segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Trancada dentro do carro!

Não ganhei para o susto!

Desde que a Pipoca nasceu não me lembro de ter tanto medo como tive hoje... uma simples brincadeira que fazemos todos os dias transformou-se num pesadelo, felizmente apenas para mim...

Ela está numa fase linda, fala de tudo e tem uma grande imaginação... passamos horas brincando, dando vida ao que vai naquela cabecinha. Todos os dias quando saímos da creche ficamos cerca de  15 a 20 minutos brincando na rua. Ultimamente representamos um episódio do desenho da "Dora a exploradora", em que o macaco boots come uma banana enfeitiçada pela "xuta" (bruxa) e vira o belo adormecido. Cada vez uma de nós é a bruxa e a outra o Boots e a chave do carro é a banana. Num destes momentos ela como Boots apertou o botão e trancou o carro. Lembro-me de ouvir o fecho e até fazer um ar surpreso para ela rir mas nem pensei em destrancar. Continuamos na brincadeira até que consegui convence-la a ir para a cadeira para irmos para casa.

Tenho por hábito abrir a porta dela e mandar a chave para o banco da frente, para ter as mãos livres para fechar o cinto. Depois fecho a porta dela, penso que com a maioria dos pais fazem. Só quando fui abrir a minha porta me dei conta que não tinha destrancado o carro. Meu coração na hora disparou, gelei e no desespero ainda tentei abrir todas as portas, incluindo a bagageira... claro que não consegui. Telefone, na mala dentro do carro. Chaves, no banco da frente. Pipoca, sentada e com o cinto atado, presa na cadeira. Mãe, do lado de fora desesperada. Só me ocorreu que teria que partir um vidro, mas olhava a volta e não conseguia ver nada para usar. Corri para dentro da creche e pedi ajuda, pois eu estava completamente desesperada. Estavam 31º graus na rua, carro todo fechado, eu só pensava no calor que estava dentro do carro, apesar de estar na sombra e que não podia demorar a abri-lo, porque ela não ia ficar calma muito tempo. Elas me acalmaram um pouco, olhavam pela janela da frente, porque ainda por cima o vidro de trás é escuro e não se ve na da lá dentro. Só me diziam: ela está bem disposta e brincavam com ela para ela se distrair. Falou-se em mandar vir um mecânico, mas na minha cabeça só ia: vai demorar... até que perguntaram sobre outra chave e ligamos ao pai.

Quando as coisas tem que acontecer, acontecem mesmo! O pai tinha pensado ir correr, mas por acaso se entreteve no computador; não gosta de atender chamadas de números desconhecidos, atendeu ao 3.º toque. Levou 6 minutos de casa até a creche, no transito terrível do Algarve em Agosto. Os seis minutos que ele demorou para mim duraram uma hora... Eu só pensava: se ela começa a chorar eu parto o vidro, porque não vou aguentar...

Felizmente ela encontrou uma chucha perdida no carro e estava calma, embora já começasse a querer tirar o cinto, momento em que eu só desejava que o pai chegasse, porque a via começando a não achar piada no que estava a acontecer. Por sorte ainda, hoje ela derramou água na blusa e pediu para tirar e como estava muito calor, tirei... imagina! Dentro do carro fechado, naquelas cadeiras quentes... o corpinho dela devia estar desejando sair dali...

Tudo acabou bem, mas poderia ter sido muito diferente. Aprendi uma grande lição: com as crianças todo o cuidado é pouco... atenção redobrada de agora para frente! Nada que já não soubesse, mas está tudo bem enquanto só acontece aos outros...

Coração de mãe deve ser muito forte viu, porque não sei como não infartei!

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