quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Último dia de creche :(


Nunca imaginei que seria tão difícil! 


A sério, todos sabemos que o primeiro dia de creche é complicado, ainda mais para mães de primeira viagem. Mas eu não imaginava que o último dia doía tanto às mães como o primeiro, por motivos completamente opostos e ao mesmo tempo tão iguais. 

Opostos porque já conheço as pessoas a quem entreguei minha Pipoca por mais de dois anos. São pessoas por quem adquiri carinho, admiração, gratidão e principalmente confiança. Meu desejo é que essas pessoas pudessem continuar a educar, a cuidar e a acarinhar a minha Pipoca. Saber que já não serão elas, que a Pipoca já não terá aquela atenção, aqueles momentos de "estrafego", de loucura, de atenção é um sentimento de perda bastante complexo. Ao mesmo tempo é igual porque ela vai para outra escola, ela vai para a pré-escola, tudo novo: ambiente novo, educadora e auxiliares novas, colegas novos. É um começar de novo. É aquele misto de orgulho porque ela está crescendo, está vivenciando experiências novas que vão ser cruciais para o seu desenvolvimento mas também de receio; receio do que virá, de como a vão tratar, de como ela vai reagir, de não se adaptar...

Sei que ela tem que que fazer essa transição, é inevitável, e que não a posso colocar numa redoma de vidro. Ela vai sobreviver... talvez se saia melhor do que eu imagino. Sabe aquelas preocupações de mãe? Se vão gritar com ela, se vão obrigá-la a comer, se vão lhe dar miminhos... sei que numa creche é diferente, a coisa agora é a sério! Sei que passando de uma sala com 15 crianças para uma de 25 é normal que a atenção não seja a mesma, mas cá no fundo desejo que ela tenha pelo menos um pouquinho do que tinha... 

Como é que se diz a uma criança com dois anos e oito meses incompletos que a partir de hoje já não vai mais ver a educadora e a auxiliar de quem ela tanto gosta? Como é que explico que não vai mais ver os amigos? Que vai passar quase 10 horas num lugar completamente novo com pessoas estranhas? Claro que falar eu falo, e ela diz sim a tudo, mas até que ponto ela entende realmente? As pessoas me dizem: "eles se adaptam rápido". Ok, é verdade. Mas o fato de se adaptarem rápido não significa que não sintam, que não sofram. Pior, muito provavelmente em silêncio, dando sinais que nem sempre conseguimos ver. Há os que podemos conseguir identificar, tais como: aumento dos pesadelos, voltar a fazer xixi na cama ou na roupa, se já não usavam a chucha podem voltar a pedir ou agarrar-se a algum objeto em que sintam conforto, podem recusar ir à escola... tanta coisa pode acontecer! Mas esses conseguimos ver e talvez seja possível acalmá-los e ajudá-los psicologicamente desde o início... então, mas e o que não vemos? Ai ai! 

Sei que sou a drama queen no que toca à minha Pipoca... 

Ontem despedimo-nos. Foi só um até breve, mas com sabor a adeus. Parafraseando a música da Ana Carolina: "minha garganta estranha (...) sinto um desejo louco de gritar". Foi mais ou menos isso... As lágrimas foram inevitáveis e o sabor amargo da despedida ficou até chegarmos à casa. À noite ainda me apetecia chorar... 

Tenho entretanto só a agradecer:

À educadora Sofia Rodrigues, o amor em pessoa. Quando no início do primeiro ano da Pipoca na creche disseram-me que iam mudar de educadora, eu só pensava: desde que trate bem a minha Pipoca, está tudo bem. Como esteve bem! Esteve melhor do que bem! A Sofia foi muito mais que uma educadora, foi uma mãezona para aquela criançada! Nela consegui ver amor à profissão, dedicação ao mais alto nível.  

À auxiliar Carmen Casimiro, que esteve com ela desde o primeiro dia no berçário, por quem a Pipoca era completamente apaixonada e de quem eu vi afeto verdadeiro... fiquei  com pena quando a Carmen foi de licença de maternidade a meio do ano letivo, porque ela é uma querida... 

Entretanto, fomos presenteados com a Ana Rita, a quem também agradeço do fundo do coração. Boa disposição sempre, loucura ao mais alto nível, tudo o que a Pipoca sempre adorou! Foi amor instantâneo, porque a Pipoca até dormindo falava na Ana... é aquele tipo de pessoa que é impossível não gostar, porque arrancam as mais deliciosas gargalhadas dos pequenos...


Obrigada minhas queridas, de todo o meu coração... serei eternamente grata pela dedicação e carinho com minha filhota. Obrigada pelo vosso empenho em proporcionar momentos de alegria, de diversão e boa disposição, de disciplina também. Por lhe ensinarem com amor e não com autoritarismo. Por respeitarem o tempo dela, a personalidade dela e por lhe respeitarem enquanto ser individual.


Ontem foi um dia triste sim, mas de muita gratidão acima de tudo. 
Hoje é uma pausa a meio da leitura da vida, a Pipoca está de férias com o pai.
Amanhã (salvo seja, daqui 10 dias), começaremos um novo capítulo: o pré-escolar...


Novas aventuras virão, novas aprendizagens, novos amigos... mas nunca esqueceremos os primeiros! Ah! Os primeiros vão ficar guardados, mais não seja nas fotografias, para um dia recordar... sei que ela não se vai lembrar, mas eu com certeza não irei esquecer!

Assim como não vou esquecer essa despedida com gosto amargo do último dia de creche...


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