeiro perguntei se ela queria dormir na casa da tia e diante da resposta positiva expliquei que a mamã e o papá iriam para casa, que não estariam lá durante a noite e ela dizia sim a tudo. Com meu coração na mão despedi-me. No carro a caminho de casa chorei. Chorei porque no fundo quem precisa "desgarrar" sou eu, no fundo estou eu muito mais dependente dela emocionalmente do que ela de mim. Ela ficou bem. 

O pai ainda perguntou o que íamos fazer, porque poderíamos aproveitar para sair, curtir a noite, namorar ou simplesmente ver um filme no sofá. A mim só me ocorreu dormir. Parece mentira, mas o pai ainda se deitou primeiro porque a mãe ficou no sofá, não tinha sono... Deitei-me perto da meia noite e diferente do que eu pensava, não adormeci logo; não que ficasse a pensar nela, nem se estaria bem, foi uma coisa estranha. Sempre pensei que nesta situação eu dormiria a noite inteira, mas não foi assim, acordei exatamente às mesmas horas que ela costuma acordar para beber o seu "leitinho", pelo menos duas vezes. Acordei as 8:30h da manhã e já não  tinha mais vontade de dormir, fiquei na cama só porque sim até as 9 e pouco. Consegui não ir a correr para ela, embora tivesse um vazio em casa, faltava algo, faltava a Pipoca. Tínhamos que ir ao supermercado comprar coisas para o almoço e o material escolar para o início do ano letivo e aproveitei para fazer isso sem a pequena. Não vou negar que só o fiz porque já tinha falado com a tia e com ela e sabia que estava bem, bem disposta e feliz. 

Sabe quando a gente cria expectativas a respeito da reação de uma pessoa e depois a reação não tem nada a ver? Pois é... eu pensei que assim que me visse ela iria correr para me dar um abraço, tal como faz quando vou buscá-la à escola... mas não. Entrei, ela estava a brincar com uma boneca em um carrinho e a reação dela foi: "olha mamã, o bebé tem dói dói no pé! Olha, olha mamã!" Nem um abracinho, nem um beijinho... sniff! Hahaha! Não, não chorei. Acabei por achar piada pela reação dela e por mim, principalmente. Foi aí mesmo que me apercebi que ela cresceu e que já entende a separação, neste aspecto quem ainda não tinha isto bem presente era eu. 

Depois de cumprimentar todos fui a caminho dela, abracei-a, beijei-a e perguntei se ela tinha gostado de dormir na casa da tia. Ela disse que sim, que gostou... mas perguntou-me: "hoje não vou dormir na casa da tia, não?" "Não filha, hoje vais dormir na nossa casa, na tua cama, com a mamã". "Ok! Mas ainda não é noite, não?"... ela gostou, isso não dá para negar, mas não estava preparada para repetir a dose, pelo menos não logo a seguir. One step at time. 

Como correu a noite então? 

Dormiu de mãos dadas com a prima. A tia depois foi enviando fotos, desde a galhofa com os primos já no quarto até o sono das princesas que acabaram por dividir a cama, se jogando uma por cima da outra, assim à vez. Acordou à mesma hora de sempre, entre a 1:30h e as 2:30h para o leite, que a tia conseguiu dar com palhinha (canudinho) e não acordou à segunda hora que é sempre entre as 5:30h e 6:30h ou pelo menos a tia não se deu conta... 


E assim foi a primeira noite sem a Pipoca, a noite em que a Pipoca dormiu fora!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Último dia de creche :(


Nunca imaginei que seria tão difícil! 


A sério, todos sabemos que o primeiro dia de creche é complicado, ainda mais para mães de primeira viagem. Mas eu não imaginava que o último dia doía tanto às mães como o primeiro, por motivos completamente opostos e ao mesmo tempo tão iguais. 

Opostos porque já conheço as pessoas a quem entreguei minha Pipoca por mais de dois anos. São pessoas por quem adquiri carinho, admiração, gratidão e principalmente confiança. Meu desejo é que essas pessoas pudessem continuar a educar, a cuidar e a acarinhar a minha Pipoca. Saber que já não serão elas, que a Pipoca já não terá aquela atenção, aqueles momentos de "estrafego", de loucura, de atenção é um sentimento de perda bastante complexo. Ao mesmo tempo é igual porque ela vai para outra escola, ela vai para a pré-escola, tudo novo: ambiente novo, educadora e auxiliares novas, colegas novos. É um começar de novo. É aquele misto de orgulho porque ela está crescendo, está vivenciando experiências novas que vão ser cruciais para o seu desenvolvimento mas também de receio; receio do que virá, de como a vão tratar, de como ela vai reagir, de não se adaptar...

Sei que ela tem que que fazer essa transição, é inevitável, e que não a posso colocar numa redoma de vidro. Ela vai sobreviver... talvez se saia melhor do que eu imagino. Sabe aquelas preocupações de mãe? Se vão gritar com ela, se vão obrigá-la a comer, se vão lhe dar miminhos... sei que numa creche é diferente, a coisa agora é a sério! Sei que passando de uma sala com 15 crianças para uma de 25 é normal que a atenção não seja a mesma, mas cá no fundo desejo que ela tenha pelo menos um pouquinho do que tinha... 

Como é que se diz a uma criança com dois anos e oito meses incompletos que a partir de hoje já não vai mais ver a educadora e a auxiliar de quem ela tanto gosta? Como é que explico que não vai mais ver os amigos? Que vai passar quase 10 horas num lugar completamente novo com pessoas estranhas? Claro que falar eu falo, e ela diz sim a tudo, mas até que ponto ela entende realmente? As pessoas me dizem: "eles se adaptam rápido". Ok, é verdade. Mas o fato de se adaptarem rápido não significa que não sintam, que não sofram. Pior, muito provavelmente em silêncio, dando sinais que nem sempre conseguimos ver. Há os que podemos conseguir identificar, tais como: aumento dos pesadelos, voltar a fazer xixi na cama ou na roupa, se já não usavam a chucha podem voltar a pedir ou agarrar-se a algum objeto em que sintam conforto, podem recusar ir à escola... tanta coisa pode acontecer! Mas esses conseguimos ver e talvez seja possível acalmá-los e ajudá-los psicologicamente desde o início... então, mas e o que não vemos? Ai ai! 

Sei que sou a drama queen no que toca à minha Pipoca... 

Ontem despedimo-nos. Foi só um até breve, mas com sabor a adeus. Parafraseando a música da Ana Carolina: "minha garganta estranha (...) sinto um desejo louco de gritar". Foi mais ou menos isso... As lágrimas foram inevitáveis e o sabor amargo da despedida ficou até chegarmos à casa. À noite ainda me apetecia chorar... 

Tenho entretanto só a agradecer:

À educadora Sofia Rodrigues, o amor em pessoa. Quando no início do primeiro ano da Pipoca na creche disseram-me que iam mudar de educadora, eu só pensava: desde que trate bem a minha Pipoca, está tudo bem. Como esteve bem! Esteve melhor do que bem! A Sofia foi muito mais que uma educadora, foi uma mãezona para aquela criançada! Nela consegui ver amor à profissão, dedicação ao mais alto nível.  

À auxiliar Carmen Casimiro, que esteve com ela desde o primeiro dia no berçário, por quem a Pipoca era completamente apaixonada e de quem eu vi afeto verdadeiro... fiquei  com pena quando a Carmen foi de licença de maternidade a meio do ano letivo, porque ela é uma querida... 

Entretanto, fomos presenteados com a Ana Rita, a quem também agradeço do fundo do coração. Boa disposição sempre, loucura ao mais alto nível, tudo o que a Pipoca sempre adorou! Foi amor instantâneo, porque a Pipoca até dormindo falava na Ana... é aquele tipo de pessoa que é impossível não gostar, porque arrancam as mais deliciosas gargalhadas dos pequenos...


Obrigada minhas queridas, de todo o meu coração... serei eternamente grata pela dedicação e carinho com minha filhota. Obrigada pelo vosso empenho em proporcionar momentos de alegria, de diversão e boa disposição, de disciplina também. Por lhe ensinarem com amor e não com autoritarismo. Por respeitarem o tempo dela, a personalidade dela e por lhe respeitarem enquanto ser individual.


Ontem foi um dia triste sim, mas de muita gratidão acima de tudo. 
Hoje é uma pausa a meio da leitura da vida, a Pipoca está de férias com o pai.
Amanhã (salvo seja, daqui 10 dias), começaremos um novo capítulo: o pré-escolar...


Novas aventuras virão, novas aprendizagens, novos amigos... mas nunca esqueceremos os primeiros! Ah! Os primeiros vão ficar guardados, mais não seja nas fotografias, para um dia recordar... sei que ela não se vai lembrar, mas eu com certeza não irei esquecer!

Assim como não vou esquecer essa despedida com gosto amargo do último dia de creche...


terça-feira, 29 de agosto de 2017

20 meses de "Pipoca"

Em menos de nada a Pipoca já tem 20 meses! 

Daqui a nada é inverno, daqui 4 meses minha pipoca deixa de ser bebe. Claro que para mim ela vai ser sempre bebe, mas cientificamente falando, ela aos dois anos passa a ser considerada uma criança.

Nota-se isso na sua independência, no seu desenvolvimento. Há pouco mais de 4 meses ela dava seus primeiros passos, hoje em dia corre e sobe em tudo. Arrisca-se... Neste mesmo tempo ela disse pela primeira vez mamã, hoje em dia é como a publicidade da Whiskas saquetas, só que lá em casa é "blábláblá mamã, blablablá mamã". Sem falar daquela linguagem que só os bebes entendem, assim com ar de quem está a dar uma bronca, apontando o dedinho ou fazendo gestos com a mão...

Desafia... e como! Ainda hoje lhe disse: "filha, pára de passar a banana no cabelo" e ela olhava para mim e ainda passava ainda mais! O que uma mãe faz nessa hora? Minha vontade era só rir, ao mesmo tempo que me sentia irritada com a audácia da mocinha. Mas eu lá na minha paciência rebuscada não sei onde ignorei, continuei a tomar o meu pequeno almoço e só pensava: "quem não gosta de lavar o cabelo és tu"... 

Talvez o correto nesta hora seria eu ter levantado e lhe tirado a banana das mãos e explicado que por ela passar a banana no cabelo ficou sem ela. Sim, seria. Mas não sou de ferro. Mãe acorda cansada. Educar cansa, ensinar cansa, não dormir cansa. Mães falham, mães não nascem mães, mães aprendem com os erros. Um dos poucos momentos de descanso que tenho é a hora da papa. É um momento em que ela se diverte ao mesmo tempo que come. É um momento para aproveitar e tomar o meu pequeno almoço ainda quente, não para estragar com brigas e choradeira, sim, porque a birra seria grande (ou não). Sei que muita gente vai dizer e pensar: "é por isso que as crianças de hoje são tão difíceis, não lhe impõem limites".  Não é verdade. Um coisa é impor limites, outra coisa é chamar à atenção e dizer não por tudo e por nada.

Como tudo, também devemos ser tolerantes e entender que eles crescem e o desafio é parte deste crescimento. Fazer máscara facial e capilar com comida também. Há de chegar o momento em que ela deixará de atirar comida ao chão, deixará de sujar-se, comerá com garfo e faca. Tudo a seu tempo. De tantos nãos que ouvem a palavra preferida dessa idade é o não, até mesmo quando querem dizer sim.

Em 20 meses ela já aprendeu tanto! É uma autêntica esponja... absorve tudo. Já sabe calçar alguns sapatos sozinha e quando põe com os pés trocados e eu lhe digo que "está ao contrário" ela percebe logo e calça-os bem. Já vai querendo vestir-se sozinha. Já "penteia" a mamã e até a careca do papá. Já pede água e papa. Já sabe assoar o nariz. Já usa o bacio (embora ainda pouco). Já escova os dentes sozinha (depois a mãe tem que dar um toque). Já fica contente quando está cheia de sono e lhe digo: vamos para a cama. Já pede o "tutu" (leitinho)... 

Adora chapéus e óculos de sol. Adora vestir-se para sair e calçar sapatos, é louca por sapatos. É vaidosa. Gosta que lhe digam que está linda ou cheirosa. Bebe água no copo de "gente grande". Ainda não come doces. Adora iogurte. Seus brinquedos preferidos são legos e livros, qualquer livro, mas o "Cu-cú" é o predileto. 

Em 20 meses eu aprendi tanto! Aprendi que ser mãe é muito mais do que amamentar e passar noites em claro. Ser mãe é estar em constante alerta. é "vigiar e orar" o tempo todo pela cria. É preocupar-se com a alimentação, com a roupa, com vacinas... é correr para as urgências quando a febre aumenta, é quase morrer do coração quando vê um ouvido arrebentado. Ser mãe é sentir-se impotente diante de um filho doente, é querer que todo aquele mal fosse em si só para não ver a cria sofrer. É ter o coração nas mãos no primeiro dia de creche, é não conseguir sair para descontrair sem sentir-se culpada por deixar o filho com o pai, com a avó ou com a tia.. é querer estar sempre junto, mesmo quando não tem mais forças para abaixar e levantar seguindo as "instruções" que o filho dá. É estar em forma sem ter que ir ao ginásio, fazer agachamentos todo o tempo a apanhar brinquedos e sapatos espalhados pelo chão e/ou levantamento de peso sempre que um pedido de colo emerge.

São 20 meses de aprendizado para nós três, porque o pai também tem aprendido umas valentes lições... tais como a importância do tempo dedicado só e somente à pequena, que as birras não são porque sim, mas porque ela não sabe se expressar. Que o não é necessário, mas pode ser dito de outras formas, que uma gargalhada por uma cocéga na barriga é o melhor som do mundo! Aprendeu que não há nada melhor do que chegar à casa e sentir um abraço nas pernas ou ver um sorriso de orelha a orelha acompanhado de um "papáaaaaa"! 

Enfim, tudo isto para dizer que 20 meses se aprende muito, se vive muito e intensamente muitas coisas e principalmente, ama-se intensamente a cada segundo.

Parabéns meu amor, pelos teus 20 meses de vida. Sou grata por me teres escolhido para ser tua mãe , és um ser encantador que me enche o coração dia após dia... 

Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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