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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Uma flor para o senhor.

Quando digo que quero que minha filha seja gentil e espalhe amor não estou a falar da boca para fora. Estou a dar uma educação com amor. Não, não estou a criar uma menina mimada, estou a educar minha filha para ser melhor que eu. Ela tem superado minhas expectativas.

Acho que já mencionei aqui que não gosto muito de vê-la arrancar flores. Gosto de flores vivas, gosto de ver jardins floridos, mas ela aprendeu e não foi comigo. À parte disto, ontem estávamos a passear por um jardim com os avós e ela se lembra de colher uma flor, daquelas amarelas que nascem sozinhas em quase todo lugar. Colheu uma para a avó, que lhe dizia para não apanha, mas que ela no seu mundinho não conseguia ouvir. Uma para a mamã. Depois foi a vez do papá e por último o avô. O avô era o último e iríamos embora... pensávamos nós.

Ela fez que ia, parou, olhou para trás e voltou para apanhar mais uma flor. "Já chega, filha, já todos têm uma flor", dizia eu. "Não apanhes mais", dizia a avó. "Vamos embora, dizia o avô". Anda filha, vamos passear mais" dizia o pai. Mas ela voltou e apanhou mais uma flor. É para o senhor...

O senhor estava sentado num banco do jardim com a esposa, olhando para o rio, devia ter a idade do avô, já com cabelos e barba brancos. Ela se aproximou, ele não a estava a ver e conversava com a mulher. Ela tocou-lhe no braço, como quem diz "olha para mim", entregou-lhe a flor e foi-se embora.
O senhor riu-se, agradeceu mesmo depois dela ter virado as costas.

Ela com certeza vai ficar na memória daquele senhor, talvez como a "menina da flor", não sei. Mas acho que é quase impossível esquecer alguém que tenha para conosco um gesto destes, ainda mais sendo uma criança. 

A cada dia que passa minha filha me surpreende mais e tem sido sempre pela positiva. Ela é gentil, é educada, é carismática. Também é mandona, tem personalidade forte, chora, grita, esperneia, mais na maior parte do tempo é uma menina doce que encanta...

Só tenho uma palavra para dizer tudo o que sinto em relação a ela: ORGULHO ao mais alto nível... ela está a espalhar o amor que o mundo precisa! <3


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Eu portei bem!

Novo argumento lá de casa: "eu porto bem"!

O que me tenho rido com os argumentos que a Pipoca tem! Dessa vez foi porque queria o telemóvel do pai. Estava ela de sanita quando se lembra de dizer: "mamã, o papá não empresta o telefone", "o papá não diz não" (é como ela disse que alguém disse não), "mas eu até portei bem hoje, eu portei bem!" Lendo assim não parece nada demais... mas se vissem a cara dela e os gestos que fazia com a mão, iam rolar no chão de rir! 

O pai entra na casa de banho e ela continua: "papá, porque não empresta o telefone a mim? Eu portei bem"... oh que coisa mais gostosa de se ver! O raciocínio então, é brutal! 

Estou cada dia mais encantada com a evolução, o desenvolvimento dela. Super independente, já não precisa ou quer ajuda para quase nada, carrega a sua cadeirinha para todo o lado para apanhar as coisas no alto, para lavar as mãos, para fazer coisas que os pais não estão à espera... 

No fim de semana teve visita de uma amiga um pouco mais nova que ela. Enquanto eu fazia o almoço ela no balcão da cozinha com a sua cadeirinha e uma faca redonda de criança apoderou-se do frasco de azeitonas pretas e uma folha de massa de lazanha que serviu de tábua; cortava as azeitonas a meio, comia metade e ia oferecer a outra metade à amiga: "toma minha aiga, toma"... 

Ontem queria ajudar-me a cortar já não me lembro o que e o pai disse que não podia, que ela não pode cortar porque ela ainda é pequenina. Ela muito inconformada só dizia: "mas eu cortou azeitona para minha aiga, eu cortou"... 

Ah! E ontem também me disse, quando lhe fui buscar a escola que a Fulana já não é má... ufa! Que alívio! 

Tentamos reproduzir o que ela disse na sala depois, não teve a mesma piada porque tivemos que puxar por ela, não foi tão espontâneo, mas mesmo assim não deixa te ter a sua graça! 



terça-feira, 5 de junho de 2018

Ela precisa gritar tanto?

Essa foi a pergunta que o pai me fez ontem. Não respondi de imediato.



A Pipoca adora encenar os vídeos que vê no youtube - sim, a minha filha já anda no youtube, não me julguem. Ela costuma ver vídeos com a música dos dedos ensinando as cores, vídeos de bebes a aprenderem a lavar os dentes e a tomar banho e vê os vídeos com a música "Jonny, Jonny, _yes papa" que são muito educativos e a meio destes aparecem uns com crianças a brincar em parques, a correr e a gritar, fazendo coisas de crianças. Ela encena-os  todos... comigo gosta muito do "Jonny, Jonny", ela faz a parte do papá e eu a do bebé, também costuma me colocar coisas nos dedos para cantar a música da família dos dedos com as cores e em inglês. Crianças são esponjas e aprendem tudo, imitam tudo...

Ontem estava a dar-lhe banho, ela estava já com algum sono e fazia de tudo para espantá-lo. Uma das coisas que fazia era gritar. Mas não era gritar só porque sim, ela parecia eufórica nos seus pensamentos, na sua imaginação, dava para ver que estava a imitar as crianças dos vídeos. Brincava sozinha na banheira, ela e sua imaginação, enquanto eu apenas olhava, apenas admirava, apenas me apaixonava mais, encantava-me mais a ver como ela se desenvolveu, como ela cresceu e como o tempo é cruel conosco, passa rápido demais. Eu não "ouvia" os gritos, eu ouvia apenas uma criança a ser criança, uma criança feliz...

O pai veio ter comigo: "_não ouviste o que perguntei? Ela precisa gritar tanto?" "_Ouvi, respondi eu". "_Então?" 

Eu parei um segundo, acordei daquele meu estado de admiração e encantamento, olhei para ele e respondi: "_não, ela não precisa gritar tanto. Mas crianças gritam, crianças falam alto, crianças felizes gritam ainda mais. Ela está apenas a ser o que é: feliz"... Ele muito resignado, num tom irónico apenas me diz: "_Ok, com essa resposta já não digo mais nada". Eu na minha santa paciência no próximo grito que ela deu apenas falei-lhe baixinho: "_filha, já chega de gritos, está bem?". Ela acalmou e foi brincar com o seu "Mica" (um boneco do Mickey), claro que de vez em quando cantava alto ou soltava um gritinho... não dá para evitar.

A atitude do pai face aos gritos da Pipoca deu-me que pensar, porque eu percebi que ele reprovava o facto de eu deixá-la gritar, estando eu mesmo ao lado dela. Da mesma forma que ele, a maioria das pessoas é assim. A maioria das pessoas não compreende e deve ter uma memória muito curta, pois já se esqueceu do que é ser criança. Ou a maioria foi podada, passava a vida a ser repreendida uma infância inteira a ouvir não grita, não sobe, não mexe, não, não, não... Puxa vida! Se minha filha não pode ser ela mesma, criança feliz dentro da própria casa, onde há de ser? 

Basta passarmos em frente a uma escola na hora do recreio para percebermos que crianças quando estão felizes e contentes gritam. Nós adultos, quando estamos numa roda de amigos, numa festa, com colegas de trabalho, ou basta apenas termos uma boa notícia que ficamos eufóricos e sem nos apercebermos começamos a falar alto, a atropelarmo-nos uns aos outros, um querendo falar mais e mais alto. Às vezes gritamos também... 

Há muito boa gente que me vai criticar. Vai dizer que isso é "mimimi" e que estou a criar um monstrinho, que sou uma mãe "Nutella" seja lá o que isso quer dizer; deve ser bom né, porque Nutella é difícil alguém que não goste! Mas é claro que a minha filha não anda sempre aos gritos e não é em todo o lugar, óbvio que há lugares em que eu digo para ela se acalmar, que lhe chamo à atenção e apesar de fazer uma carinha de decepcionada ela atende ao que eu lhe peço. Não nos esqueçamos entretanto que se trata de uma menina de dois anos e cinco meses, que está em pleno desenvolvimento e tem muita energia para gastar... mas essa fase vai passar. 

Vai chegar o tempo que vamos desejar que ela diga uma palavra, que ela solte um berro, que ela faça barulho. Haverá um tempo em que vamos suspirar de saudade de ter a casa barulhenta cheia de brinquedos espalhados. Haverá um tempo que vamos esperar ansiosos por ouvir a sua voz através de um telefonema, mais não seja para dizer que está bem mas não tem tempo para falarmos... Haverá um tempo, há um tempo para tudo... 


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Rejeita o pai, o que fazer?

Este é um tema difícil. Difícil de falar sobre e ainda mais difícil lidar com a situação. Dói à mãe, dói ainda mais ao pai. Sempre que falo com alguém sobre o assunto até me vêm as lágrimas aos olhos. Eu sei que pode ser apenas mais uma fase e vai passar, mas custa muito...

Desde que ficou doente, no início da semana passada que a Pipoca mudou o seu comportamento com o pai. Foi a semana em que o pai começou no trabalho novo e uma semana que a mãe tirou de férias antes de começar também no novo emprego, então foi a mãe a ficar com ela em casa. Mas até aí novidade nenhuma, pois por norma tem sido assim, raras exceções. A novidade é que desde então ela deixou de aceitar tudo que venha ou seja relacionado ao pai.

Beijos, esquece lá isto, ele leva logo com um NÃO bem vincado e se insistir com tapas na cara. Abraços, esperneia e grita como se lhe estivesse a bater. Até olhar não pode. Se encosta em mim ou apanha algo meu, como por exemplo o telefone, ela lhe tira das mãos e vem dar-me. Muitas vezes no fim de semana ele se levantava e ficava na sala com ela ou iam ao supermercado, ao parque para eu descansar, mas agora ela nem aceita que ele lhe vista e quando fala em ir à rua ela diz logo que não, o que acaba por ser uma raridade, ela adora sair de casa. 

Ontem foi a festa de Natal da creche e estavam lá muitos pais com seus filhos ao colo. Ela só queria o meu... eu insistia e dizia para ela ir ao pai, mas ela fazia aquela birra, se jogava ao chão e chorava de sair lágrimas. O pai, coitado, nem usufruiu da festa, limitou-se a encostar em um canto, triste, muito triste. 

Aquela cena cortou-me o coração e quanto mais eu fazia para ela ir ao pai, mais ela dizia não e chorava. Ele dizia para eu não insistir, mas eu não conseguia não fazer nada! Fiquei a pensar se seria igual se eu não estivesse ali. Muito provavelmente não. 

O que eu faço? 

Será que devo me afastar da minha filha para que ela se aproxime do pai? Como é que consigo fazer isso? Que mãe consegue dar as costas ao filho quando este chama por ela, quando pede colo, quando pede um miminho? Eu não sou capaz.

Só sei que não sei o que fazer e o pai menos ainda. Ele de manhã vai ao seu encontro no quarto para lhe dar um beijo antes de ir trabalhar e leva com um não e ela parece ser possuída por uma "síndrome de burro",  aos coices para todo o lado. 

Que fase triste! 

E eu ando morta, pois ela só me quer a mim, é colo para tudo, até ficar na creche tem sido mais difícil, embora aí eu entenda, pois ao começar no trabalho novo, ao invés de ela ficar menos tempo na creche acaba ficando mais uma hora. Uma horinha que de manhã brincávamos juntas agora é na escola e ela deve estar a ressentir...

Será que devo ir a um psicólogo com ela em tão tenra idade? 

Espero bem que não... vou incentivar o pai a levá-la a sair sozinhos no fim de semana, vamos ver como corre... espero mesmo que bem.

Que fase triste!




sexta-feira, 21 de julho de 2017

Já faz arte!

Quem nunca ouviu dizer que quando se tem uma criança em casa, acordada, e há silencio, é melhor ir ver que tem "arte"?

Pois, é mesmo verdade!! 

Minha pipoca já começa a aprontar as suas... há dias eu estava na cozinha a fazer já não me lembro o que e pensei que ela estava na sala a brincar no seu cantinho. Vou à casa de banho e o que eu encontro? Isto: 
Quase não me contive, ao mesmo tempo que fiquei irritada por dentro, não conseguia parar de rir por fora... O papel higiénico dentro da sanita! Irritada porque está a estragar o papel higiénico e rindo por dentro porque no final o que ela faz é nada mais do que imitar os pais... claro que do jeitinho dela!

Há um mês a arte foi feita no chão, com giz de cera... estava tão concentrada!! A minha sorte é que não se lembrou de riscar paredes. Ficou pelo frigorífico, armários da cozinha e da casa de banho e principalmente o chão... isto é que foi mesmo obra de arte!

Sempre vi vídeos na Internet das "artes" das crianças, olhava para aquelas perninhas gordinhas de fralda e dizia: isso não podem ser eles a fazerem! Ah... pois é! Eles são capazes de coisas que nem sonhamos! Até me faz pensar, será que também fomos assim? 



Brincar com a pilha de brinquedos que tem não brinca, mas com a caixinha de artesanato da mãe e com as vasilhas de plástico no armário da cozinha, isto sim é divertido! Com direito a assento e tudo! Qual brinquedo qual quê! Os brinquedos já têm uma função definida, com isto tudo há que soltar a imaginação!


Eu até acho piada, apesar do trabalho que tenho depois, porque faz parte do crescimento dela. É a sua parte exploradora, curiosa a entrar em ação. Confesso que quando vejo nem me chateio, às vezes aproveito que está entretida e vou fazer comida ou passar a roupa, que parece multiplicar de dia para dia em cima da mesa. No dia que derrubou a caixa de artes mesmo, eu estava passando roupa, só me apercebi pelo barulho que a caixa fez. Na verdade nem fazia ideia que ela já conseguia abrir a porta daquele móvel. Olhei, respirei fundo e voltei ao que estava a fazer... 

Claro que estas artes que ela está a fazer agora não são nada se comparadas com os tais vídeos que já vi... não sei se algum dia ela chegará lá, espero bem que não!

Mas digam lá, é para não rir?



Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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