Ainda não acredito!
Foi assim, de repente, porque se eu fosse pensar provavelmente não tinha acontecido...
Mãe galinha que sou, toda vez que se falava em deixar a Pipoca dormir seja onde for sem mim, eu negava. Na minha cabeça, era por ela: porque ela ainda acordava muito, porque ainda pede o seu leitinho durante a noite, porque muitas vezes tem pesadelos e principalmente porque sempre que acorda é por mim que chama e para mim é inconcebível que minha filha pense que não estou lá para ela. Essa última parte apercebi-me que não é por ela, no fundo, é por mim; eu que me sinto mal, culpada mesmo por não estar lá quando ela chama por mim... mas se eu pensar bem, sempre que algo lhe corre mal, seja com quem for que ela esteja, durante o dia também é por mim que ela chama e eu quase nunca estou lá. E quer saber? Ela fica bem.
Eu sei que minha Pipoca tem que crescer, tem que "desgarrar" e foi por isso que no sábado ela dormiu fora. Após uma bela tarde de praia com dois ex-coleguinhas da creche ela pede para ir à casa da tia. Lá tem sido a loucura total com a "kima". Chamar para ir embora é como se lhe tivesse batido! Um berreiro que ninguém merece e a meio deste chororô a tia pergunta se quero "experimentar". Naquele momento não pensei muito. Se pensasse não conseguiria dizer que sim. Não vou negar que tentei dar desculpas: "tens a certeza? Olha que vais dormir mal"... "não trouxe o biberão e ela ainda bebe leite à noite". A tia lá me convence: "não faz mal"... "a tia dá um jeito". Ok, não tenho mais argumentos.
Agora vamos falar com a Pipoca, ela tem que saber que eu não vou lá estar e porquê. Entre o pranto e a prima a tentar acalmá-la (que só fazia com que ela ainda chorasse mais) consegui falar com ela. Primeiro perguntei se ela queria dormir na casa da tia e diante da resposta positiva expliquei que a mamã e o papá iriam para casa, que não estariam lá durante a noite e ela dizia sim a tudo. Com meu coração na mão despedi-me. No carro a caminho de casa chorei. Chorei porque no fundo quem precisa "desgarrar" sou eu, no fundo estou eu muito mais dependente dela emocionalmente do que ela de mim. Ela ficou bem.
O pai ainda perguntou o que íamos fazer, porque poderíamos aproveitar para sair, curtir a noite, namorar ou simplesmente ver um filme no sofá. A mim só me ocorreu dormir. Parece mentira, mas o pai ainda se deitou primeiro porque a mãe ficou no sofá, não tinha sono... Deitei-me perto da meia noite e diferente do que eu pensava, não adormeci logo; não que ficasse a pensar nela, nem se estaria bem, foi uma coisa estranha. Sempre pensei que nesta situação eu dormiria a noite inteira, mas não foi assim, acordei exatamente às mesmas horas que ela costuma acordar para beber o seu "leitinho", pelo menos duas vezes. Acordei as 8:30h da manhã e já não tinha mais vontade de dormir, fiquei na cama só porque sim até as 9 e pouco. Consegui não ir a correr para ela, embora tivesse um vazio em casa, faltava algo, faltava a Pipoca. Tínhamos que ir ao supermercado comprar coisas para o almoço e o material escolar para o início do ano letivo e aproveitei para fazer isso sem a pequena. Não vou negar que só o fiz porque já tinha falado com a tia e com ela e sabia que estava bem, bem disposta e feliz.
Sabe quando a gente cria expectativas a respeito da reação de uma pessoa e depois a reação não tem nada a ver? Pois é... eu pensei que assim que me visse ela iria correr para me dar um abraço, tal como faz quando vou buscá-la à escola... mas não. Entrei, ela estava a brincar com uma boneca em um carrinho e a reação dela foi: "olha mamã, o bebé tem dói dói no pé! Olha, olha mamã!" Nem um abracinho, nem um beijinho... sniff! Hahaha! Não, não chorei. Acabei por achar piada pela reação dela e por mim, principalmente. Foi aí mesmo que me apercebi que ela cresceu e que já entende a separação, neste aspecto quem ainda não tinha isto bem presente era eu.
Depois de cumprimentar todos fui a caminho dela, abracei-a, beijei-a e perguntei se ela tinha gostado de dormir na casa da tia. Ela disse que sim, que gostou... mas perguntou-me: "hoje não vou dormir na casa da tia, não?" "Não filha, hoje vais dormir na nossa casa, na tua cama, com a mamã". "Ok! Mas ainda não é noite, não?"... ela gostou, isso não dá para negar, mas não estava preparada para repetir a dose, pelo menos não logo a seguir. One step at time.
Como correu a noite então?
Dormiu de mãos dadas com a prima. A tia depois foi enviando fotos, desde a galhofa com os primos já no quarto até o sono das princesas que acabaram por dividir a cama, se jogando uma por cima da outra, assim à vez. Acordou à mesma hora de sempre, entre a 1:30h e as 2:30h para o leite, que a tia conseguiu dar com palhinha (canudinho) e não acordou à segunda hora que é sempre entre as 5:30h e 6:30h ou pelo menos a tia não se deu conta...
E assim foi a primeira noite sem a Pipoca, a noite em que a Pipoca dormiu fora!
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