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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Não podes dizer isso!

É a nova frase da Pipoca... 

Impressionante como de um momento para o outro o raciocínio das crianças se desenvolvem, mas não só, porque o vocabulário vai acompanhando. As últimas pérolas da Pipoca têm-me deixado sem argumentos e às vezes não sei o que lhe diga. 

Perto do meu trabalho tem um desenho numa parede. O desenho, para quem o compreende até é meio obsceno, mas ela o vê como um pai e um filho, sendo que o pai está zangado e o filho tem o pé em cima da mesa. Toda vez que passamos por ali ela faz a mesma pergunta: 

_Por que ele está com o pé em cima da mesa? 
_Por que o pai dele está zangado? Pois bem, tendo em conta que estamos sempre a dizer-lhe que não devemos colocar os pés em cima da mesa, a pergunta até é bem pertinente e eu aproveito para reforçar o que estamos sempre a dizer: 
_Ele está a portar-se mal filha, e o papai dele está zangado porque já lhe pediu para não por os pés em cima da mesa. 

Ela aceitava bem este argumento, até uns dias atrás, que ela repetiu a pergunta e eu a resposta, mas ela não aceitou o que eu lhe disse:

_Mamã, não podes dizer isso! Por que estás a dizer isso? 
 _Isso o quê, filha?
_Isso tudo! Isto és tu que estás a dizer, o desenho não fala! 
_Não podes dizer isso, ok?

Eu não soube o que dizer e apenas respondi Ok. 

Ontem à noite, tal estávamos a ler uma história e qual todas as noites, ela fazia perguntas sobre o que via ou o que não via nos desenhos: 
_Ela não tem pais?
_Tem, filha!
_Onde estão os pais dela? 
_Os pais foram à água e ela ficou a brincar na areia, porque tem medo das ondas.
_Mas onde estão?
Eu voltei a repetir, mas ela não se convenceu, porque em nenhum momento, apesar de mencionar que ela e a família vão à praia, não se vê os pais nos desenhos. Então virou para mim e disse:
_Não é nada! Ela não tem pais, os pais dela morreram! (muito zangada)

_Não filha, os papás dela devem estar na água, ou na toalha perto dela, só não se vê no desenho, mas a história diz, falei eu lendo a parte que fala da família.
_Oh mamã! Não podes dizer isso! A história não fala! Tens que parar de dizer essas coisas! Estás a ver, a história não fala!
_A história fala, filha, todos os livros falam, é como contam as histórias.
_Não falam nada! Não podes dizer isso!

Enfim, eu respondi: está bem filha, um dia vais entender... e continuei e história, com mais 1001 perguntas que eu já não sabia se respondia o que era ou se o que ela queria ouvir...

Ao mesmo tempo que fico maravilhada com as observações dela, a forma como ela vê a história e os desenhos, as perguntas curiosas sobre detalhes que para mim, adulta, são tão óbvios e que me passam ao lado, fico pasma com o raciocínio, com os argumentos, com a forma assertiva com que ela fala. 

Eu gosto que ela fale. Eu gosto que ela fale tudo o que pensa, mesmo que eu não goste de ouvir. E não, eu não a "mando" calar ou parar de dizer seja o que for, eu a deixo falar e ouço. É importante incentivarmos as crianças a se expressarem, é importante deixarmos que falem sobre o que sentem. Se lhes dissermos que não podem falar assim com os pais e nos zangarmos, vamos obrigá-los a guardarem o que sentem e aos poucos, simplesmente vão se sentir tão reprimidos a ponto de deixarem de falar. Claro que chegará o momento que teremos que ensinar "como" falar, ensinar a exprimirem o que sentem, seja raiva, frustração, alegria, amor, sempre com respeito, sem gritos, sem palavrões. 

Nesta fase o que vejo é a formação da personalidade dela,  forte, autoconfiante e dona de si e de suas convicções. É aí que vejo também que estou no caminho que quero seguir. Não quero que minha filha diga sim querendo dizer não, apenas para não deixar alguém triste, ou zangado. Quero que ela seja convicta de si e pense sempre na alternativa que ela acredite que vai lhe fazer bem, para não ser uma adulta frustrada, que tem "medo" de dizer não. Claro que em alguns momentos ela será "forçada" pela vida a fazer o que não quer, todos nós passamos por isso nem que seja uma vez. Mas ao menos ela vai crescer sabendo que tem uma escolha, que a resposta não tem que ser sempre sim só porque um adulto "mandou". Quem diz adulto diz um amigo, um parente, um irmão, ou mesmo nós, pais.

Entretanto, neste momento, só sei que eu não posso dizer isso! Hahha!


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Ela pediu e...

Furamos as orelhas! 

Desde que ela nasceu esse tema foi motivo de reflexão dentro de mim...

Eu furei minhas orelhas com 8 ou 9 anos, não sei bem, mas me lembro perfeitamente daquele momento. Naquela época, já não se furava com uma agulha, não... era mais moderno, furava-se com o próprio brinco! Ah, tal como hoje! Só que não. Provavelmente até já existiam as pistolas, não sei, mas as minhas orelhas foram furadas, uma de cada vez, com o próprio brinco, manualmente; e não, tal como hoje, nada de anestesia, só gelo mesmo. Lembro-me como se fosse hoje, um brinco pequenino, dourado com uma pedra rosa escuro. Minhas orelhas foram furadas por uma enfermeira num hospital; lembro-me de estar sentada numa cama ou maca, dela colocar o gelo e fazer o furo. Não me lembro bem da dor, mas lembro que doeu; primeiro uma, depois a outra. Não havia os cuidados que tem hoje, que nos dão um líquido asséptico para lavar durante um tempo, que nos dão instruções de rodar o brinco para não colar, nada. Não me lembro se a minha orelha inflamou, lembro que a da minha irmã, furada no mesmo dia, igual a mim, com um brinco igual só que de cor vermelha, inflamou bastante... hoje em dia tenho 4 furos, mas os últimos só fiz aos 18 anos, já com pistola, numa farmácia.

Tudo isto para quê? Para dizer por que eu pensei tanto em furar ou não as orelhas da Pipoca em bebé. Desde que me lembro, depois desta minha experiência do primeiro furo, eu sempre disse que se tivesse uma filha furaria as suas orelhas em bebé, para que ela não passasse pelo que passei e porque quando crescesse já teria o furo bem cicatrizado. Mas... depois que ela nasceu, aí com cerca de 5 meses começou meu dilema: furo, não furo. Li e reli sobre o assunto, sobre opiniões a favor e contra e principalmente, ouvi meu coração. 

Optei por não furar. Não pelos prós e contras do furo e dos brincos em si. Claro que ia lhe doer, ela ia chorar, mas ia lhe passar e ela nunca se ia lembrar. Mas, pelo respeito que tenho por ela, pelo respeito que tenho pela vontade dela sobre seu próprio corpo. Muita gente pode dizer: ah, ela é criança, ainda não sabe o que quer. Sabe, sabe talvez melhor do que muitos adultos, porque crianças não têm filtros, se querem, querem mesmo e não têm problemas e dizer. Embora eu ache lindo bebes de brincos, esperei pela vontade dela. 

Confesso que pensei que seria mais tarde. Ela tem apenas três anos e cinco meses, eu poderia arrastar e adiar atender ao pedido dela por algum tempo, para ter a certeza. Mas sinceramente, é como eu digo: quando querem, querem mesmo. Ela pediu eu disse que sim e deixei... ela pediu outra e outra vez até que semana passada lhe prometi, como o dedo mindinho, que no fim de semana lhe levaria para furar. Assim foi. 

Mas nos fins de semana nem toda farmácia abre e nem todas fazem furos, muito menos nas duas orelhas ao mesmo tempo. Sim, porque eu não iria arriscar que ela viesse para casa com apenas um furo porque ela não deixou fazer o segundo. Adiei e quase deixei passar mais um tempo, mas ela neste dia depois de acordar do soninho da tarde pôs as mãos nas orelhas e disse: "oh mamã! Não pus brincos!" Eu disse que seria no dia seguinte. 

Pois no domingo fomos dar um passeio, comprar uns sapatos que ela precisava e passamos pelo Fórum Algarve, pois disseram-me que na Claire's furavam as duas ao mesmo tempo. É uma loja cheia de cor, brilhantes e muitos acessórios que, para as meninas vaidosas, é uma perdição! As meninas da Claire's são muito queridas, deixaram a Pipoca tranquila e a mãe também. A Pipoca escolheu seus brincos em um segundo! Mau olhou para o mostruário, ela bateu o olho naqueles e apontou, quase nem tive tempo de dizer: escolhe. Ainda tentei influenciar para ela escolher uns menores, mas rapidamente calei-me e respeitei a escolha dela. 

Sentamos, nos preparamos e pum! Ela tremeu, colocou as mãos nas orelhas e chorou... partiu-me o coração vê-la chorar! Ela teve uma reação tão inesperada ao colocar as mãos nas orelhas, que a parte de trás de um dos brincos não saiu da pistola, e teve que ser posta manualmente... mas sabem, ela é uma valente! Chorou uns instantes e rapidamente já estava novamente a sorrir. Lá escolheu um presente, um colar com pulseira e anel de unicórnio, muito coloridos e uma máscara da Ladybug com uma bandolete (diadema) vermelha de bolinhas...

Passou a tarde bastante dengosa, choramingava por tudo e por nada e de vez em quando lá se lembrava dos brincos e dizia que estava a doer. Dei-lhe umas gotinhas de paracetamol para aliviar a dor e ela passou uma das melhores noites até hoje! Dormiu a noite inteirinha sem acordar, sem sonhar alto, nada! No dia seguinte deixou limpar os brincos e rodá-los, sem qualquer problemas e já dizia que não doía. Estava mesmo vaidosa! 

A mãe... chegou a se arrepender de ter furado quando ela choramingava e dizia que estava a doer, mas sinceramente, no dia seguinte, vendo aquele sorriso, aquela carinha de vaidosa se achando uma princesa linda com aqueles brincos, acho que fiz a escolha certa. A escolha de esperar pela vontade dela, que tornou o momento especial; se furasse em bebe, seria tão natural para ela  ter os brincos que não teria graça nenhuma! 

Estou feliz e ela também, acho que isso é o mais importante... 


terça-feira, 4 de setembro de 2018

A Pipoca dormiu fora!

Ainda não acredito!



Foi assim, de repente, porque se eu fosse pensar provavelmente não tinha acontecido... 

Mãe galinha que sou, toda vez que se falava em deixar a Pipoca dormir seja onde for sem mim, eu negava. Na minha cabeça, era por ela: porque ela ainda acordava muito, porque ainda pede o seu leitinho durante a noite, porque muitas vezes tem pesadelos e principalmente porque sempre que acorda é por mim que chama e para mim é inconcebível que minha filha pense que não estou lá para ela. Essa última parte apercebi-me que não é por ela, no fundo, é por mim; eu que me sinto mal, culpada mesmo por não estar lá quando ela chama por mim... mas se eu pensar bem, sempre que algo lhe corre mal, seja com quem for que ela esteja, durante o dia também é por mim que ela chama e eu quase nunca estou lá. E quer saber? Ela fica bem.

Eu sei que minha Pipoca tem que crescer, tem que "desgarrar" e foi por isso que no sábado ela dormiu fora. Após uma bela tarde de praia com dois ex-coleguinhas da creche ela pede para ir à casa da tia. Lá tem sido a loucura total com a "kima". Chamar para ir embora é como se lhe tivesse batido! Um berreiro que ninguém merece e a meio deste chororô a tia pergunta se quero "experimentar". Naquele momento não pensei muito. Se pensasse não conseguiria dizer que sim. Não vou negar que tentei dar desculpas: "tens a certeza? Olha que vais dormir mal"... "não trouxe o biberão e ela ainda bebe leite à noite". A tia lá me convence: "não faz mal"... "a tia dá um jeito". Ok, não tenho mais argumentos.

Agora vamos falar com a Pipoca, ela tem que saber que eu não vou lá estar e porquê. Entre o pranto e a prima a tentar acalmá-la (que só fazia com que ela ainda chorasse mais) consegui falar com ela. Primeiro perguntei se ela queria dormir na casa da tia e diante da resposta positiva expliquei que a mamã e o papá iriam para casa, que não estariam lá durante a noite e ela dizia sim a tudo. Com meu coração na mão despedi-me. No carro a caminho de casa chorei. Chorei porque no fundo quem precisa "desgarrar" sou eu, no fundo estou eu muito mais dependente dela emocionalmente do que ela de mim. Ela ficou bem. 

O pai ainda perguntou o que íamos fazer, porque poderíamos aproveitar para sair, curtir a noite, namorar ou simplesmente ver um filme no sofá. A mim só me ocorreu dormir. Parece mentira, mas o pai ainda se deitou primeiro porque a mãe ficou no sofá, não tinha sono... Deitei-me perto da meia noite e diferente do que eu pensava, não adormeci logo; não que ficasse a pensar nela, nem se estaria bem, foi uma coisa estranha. Sempre pensei que nesta situação eu dormiria a noite inteira, mas não foi assim, acordei exatamente às mesmas horas que ela costuma acordar para beber o seu "leitinho", pelo menos duas vezes. Acordei as 8:30h da manhã e já não  tinha mais vontade de dormir, fiquei na cama só porque sim até as 9 e pouco. Consegui não ir a correr para ela, embora tivesse um vazio em casa, faltava algo, faltava a Pipoca. Tínhamos que ir ao supermercado comprar coisas para o almoço e o material escolar para o início do ano letivo e aproveitei para fazer isso sem a pequena. Não vou negar que só o fiz porque já tinha falado com a tia e com ela e sabia que estava bem, bem disposta e feliz. 

Sabe quando a gente cria expectativas a respeito da reação de uma pessoa e depois a reação não tem nada a ver? Pois é... eu pensei que assim que me visse ela iria correr para me dar um abraço, tal como faz quando vou buscá-la à escola... mas não. Entrei, ela estava a brincar com uma boneca em um carrinho e a reação dela foi: "olha mamã, o bebé tem dói dói no pé! Olha, olha mamã!" Nem um abracinho, nem um beijinho... sniff! Hahaha! Não, não chorei. Acabei por achar piada pela reação dela e por mim, principalmente. Foi aí mesmo que me apercebi que ela cresceu e que já entende a separação, neste aspecto quem ainda não tinha isto bem presente era eu. 

Depois de cumprimentar todos fui a caminho dela, abracei-a, beijei-a e perguntei se ela tinha gostado de dormir na casa da tia. Ela disse que sim, que gostou... mas perguntou-me: "hoje não vou dormir na casa da tia, não?" "Não filha, hoje vais dormir na nossa casa, na tua cama, com a mamã". "Ok! Mas ainda não é noite, não?"... ela gostou, isso não dá para negar, mas não estava preparada para repetir a dose, pelo menos não logo a seguir. One step at time. 

Como correu a noite então? 

Dormiu de mãos dadas com a prima. A tia depois foi enviando fotos, desde a galhofa com os primos já no quarto até o sono das princesas que acabaram por dividir a cama, se jogando uma por cima da outra, assim à vez. Acordou à mesma hora de sempre, entre a 1:30h e as 2:30h para o leite, que a tia conseguiu dar com palhinha (canudinho) e não acordou à segunda hora que é sempre entre as 5:30h e 6:30h ou pelo menos a tia não se deu conta... 


E assim foi a primeira noite sem a Pipoca, a noite em que a Pipoca dormiu fora!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

2 Anos de Pipoca

Então dia 29/12/2017 a minha Pipoca completou o seu segundo ano de vida!

Eu poderia ficar aqui, a fazer aquela declaração de amor, tal como fiz exatamente há um ano, mas não vou. Seria praticamente transcrever tudo o que escrevi... por isso, o que sinto está tudinho aqui: "E um ano se passou..."

Hoje vou falar do prazer que me deu fazer o bolo para cantar os parabéns na creche. Ano passado eu ainda não sabia fazer bolos! A sério! Todo bolo que eu fazia ficava lindo no forno, mas assim que saía de lá era um total desastre: murchava e ficava tipo mironga, um tipo de pudim. Há alguns meses resolvi pesquisar porque os bolos ficam assim e descobri que tem a ver com a temperatura dos ingredientes e a força com que se bate a massa... daí passei a aquecer os ingredientes que dão para aquecer e a bater a massa no liquidificador (na falta de uma batedeira). Agora faço bolos lindos no forno e fora dele! Por isso mesmo resolvi este ano ser eu a fazer o bolo... 

Inicialmente imaginei fazer um naked cake, mas depois um bichinho foi mexendo comigo e deu-me para decorá-lo. Diga-se de passagem que foram 3 dias a preparar os parabéns na creche, ou melhor, 3 noites! Comecei por fazer biscoitos caseiros. Foi uma ideia para as lembrancinhas, que não podiam faltar. Daí me perguntam: mas por que se dar a tando trabalho? É tão fácil ir ao supermercado e comprar alguns biscoitos, não é? Ou talvez gomas e/ou chocolates! Mas não... gosta de ter trabalho e ficar acordada ate as tantas! 

A verdade é que até hoje não dei chocolate à minha Pipoca. Tudo que ela recebe seja na escola, seja onde for que sejam doces e chocolates eu guardo numa caixa. Continua a ser tudo dela e para ela, mas no momento certo, quanto mais tarde, melhor. Sei que ela já conhece, já sabe o que é e já comeu algumas coisas dessas, nas festas da escola, mas no que toca a mim, faço tudo para evitar. Não sou paranóica, não vou fazer um filme porque alguém deu, mas se me perguntarem, prefiro que não. Então, porque o daria a outras crianças da idade dela? Essa e minha resposta. Mesmo assim ainda adicionei 2 ursinhos de chocolate ao saquinho dos biscoitos, impulso de última hora.

Ao saquinho também adicionei uma puseira que fiz com uma estrelinha pendurada. Dias antes eu tinha um elástico e umas bolinhas cor de rosa e pérolas e fiz uma para a Pipoca e ela, que ainda não tinha usado nada do género adorou! Era um tira e põe no inicio, mas depois a pulseria ficou e a mãozinha dela ainda fica mais linda com ela... então resolvi fazer umas para oferecer aos colegas. O resultado dos saquinhos foi interessante. Foi uma lembrança simples, mas tudo feito com bastante carinho. Só esqueci-me de fazer umas etiquetas, que acabei por escrever à mão mesmo...

E o bolo? Ah pois, o bolo! 
O bolo comecei a fazer por volta das 21:00h, depois de colocar a pequena na cama. Bati a massa, coloquei no forno e adivinhem? Ainda fiz mais alguns biscoitos enquanto o bolo assava. Depois, enquanto esfriava para desenformar, preparei o recheio e fiz mais alguns biscoitos. Depois de frio foi começar o trabalho.


Optei por uma massa simples, a que adicionei baunilha e deu um sabor e um cheirinho delicioso. O recheio foi mais complicado. Sinceramente, não sabia muito bem do que fazer. Lembrei que gosto de recheio de frutas, mas especificamente do ananás ou abacaxi e também gosto de pêssego. Comecei por cozer o ananás com um pouco de calda (fiz com o de lata mesmo) e depois adicionei leite de côco e leite condensado e por último pêssegos, tudo cortado bem pequenino. Até não ficou mau. Aproveitei para cobrir também, assim tinha com o que "colar" a pasta de açúcar.

Eu nunca tinha trabalhado com a tal pasta de açúcar, a moda do momento para decoração de bolos. Mas resolvi comprar uma para experimentar. Não dava para cobrir o bolo todo, então tive que inventar. No meu tempo de criança usava-se glacê, feito com claras de ovo, manteiga e açucar, acho eu ou só manteiga e açucar, algumas vezes usava-se leite em pó também. Com isto, não dava para fazer muita coisa, a pasta era pouca e o bolo ficou maior do que eu pensava que ia ficar, então tive que inventar e o resultado foi um bolo delicado, embora se note que foi feita por uma amadora... 

Adorei o resultado! Confesso que gostaria de ter feito mais, uns bonecos em cima, uma coisa mais bem elaborada, mas foi o que saiu! 

Depois de feito o bolo e frios os biscoitos foi hora de empacotar as lembranças... o bolo ficou pronto exatamente à meia noite e depois foi uma maratona de uma hora e meia até deixar tudo pronto. Depois foi hora de um banho/duche muito rápido e ir deitar, porque as 7:00h já teria que me levantar... Foi uma noite complicada. A Pipoca dormiu mal, e o meu dia foi bem "pesado" por assim dizer. Mas digo uma coisa: faria tudo outra vez... 

Vê-se na minha cara o meu cansaço. Mas vê-se também a minha felicidade em proporcionar aquele bocadinho à minha Pipoca. Na creche ela é a última a fazer anos; as festas começam em outubro e vão até o fim do ano, terminando com ela. Imagino se cada vez que se cantava os parabéns a um colega ela pensava quando seria o dela, ou se isso é coisa de gente mais velha. No entanto, levamos a semana toda a dizer-lhe que sexta-feira era os parabéns dela e ela ficava sempre muito contente. Perguntávamos: "quem é que faz parabens sexta-feira?" e a resposa era: "a menina", "e quem é a menina?" ela apontava para ela própria e dizia: "eu". Na realidade essa é a resposta dela para tudo que lhe perguntamos em relação a ela própria... chega a ser cómico.

Enfim, este ano não houve festa, por assim dizer, houve o parabéns na creche e só. Até queria fazer um jantar só para a família, mas os tios e a prima estavam um bocado gripados e optamos por adiar até o próximo ano. Mas realmente faz mais sentido. O jantar seria para nós, pais, porque ela iria ficar cheia de sono, rabujenta, sem saber ao certo o que se passava. Assim no próximo ano ela terá mais noção do que é uma festa e acho que aproveitará mais. 

Agora... não, eu não consigo fechar essa mensagem sem dizer o quanto estou maravilhada com estes dois anos de Pipoca. Ela está na fase das birras sim, mas sinceramente, eu nem acho que ela faça assim tantas! Já vi crianças muito mais velhas fazerem pior. Ela está é numa fase deliciosa em que cada dia mostra uma façanha diferente. Cada dia uma ação, uma brincadeira, um gesto, uma palavra. Só eu sei o que me delicio dos momentos que passo com ela, que infelizmente não são assim tantos como eu gostaria. Ainda não sei o que é dormir a noite inteira. Ela dormiu uma quando completou os 23 meses, mas foi só essa. Ainda pede o leite à noite, ainda se destapa, ainda molha muito a fralda. Mas acaba por ser mais um bocadinho de tempo que aproveito para lhe dar um beijinho, para lhe acariciar o cabelo, para segurar na sua mãozinha, para olhar para ela. 

Acredito que cada ano irei dizer o mesmo, o quanto aprendi, o quanto o amor cresceu, o quanto eu mudei e o quanto ela mudou. Não quero me tornar repetitiva, mas não sei me expressar de outra forma... 

Só sei que são 2 anos do melhor de mim... 

PARABÉNS meu pedacinho de mim! 

Contando segredos para o pai... a última novidade!








Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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