Quando escrevi o texto "desculpa filha, mas eu não posso ficar", estávamos a passar por uma fase muito parecida. A Pipoca anda cansada, talvez precise de férias, talvez precise de uma mudança, talvez só precise de mais atenção... a verdade é que há cerca de 2 semanas ela não quer ir à escola. Todos os dias a primeira coisa que pergunta quando acorda é "hoje não vou à escola, não?". Se a resposta é sim, está o choro instalado.
Há alguns dias tive que lhe tirar o pijama à força, pois já não tive argumentos para a convencer a vestir-se. No dia seguinte, vestiu-se a chorar, mas vestiu... entretanto, a educadora a recebeu no colo e ela encostou a cabeça no seu peito e segurou o choro, fez-se de forte, escondendo o rosto para eu não ver, para os colegas não verem que ela queria chorar; foi uma facada no meu peito e saí dali eu também a segurar meu choro. No fim do dia quando o pai a foi buscar disse-lhe que "a mamã me deixou sozinha"... Neste mesmo dia chegou em casa com um herpes no lábio superior, terá sido do stress, do nervoso? Não tenho a certeza, nunca vou ter. Durante várias noites seguidas, xixi na cama... terá relação? Talvez.
Nos dias que o herpes estava ativo não a pude levar para a escola e ela foi para o trabalho comigo. Felizmente neste momento existe essa possibilidade, embora seja muito complicado porque ela ainda exige atenção, quer brincar, quer mexer e a mãe acaba por não trabalhar. Ela continuava a perguntar se não ia para a escola e como não ia, ficava feliz e cooperava sempre. Mas o herpes acabou, a mãe tem que trabalhar, ela teve que voltar à escola e tem sido um drama todas as manhãs. Um dia acorda, põe a mão na testa e diz que está doente, que não pode ir à escola. Outro dia apenas diz que não quer e chora. Eu pergunto por quê, ela diz que não sabe. Eu insisto... ela diz que não gosta da sopa, outro dia diz que não gosta da fulana. O que sei é que tem sido uma tortura sentimental para mim deixá-la na escola todos os dias e o que não sei é o que está acontecendo com ela, nem o que ela está sentindo, porque ela não sabe. Eu acredito que não saiba mesmo, eu própria tenho sentimentos que não sei o que são ou o porquê deles, quanto mais ela...
Hoje o drama foi maior e eu não me aguentei e chorei, chorei na frente dela e ela chorou comigo.
Deu-lhe um acesso de fúria tal que agarrou no vestido que eu lhe ia vestir, começou a bater nas coisas e a jogar tudo para o chão. Não lhe repreendi, apenas entendi; apenas lhe pedi para acalmar, pois teríamos que arrumar tudo depois. Ela deitou-se no chão e ali ficou... eu abracei-a, pedi-lhe desculpas por ela estar a sentir-se assim e chorei. Ela sentiu a minha dor, ela perguntou se eu estava triste e por quê. Eu disse-lhe que estava triste porque não podia ficar com ela em casa, porque eu tinha que a levar para a escola e eu vi, ela muito séria, a olhar para mim com um olhar conivente, a deixar rolar duas lágrimas, num choro calado.
Enxuguei-lhe as lágrimas e não contive as minhas...
Levantei-me, recompus-me e sugeri-lhe levarmos umas bolachas para os amigos da escola. Inicialmente a resposta foi não, mas com jeitinho ela acedeu e lá consegui vestir-lhe, pentear-lhe e calçar-lhe. Ela se pintou, à sua maneira e fomos para a escola onde ela ficou, bem, espero eu.
Nestes últimos dias ando com o coração na boca, nas mãos ou talvez fora do peito... não sei o que faça. Se me aguente, pois provavelmente é só uma fase e continue arranjando estratégias para convencê-la a ir para a escola ou se tente arranjar alternativas para ela estar em casa neste restinho de ano letivo. A verdade é que tenho receio de me precipitar e tomar decisões que a prejudiquem mais tarde, seja uma ou outra e lá vou eu dia após dia...
Nesta fase ela praticamente não come nada, nem mesmo o que gosta. Sei que é apenas uma fase, mais uma fase; eu também tenho fases em que não tenho apetite, até aí, nada de anormal. O que me incomoda é o todo... ela que sempre foi uma menina doce, cooperativa, compreensiva, ultimamente está agressiva e irritada, chorando por tudo e por nada.
Há quem diga que devo relevar o choro, que não devo sobrevalorizar o que ela diz, porque ela já sabe "jogar" com meus sentimentos. Há quem diga que devo seguir meu coração, meus instintos, que se ela está assim alguma coisa está mal. Há ainda quem diga que vivo a maternidade muito à flor da pele e que devo relaxar... mas a verdade é que quando se trata da minha Pipoca, se sinto que ela não está bem, eu não consigo relaxar; e neste caso também não sei o que fazer. O pai diz que me apoia nas minhas decisões, sejam elas quais forem, porque infelizmente ele não pode viver nem ver o drama de todos os dias de manhã, uma vez que sai todos os dias muito cedo de casa, embora veja as coisas noutras perspectivas.
Espero, desejo, nem sei que palavra usar, que essa "fase difícil" passe logo e que eu tenha sabedoria para tomar as decisões mais acertadas para bem dela, que para mim é o mais importante de tudo. Eu sei que muita gente vai dizer que eu não sou uma super mulher, que não vale a pena porque mais tarde eles não dão valor e blá blá blá. Eu apenas digo que ela não pediu para nascer e é minha obrigação zelar pelo bem dela, fazer o melhor por e para ela e que não tenho o direito de exigir nada em troca. Eu acredito que amor com amor se paga e se ela crescer sentindo que eu estou aqui para ela, sempre e em qualquer situação, ela saberá retribuir. E se não, pelo menos eu terei a minha consciência tranquila, porque saberei que dei tudo de mim pelo melhor de mim, que é ela...
Hoje o drama foi maior e eu não me aguentei e chorei, chorei na frente dela e ela chorou comigo.
Deu-lhe um acesso de fúria tal que agarrou no vestido que eu lhe ia vestir, começou a bater nas coisas e a jogar tudo para o chão. Não lhe repreendi, apenas entendi; apenas lhe pedi para acalmar, pois teríamos que arrumar tudo depois. Ela deitou-se no chão e ali ficou... eu abracei-a, pedi-lhe desculpas por ela estar a sentir-se assim e chorei. Ela sentiu a minha dor, ela perguntou se eu estava triste e por quê. Eu disse-lhe que estava triste porque não podia ficar com ela em casa, porque eu tinha que a levar para a escola e eu vi, ela muito séria, a olhar para mim com um olhar conivente, a deixar rolar duas lágrimas, num choro calado.
Enxuguei-lhe as lágrimas e não contive as minhas...
Levantei-me, recompus-me e sugeri-lhe levarmos umas bolachas para os amigos da escola. Inicialmente a resposta foi não, mas com jeitinho ela acedeu e lá consegui vestir-lhe, pentear-lhe e calçar-lhe. Ela se pintou, à sua maneira e fomos para a escola onde ela ficou, bem, espero eu.
Nestes últimos dias ando com o coração na boca, nas mãos ou talvez fora do peito... não sei o que faça. Se me aguente, pois provavelmente é só uma fase e continue arranjando estratégias para convencê-la a ir para a escola ou se tente arranjar alternativas para ela estar em casa neste restinho de ano letivo. A verdade é que tenho receio de me precipitar e tomar decisões que a prejudiquem mais tarde, seja uma ou outra e lá vou eu dia após dia...
Nesta fase ela praticamente não come nada, nem mesmo o que gosta. Sei que é apenas uma fase, mais uma fase; eu também tenho fases em que não tenho apetite, até aí, nada de anormal. O que me incomoda é o todo... ela que sempre foi uma menina doce, cooperativa, compreensiva, ultimamente está agressiva e irritada, chorando por tudo e por nada.
Há quem diga que devo relevar o choro, que não devo sobrevalorizar o que ela diz, porque ela já sabe "jogar" com meus sentimentos. Há quem diga que devo seguir meu coração, meus instintos, que se ela está assim alguma coisa está mal. Há ainda quem diga que vivo a maternidade muito à flor da pele e que devo relaxar... mas a verdade é que quando se trata da minha Pipoca, se sinto que ela não está bem, eu não consigo relaxar; e neste caso também não sei o que fazer. O pai diz que me apoia nas minhas decisões, sejam elas quais forem, porque infelizmente ele não pode viver nem ver o drama de todos os dias de manhã, uma vez que sai todos os dias muito cedo de casa, embora veja as coisas noutras perspectivas.
Espero, desejo, nem sei que palavra usar, que essa "fase difícil" passe logo e que eu tenha sabedoria para tomar as decisões mais acertadas para bem dela, que para mim é o mais importante de tudo. Eu sei que muita gente vai dizer que eu não sou uma super mulher, que não vale a pena porque mais tarde eles não dão valor e blá blá blá. Eu apenas digo que ela não pediu para nascer e é minha obrigação zelar pelo bem dela, fazer o melhor por e para ela e que não tenho o direito de exigir nada em troca. Eu acredito que amor com amor se paga e se ela crescer sentindo que eu estou aqui para ela, sempre e em qualquer situação, ela saberá retribuir. E se não, pelo menos eu terei a minha consciência tranquila, porque saberei que dei tudo de mim pelo melhor de mim, que é ela...
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