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terça-feira, 4 de setembro de 2018

A Pipoca dormiu fora!

Ainda não acredito!



Foi assim, de repente, porque se eu fosse pensar provavelmente não tinha acontecido... 

Mãe galinha que sou, toda vez que se falava em deixar a Pipoca dormir seja onde for sem mim, eu negava. Na minha cabeça, era por ela: porque ela ainda acordava muito, porque ainda pede o seu leitinho durante a noite, porque muitas vezes tem pesadelos e principalmente porque sempre que acorda é por mim que chama e para mim é inconcebível que minha filha pense que não estou lá para ela. Essa última parte apercebi-me que não é por ela, no fundo, é por mim; eu que me sinto mal, culpada mesmo por não estar lá quando ela chama por mim... mas se eu pensar bem, sempre que algo lhe corre mal, seja com quem for que ela esteja, durante o dia também é por mim que ela chama e eu quase nunca estou lá. E quer saber? Ela fica bem.

Eu sei que minha Pipoca tem que crescer, tem que "desgarrar" e foi por isso que no sábado ela dormiu fora. Após uma bela tarde de praia com dois ex-coleguinhas da creche ela pede para ir à casa da tia. Lá tem sido a loucura total com a "kima". Chamar para ir embora é como se lhe tivesse batido! Um berreiro que ninguém merece e a meio deste chororô a tia pergunta se quero "experimentar". Naquele momento não pensei muito. Se pensasse não conseguiria dizer que sim. Não vou negar que tentei dar desculpas: "tens a certeza? Olha que vais dormir mal"... "não trouxe o biberão e ela ainda bebe leite à noite". A tia lá me convence: "não faz mal"... "a tia dá um jeito". Ok, não tenho mais argumentos.

Agora vamos falar com a Pipoca, ela tem que saber que eu não vou lá estar e porquê. Entre o pranto e a prima a tentar acalmá-la (que só fazia com que ela ainda chorasse mais) consegui falar com ela. Primeiro perguntei se ela queria dormir na casa da tia e diante da resposta positiva expliquei que a mamã e o papá iriam para casa, que não estariam lá durante a noite e ela dizia sim a tudo. Com meu coração na mão despedi-me. No carro a caminho de casa chorei. Chorei porque no fundo quem precisa "desgarrar" sou eu, no fundo estou eu muito mais dependente dela emocionalmente do que ela de mim. Ela ficou bem. 

O pai ainda perguntou o que íamos fazer, porque poderíamos aproveitar para sair, curtir a noite, namorar ou simplesmente ver um filme no sofá. A mim só me ocorreu dormir. Parece mentira, mas o pai ainda se deitou primeiro porque a mãe ficou no sofá, não tinha sono... Deitei-me perto da meia noite e diferente do que eu pensava, não adormeci logo; não que ficasse a pensar nela, nem se estaria bem, foi uma coisa estranha. Sempre pensei que nesta situação eu dormiria a noite inteira, mas não foi assim, acordei exatamente às mesmas horas que ela costuma acordar para beber o seu "leitinho", pelo menos duas vezes. Acordei as 8:30h da manhã e já não  tinha mais vontade de dormir, fiquei na cama só porque sim até as 9 e pouco. Consegui não ir a correr para ela, embora tivesse um vazio em casa, faltava algo, faltava a Pipoca. Tínhamos que ir ao supermercado comprar coisas para o almoço e o material escolar para o início do ano letivo e aproveitei para fazer isso sem a pequena. Não vou negar que só o fiz porque já tinha falado com a tia e com ela e sabia que estava bem, bem disposta e feliz. 

Sabe quando a gente cria expectativas a respeito da reação de uma pessoa e depois a reação não tem nada a ver? Pois é... eu pensei que assim que me visse ela iria correr para me dar um abraço, tal como faz quando vou buscá-la à escola... mas não. Entrei, ela estava a brincar com uma boneca em um carrinho e a reação dela foi: "olha mamã, o bebé tem dói dói no pé! Olha, olha mamã!" Nem um abracinho, nem um beijinho... sniff! Hahaha! Não, não chorei. Acabei por achar piada pela reação dela e por mim, principalmente. Foi aí mesmo que me apercebi que ela cresceu e que já entende a separação, neste aspecto quem ainda não tinha isto bem presente era eu. 

Depois de cumprimentar todos fui a caminho dela, abracei-a, beijei-a e perguntei se ela tinha gostado de dormir na casa da tia. Ela disse que sim, que gostou... mas perguntou-me: "hoje não vou dormir na casa da tia, não?" "Não filha, hoje vais dormir na nossa casa, na tua cama, com a mamã". "Ok! Mas ainda não é noite, não?"... ela gostou, isso não dá para negar, mas não estava preparada para repetir a dose, pelo menos não logo a seguir. One step at time. 

Como correu a noite então? 

Dormiu de mãos dadas com a prima. A tia depois foi enviando fotos, desde a galhofa com os primos já no quarto até o sono das princesas que acabaram por dividir a cama, se jogando uma por cima da outra, assim à vez. Acordou à mesma hora de sempre, entre a 1:30h e as 2:30h para o leite, que a tia conseguiu dar com palhinha (canudinho) e não acordou à segunda hora que é sempre entre as 5:30h e 6:30h ou pelo menos a tia não se deu conta... 


E assim foi a primeira noite sem a Pipoca, a noite em que a Pipoca dormiu fora!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

E o mano, é para quando?


Esta é uma pergunta que ouço muito ultimamente. 

Aliás, acho que é uma pergunta que toda mãe de filho único ouve muito. Eu própria antes de ser mãe já fiz esta pergunta algumas vezes. Parece e uma pergunta inocente e talvez seja, mas...

É incómoda. É constrangedora. É incómodo as mães que podem até já estar a tentar ter outro filho e não está a correr tão bem como esperado, é para as mães que não querem para já ter outro filho e também o é para as mães que não querem outro filho, de todo. Hum, se é uma pergunta inocente, então porque é tão constrangedora? Simples: porque seja qual for a opção da mãe, terá sempre que dar alguma explicação a respeito de algo que é, ou pelo menos deveria ser, uma opção só sua, ou do casal. É assim, foi sempre assim e se a sociedade não mudar a sua forma de ver a família, principalmente a mãe, será sempre assim, infelizmente. 

Demorei dois anos e meio a engravidar. Na minha cabeça esta era diferença que gostaria de ter entre dois filhos, então a idade com que tive a primeira é quando já devia estar tendo o segundo. Por isso, quando a minha Pipoca nasceu eu dizia que se pudesse tinha já outro filho. Como tive um puerpério muito tranquilo, minha Pipoca era uma bebé calminha, a minha ideia era engravidar quando ela fizesse dois anos. Até aí não me importava com as perguntas sobre o segundo filho, porque sabia direitinho qual seria a resposta.

Entretanto, com o passar do tempo, fui vendo que a maternidade é muito mais dura do que parece. Não, não me queixo. Para mim ela continua a ser cor-de-rosa e continuo a romantizar a maternidade sim. Para mim é a melhor coisa do mundo. Mas não é por ser cor-de-rosa que tem de ser fácil, porque não é. Para mim o mais difícil não foi o puerpério, não foram os primeiros meses, não foram as primeiras noites em claro, não foi a dificuldade da amamentação, ou no meu caso o não amamentar. Para mim o mais difícil é ser de alguém a 100%, é ser-se quem se é apenas quando esse alguém dorme e mesmo assim não ter tempo para sermos mulheres. Somos mães, ponto. 

A partir do momento em que começam a virar-se já não podem ficar sozinhos e seguem assim. De dia para dia, ao contrário do que se pensa, requerem mais atenção: querem brincadeira, não gostam de ficar sozinhos numa espreguiçadeira, já mostram suas primeiras vontades. Aos poucos vão vincando a sua personalidade, começam a andar, comem sozinhos, mas sempre, sempre requerem a nossa atenção, a nossa companhia, a nossa aprovação. Engana-se quem pensa que é mais fácil cuidar de uma criança de dois anos do que de um recém-nascido. Não é. Uma criança de dois anos tem vontade própria, expressa-se verbalmente e quando não se faz entender expressa-se com birras, joga brinquedos ou o que tiver na mão, dá pontapés. Uma criança de dois anos quer-nos por perto o tempo todo, pede colo para ver o que estamos a fazer, quer ajudar, quer companhia para as brincadeiras, embora não nos deixem manipular os brinquedos, nossa função é fazer o que nos dizem, isso para eles é brincar conosco.

Eu digo uma coisa: muita sorte têm as mães cujos filhos desde cedo dormem uma noite inteira, ou pelo menos 5 ou 6 horas seguidas. Morro de inveja delas! Minha Pipoca há uns tempos começou a dormir 5 horas seguidas, eu cheguei a pensar que seria desta que eu começaria a descansar um bocadinho... mas algo aconteceu e as noites se tornaram difíceis novamente: no feriado do carnaval viemos da rua e ela tinha acabado de acordar do meu colo, estava sentada no sofá a ver desenhos animados e eu caí na besteira de sair de casa sem lhe dizer nada, assim de fininho... o pai disse que ela chorou aos berros durante pelo menos dois minutos sem parar. Desde então, assim que entramos em casa ela está sempre atrás de mim, sempre procurando saber onde eu estou. Deste então os pesadelos aumentaram, acorda quase que de hora em hora a chamar por mim...

Como, como neste mundo uma pessoa que não dorme há mais de dois anos, que sente todos os dias o peso nos olhos, o cansaço no corpo ao fim do dia, pensar sequer em ter, para já, outro filho? O cansaço e o sono consomem de tal forma que só desejamos dormir 24 horas seguidas, pelo menos um dia...

Hoje, apenas hoje, praticamente 26 meses depois do nascimento da Pipoca volto a ver a mulher que há em mim. Aos poucos recuperei o meu peso, o meu corpo, a minha vaidade... recuperei a vontade de me olhar no espelho e ver uma mulher bonita,  bem vestida, penteada e principalmente confiante e não apenas a mãe, cansada e cheia de olheiras. Com tudo isto recuperei a vontade de ir tomar um café com amigos, de ir jantar e ficar um pouco mais num barzinho, de ter uma vida social. Aos poucos, com o desapegar da Pipoca, que aos poucos já se vai mostrando mais solta, mais independente e que consegue passar umas horas sem mim e que até precisa desse tempo, vou conseguindo eu própria me desapegar dela e deixá-la voar.  Mesmo assim, sou incapaz de a deixar sozinha, seja com o pai, com a tia ou com a avó durante a noite.

Durante essas ultimas noites difíceis apanho-me a pensar: como é que algumas pessoas sugerem que eu deixe a minha filha num fim de semana, por exemplo, para estar a sós com meu marido, se é por mim que ela chama, sou eu quem ela quer que lhe aconchegue, é o meu colo, a minha voz, o meu toque que a acalenta? Não consigo sequer imaginar faltar-lhe quando ela precisa de mim... Engraçado mas não tem graça nenhuma, como nós adultos queremos a todo custo dar ou tirar às crianças aquilo que não damos ou tiramos a nós, que supostamente temos uma experiência de vida e sabemos lidar com nossos sentimentos. Nós adultos temos, ou ao menos deveríamos ter sempre uma pessoa em quem confiamos, que nos conforta quando estamos tristes, frustrados, que nos dá forças quando temos medo, que nos abraça quando choramos e queremos sempre que seja aquela pessoa... Então por que cargas d'água quer-se a todo o custo tirar isto às crianças? Há crianças que querem os pais, há crianças que querem as mães e devemos respeitar as suas escolhas. A minha Pipoca escolheu-me a mim. Fico morta de cansada sim, mas não concebo sequer a ideia de lhe faltar de propósito e dói-me pensar ou imaginar que algum dia me aconteça algo e ela fique sem mim, que ela sinta, embora não seja a realidade, que eu a abandonei. Não, não mesmo... o sentimento de abandono por mim é um sentimento que dependendo de mim ela nunca irá sentir. Por isso quando me dizem deixa-a, eu apenas sorrio... e digo sempre: quando ela começar a dormir a noite inteira...


Tendo em conta tudo isto, quando penso em engravidar novamente, começo a imaginar as minhas noites, as noites que não terei. Até pode vir a ser um bebé completamente diferente da Pipoca, até pode ser um bebé desses que dormem desde cedo uma noite inteira... a Pipoca nos primeiros dias também dormia! Por ironia do destino por causa do baixo peso eu era obrigada a acordá-la de 3 em 3h. Hoje tudo o que eu desejo é que ela durma mais de 3 horas seguidas... imagina que eu esteja a amamentar o bebé e a Pipoca precise de mim, tenha pesadelos ou um dos seus episódios de terror noturno? Podem dizer: "e o pai? O pai tem que cuidar também"! É verdade, mas da próxima já sei muita coisa que não sabia e vou fazer de tudo para amamentar. O pai não amamenta, a Pipoca não aceita o pai durante a noite... tenho que colocar numa balança todas as possibilidades... "mas há tantas mulheres que fazem isso!" Pois há, e nenhuma delas sou eu! Cada uma sabe de si... se acontecesse, sem planejar era outra coisa, era uma situação que eu teria que aceitar e arcar com as consequências dos meus atos, mas sendo uma escolha, prefiro esperar.

Então... neste momento em que me recupero, em que volto a ser eu mesma, mas em que ainda não sei o que é dormir, o que posso dizer às pessoas que estão sempre a perguntar pelo mano/a? "Ah, mas devias esperar muito, que idade tens?", "ela precisa de um irmã para não ficar mimada"... eu digo o que ela precisa: de uma mãe fresca, que se ame, que esteja descansada para lhe dar a atenção que ela requer e merece. 




No seu tempo, no seu tempo virá o mano ou a mana... hoje em dia a idade não é tão grande empecilho assim... e eu me sinto uma jovem ainda! Ela vai ficar uma menina mimada? Talvez, mas vai ser uma menina mimada feliz!!




Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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