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quinta-feira, 27 de junho de 2019

Hoje eu chorei...

Não consegui me conter. Doeu e continua doendo. 

Quando escrevi o texto "desculpa filha, mas eu não posso ficar", estávamos a passar por uma fase muito parecida. A Pipoca anda cansada, talvez precise de férias, talvez precise de uma mudança, talvez só precise de mais atenção... a verdade é que há cerca de 2 semanas ela não quer ir à escola. Todos os dias a primeira coisa que pergunta quando acorda é "hoje não vou à escola, não?". Se a resposta é sim, está o choro instalado. 

Há alguns dias tive que lhe tirar o pijama à força, pois já não tive argumentos para a convencer a vestir-se. No dia seguinte, vestiu-se a chorar, mas vestiu... entretanto, a educadora a recebeu no colo e ela encostou a cabeça no seu peito e segurou o choro, fez-se de forte, escondendo o rosto para eu não ver, para os colegas não verem que ela queria chorar; foi uma facada no meu peito e saí dali eu também a segurar meu choro. No fim do dia quando o pai a foi buscar disse-lhe que "a mamã me deixou sozinha"... Neste mesmo dia chegou em casa com um herpes no lábio superior, terá sido do stress, do nervoso? Não tenho a certeza, nunca vou ter. Durante várias noites seguidas, xixi na cama... terá relação? Talvez.

Nos dias que o herpes estava ativo não a pude levar para a escola e ela foi para o trabalho comigo. Felizmente neste momento existe essa possibilidade, embora seja muito complicado porque ela ainda exige atenção, quer brincar, quer mexer e a mãe acaba por não trabalhar. Ela continuava a perguntar se não ia para a escola e como não ia, ficava feliz e cooperava sempre. Mas o herpes acabou, a mãe tem que trabalhar, ela teve que voltar à escola e tem sido um drama todas as manhãs. Um dia acorda, põe a mão na testa e diz que está doente, que não pode ir à escola. Outro dia apenas diz que não quer e chora. Eu pergunto por quê, ela diz que não sabe. Eu insisto... ela diz que não gosta da sopa, outro dia diz que não gosta da fulana. O que sei é que tem sido uma tortura sentimental para mim deixá-la na escola todos os dias e o que não sei é o que está acontecendo com ela, nem o que ela está sentindo, porque ela não sabe. Eu acredito que não saiba mesmo, eu própria tenho sentimentos que não sei o que são ou o porquê deles, quanto mais ela...

Hoje o drama foi maior e eu não me aguentei e chorei, chorei na frente dela e ela chorou comigo.

Deu-lhe um acesso de fúria tal que agarrou no vestido que eu lhe ia vestir, começou a bater nas coisas e a jogar tudo para o chão. Não lhe repreendi, apenas entendi; apenas lhe pedi para acalmar, pois teríamos que arrumar tudo depois. Ela deitou-se no chão e ali ficou... eu abracei-a, pedi-lhe desculpas por ela estar a sentir-se assim e chorei. Ela sentiu a minha dor, ela perguntou se eu estava triste e por quê. Eu disse-lhe que estava triste porque não podia ficar com ela em casa, porque eu tinha que a levar para a escola e eu vi, ela muito séria, a olhar para mim com um olhar conivente, a deixar rolar duas lágrimas, num choro calado.

Enxuguei-lhe as lágrimas e não contive as minhas...

Levantei-me, recompus-me e sugeri-lhe levarmos umas bolachas para os amigos da escola. Inicialmente a resposta foi não, mas com jeitinho ela acedeu e lá consegui vestir-lhe, pentear-lhe e calçar-lhe. Ela se pintou, à sua maneira e fomos para a escola onde ela ficou, bem, espero eu.

Nestes últimos dias ando com o coração na boca, nas mãos ou talvez fora do peito... não sei o que faça. Se me aguente, pois provavelmente é só uma fase e continue arranjando estratégias para convencê-la a ir para a escola ou se tente arranjar alternativas para ela estar em casa neste restinho de ano letivo. A verdade é que tenho receio de me precipitar e tomar decisões que a prejudiquem mais tarde, seja uma ou outra e lá vou eu dia após dia...

Nesta fase ela praticamente não come nada, nem mesmo o que gosta. Sei que é apenas uma fase, mais uma fase; eu também tenho fases em que não tenho apetite, até aí, nada de anormal. O que me incomoda é o todo... ela que sempre foi uma menina doce, cooperativa, compreensiva, ultimamente está agressiva e irritada, chorando por tudo e por nada.

Há quem diga que devo relevar o choro, que não devo sobrevalorizar o que ela diz, porque ela já sabe "jogar" com meus sentimentos. Há quem diga que devo seguir meu coração, meus instintos, que se ela está assim alguma coisa está mal. Há ainda quem diga que vivo a maternidade muito à flor da pele e que devo relaxar... mas a verdade é que quando se trata da minha Pipoca, se sinto que ela não está bem, eu não consigo relaxar; e neste caso também não sei o que fazer. O pai diz que me apoia nas minhas decisões, sejam elas quais forem, porque infelizmente ele não pode viver nem ver o drama de todos os dias de manhã, uma vez que sai todos os dias muito cedo de casa, embora veja as coisas noutras perspectivas.

Espero, desejo, nem sei que palavra usar, que essa "fase difícil" passe logo e que eu tenha sabedoria para tomar as decisões mais acertadas para bem dela, que para mim é o mais importante de tudo. Eu sei que muita gente vai dizer que eu não sou uma super mulher, que não vale a pena porque mais tarde eles não dão valor e blá blá blá. Eu apenas digo que ela não pediu para nascer e é minha obrigação zelar pelo bem dela, fazer o melhor por e para ela e que não tenho o direito de exigir nada em troca. Eu acredito que amor com amor se paga e se ela crescer sentindo que eu estou aqui para ela, sempre e em qualquer situação, ela saberá retribuir. E se não, pelo menos eu terei a minha consciência tranquila, porque saberei que dei tudo de mim pelo melhor de mim, que é ela...



terça-feira, 25 de setembro de 2018

Desculpa filha, mas eu não posso ficar.

Eu quero, como quero! 
Mas não posso... desculpa!


Desculpa obrigar-te a estar onde não queres... 

Desculpa por não teres direito de escolha. 

Eu queria, acredita que eu queria que pudesses escolher. Sei que escolherias ficar, sei que escolherias que eu ficasse... mas eu não posso ficar. Tu não podes ficar. 

Dói-me cada pedacinho da alma, acredita que dói, toda vez que me dizes que não queres ir para a escola e eu, sem alternativa, digo-te que tens de ir porque a mãe tem que ir trabalhar. Queria que tivesses o mesmo direito que eu tive de, com quatro anos, escolher ficar... mas não podes. Ainda nem três anos tens e já te vês obrigada a aceitar, só porque eu não posso ficar...

Tu bem tentas, à tua maneira. Dia após dia vejo o que tu fazes para eu ficar, para nós ficarmos...

Ainda ontem, quando escondeste o comando da TV, eu sorri, apesar de estar atrasada, apesar de já estar a ficar irritada. Eu entendi porque o fizeste, tu querias que eu ficasse e querias ficar.

Hoje quando não querias tirar o pijama, quando não me deixaste pentear-te o cabelo, quando quiseste ir brincar com a plasticina e pintar os teus desenhos, eu percebi. Juro, eu percebi e quis ficar.

Na semana passada quando fizeste três xixis e um cocó na roupa, eu percebi... porque nem quando deixaste a fralda isto aconteceu...

Quando à hora do almoço ligaram-me para buscar-te porque já tinhas vomitado duas vezes e vomitaste outra vez quando chegamos em casa, apesar de estares bem disposta, sem febre ou sinais de estar doente, eu percebi...

Quando, noite sim noite não, pedes para dormir na minha cama eu deixo.. eu deito-me a teu lado e já não te coloco na tua cama, faço questão que acordes do meu lado, porque eu sei que tu queres ficar...

Quando me pedes colo e me abraças forte à porta da escola, mostrando-me que não queres ir, eu choro por dentro, filha, sabes por quê? Porque eu não posso ficar.

Desculpa, filha! Desculpa obrigar-te a crescer mais rápido do que a natureza exige, mais rápido do que eu própria gostaria... És e para sempre hás de ser o meu "bebé", mas tens de crescer. Eu tento, eu faço tudo para que seja ao teu ritmo, felizmente um dia vais entender que a mãe não pode tudo... mas acredita, a mãe faz tudo o que pode. 

Acho que toda a mãe que é mãe de verdade, toda mãe que sente esse amor que é maior do que nós mesmas, faz tudo o que pode, faz os possíveis e os impossíveis para que seus bebes sejam felizes acima de tudo. Cada uma à sua maneira, cada uma como sabe, mas sempre, sempre o melhor que conseguem apesar de, tal como eu, não poderem ficar.

As pessoas dizem sempre que "as crianças adaptam rápido", disseram-me que tu te adaptarias rápido e eu acredito... mas isso não significa que não sintas. Eu sei que sentes, eu vejo que sentes nos sinais que me envias, apesar de não dizeres nada. Queria poupar-te, queria que tuas dores fossem minhas, mas também não posso... tens que crescer, tens que ganhar asas e não te posso colocar numa redoma de vidro, se não nunca aprenderás a voar...

Por isso filha, sê forte. Sê guerreira desde cedo, porque a vida assim nos obriga, é assim na natureza, a sobrevivência dos mais fortes... e eu sei que és forte, muito mais do que tu mesma poderás um dia pensar. Filha, acredita em mim, mas acima de tudo acredita em ti mesma, porque és e serás sempre capaz de tudo o que quiseres enquanto acreditares, só tens que acreditar. 

Um dia filha, quando já fores crescida, quando tiveres os teus filhos (se decidires ter), vais entender melhor do que nunca tudo o que te digo hoje. Espero que de alguma forma, as coisas sejam diferentes para ti e não  tenhas que dizer o mesmo a eles... espero que possas ficar. 

Espero contudo que me desculpes por eu não poder... saiba que te amei, que te amo com o maior amor do mundo, um amor capaz de tudo por ti... porque um dia eu vou partir e não vou voltar, mesmo que, tal como hoje, meu único e maior desejo seja ficar...

Desculpa, filha, mas eu não poderei... 










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Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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