quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Eu, Drama Queen

Já li e ouvi muito sobre a fase que os bebes e crianças passam, a tal chamada "ansiedade da separação": 
A ansiedade de separação é um estado emocional desagradável e negativo que ocorre quando a criança se separa das figuras cuja vinculação afetiva é forte.
 (www.maemequer.pt/)  
Parece que um bebé passa por essa fase por volta dos 8-9 meses, uma criança entre os 7 e os 9 anos e pode acontecer até mesmo em adolescentes até os 18 anos. Obviamente que, como tudo, pode variar de intensidade de pessoa para pessoa, em casos mais graves podem aparecer também sintomas físicos como vómitos, dores de cabeça, diarreia... e psicológicos ao ponto de não conseguirem mesmo se separar dos seus pais/cuidadores, casos em que é indicado ajuda profissional.

Penso que minha Pipoca pode ter passado por essa fase antes mesmo dos 8 meses, mais ou menos por volta dos 4,5 meses, quando começou a estranhar as pessoas e só querer-me a mim e aos 15 meses, depois de uma viagem que fizemos apenas nós as duas ao Brasil, quando ela nem o pai queria... foi uma fase complicada. Até pode nem ser considerado ansiedade da separação por muitos, mas se não foi, é muito parecido. 

Para a mãe, neste caso eu, é super desgastante. Não conseguimos sequer respirar, porque a criança não aceita ninguém mesmo e quanto mais as outras pessoas insistem, mais elas se agarram a nós, ao nosso colo, ao nosso pescoço. Mas somos mães e mãe aguenta (quase) tudo. Com muita calma, paciência e alguma compreensão do marido (que também sofre porque a criança não o aceita), lá ultrapassamos essa fase. 

Agora acho que quem sofre da ansiedade da separação sou eu!

Quem me conhece pessoalmente já percebeu que eu sou muito apegada à minha Pipoca e ela a mim. Não o fiz de propósito, aconteceu naturalmente, criamos um vínculo bastante forte desde o primeiro instante. Aquela menina é tudo para mim neste momento. Eu sei, muitas pessoas me dizem que devo desapegar um pouco, pensar em mim, sair mais sem ela, ir viajar num fim de semana sem ela... mas eu sou incapaz. Não consigo sequer pensar na hipótese de passar uma única noite sem ela, não consigo, pelo menos enquanto ela acordar durante a noite; ninguém a vai ouvir como eu ouço nem pular da cama para ir ao seu socorro como eu vou. Conheço os seus gemidos, seu choro, até a tosse! Sei quando ela apenas tosse e sei quando a tosse requer atenção para que não acabe em vómito e sei quando a tosse acaba em vómito. Conheço-a tão bem! Decifro as suas meias palavras, acedo quando me diz "pára mamã" ou "deixa mamã", respeito as suas vontades, as suas "decisões", a sua curiosidade e até mesmo a sua fúria, a sua frustração... Eu sei, eu sei... ela é capaz de sobreviver sem mim. 

Por essa mesma razão eu digo que essa coisa da ansiedade da separação também pode ser coisa de mãe... eu que não consigo desapegar, eu que não consigo me separar. A ideia do tempo passar rápido e eu querer aproveitar ao máximo o pouco que resta para estar com ela aumenta ainda mais esta ansiedade. Vê-la desabrochar, caminhar com as próprias pernas, comer com as próprias mãos, escolher um brinquedo para brincar ou uma roupa para vestir, vê-la já despir as calças de vez em quando e andar com elas nos pés, ir ao bacio mesmo que seja 5 segundos sem fazer nada, colocar a escova de dentes na boca e tentar esfregar mesmo que seja apenas para comer a pasta, tudo isso é um motivo de orgulho, de felicidade e ao mesmo tempo de ansiedade. A minha Pipoca está crescendo, está ganhando a sua independência. Ontem ela era um pinguinho de gente que enchia o meu colo, hoje é uma menina que já quase não cabe nele. Quando vou buscá-la à creche e ela não vem a correr para meus braços para me dar aquele abraço, confesso que é uma pontada no peito, uma sensação que não sei explicar... eu sei que haverá o dia que ela não vai querer um beijo à porta da escola, que ela não vai querer que vá buscá-la à natação, ao ballet, ao karaté ou qualquer atividade que venha a fazer... eu sei isso tudo e penso que seja isso que me aflige.

Hoje em dia eu nem consigo imaginar o que minha mãe sofreu quando resolvi sair de casa, pior, para um país do outro lado do oceano, sem ninguém da família, sem saber sequer o que eu ia encontrar nem quando me veria novamente... hoje eu sei e, mãe, desculpa! Mil vezes! Perdoa-me por essa dor que te causei, perdoa-me por te fazer chorar e perdoa-me por não ter conseguido voltar... 


Se isso não é ansiedade da separação não sei o que é! Serei uma Dama Queen?

Vejo vários artigos na Internet sobre casais que passam todos os fins de semana sem os filhos. Eu não sei o que essa gente faz para viver, mas se trabalham 8 horas por dia, 5 dias por semana como eu trabalho, estando com os filhos (acordados) cerca de 3, 4 horas por dia não faziam isso com certeza. Fico contando os dias para chegar o fim de semana para estar com ela mais tempo, para lhe levar à natação, ao parque ou mesmo para ficar em casa, brincando de tudo um pouco, rolando no chão e ouvindo aquelas gargalhadas gostosas! Também vi artigos de mães que viajam sem os filhos, inclusive bebés de colo. Really? O que os nossos filhos levam de nós? Brinquedos? Jogos eletrónicos? Tenho certeza que ficam muito mais felizes se puderem estar conosco...se nós sentimos necessidade de sair da rotina, acredito que eles também. Ok, quando minha filha estiver maior, já entender as coisas, já gostar de dormir na casa da tia, da avó, é outra história. Mesmo assim, acho que ela vai preferir viajar com os pais... eu sei que os casais precisam de tempo para si, sozinhos. Mas casais com uma relação sólida quando decidem ter filhos também sabem que durante muito tempo terão que abdicar deste tempo sozinhos... depois, a partir do momento que os filhos são adolescentes, o tempo volta a ser todo só dos dois e terão o resto da vida para estarem sozinhos... 

Só sei de uma coisa, Dama Queen ou não, espero que este sentimento de medo da separação se vá atenuando... se não, estou a ver que meu "tempo de mãe" dará uma longa, longa metragem dramática, daquelas de chorar do início ao fim, misturada com uma comédia bem parva, daquelas que a gente ri de coisas que não tem jeito nenhum, porque nesta vida é melhor rir para não chorar! 






2 comentários:

  1. Se te deixa mais sossegada o meu tiago sempre quis que o levasse a escola e nunca fugiu ou evitou os beijinhos a porta da escola 😂😂 e sim houve alturas em que correu para mim de braços abertos e momentos que brincar ou acabar a conversa com os amigos era mais importante ou mais emocionante do que correr para mim 😏 mas sabes para mim isso foi bom sinal, é sinal que ele estava crescendo e aprendendo que há tempo para tudo e que o importante é fazer o que nos dá mais prazer no momento! 😏❤️ Concordo eu quando decidimos ter filhos que sabemos que teremos de adiar , mudar e até abdicar de muita coisa, mas você não acha que até a adolescência será muito tempo?!?!!! Nem sua filha aguentará tanto tempo a dormir sempre em sua casa!!😂😂😂 quando você der conta ela está a pedir para dormir em casa da tia ou daquela amiga, ou vice versa e estarás empolgadíssima a preparar a primeira festa pijama da tua pipoca 😂😂😂 é tudo normal,principalmente a tua ansiedade, mas eu te garanto que vai passar 🙂 se não passar você vai pirar antes da adolescência!! 😂😂😂
    Ps : tenho aqui a lembrança para a tua pipoca, a nossa encomenda chegou, finalmente!!!

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    1. Hahaha! Boa colocação! Até a adolescência é um bocadinho demais, né! Isso sou eu fazendo jus ao título do post! :P ... Eu fico feliz e muito orgulhos a cada passo que ela dá para a independência e faço de tudo para que ela vá nesta direção, estimulo ao máximo essa independência, tipo: ela já sabe calçar meias e sapatos sozinha, mesmo que às vezes precise de ajuda, bebeu no copo e na boca de uma garrafa mesmo antes de aprender a beber com a palhinha, come sozinha desde os 9 meses, deixo-a "lavar" os dentes sozinha antes de ser eu a escovar... é gratificante vê-la crescer! Isso tudo me deixa radiante e ao mesmo tempo com um aperto no coração! Eu sei que tudo depende da forma como eles são criados, do amor e respeiro que recebem, do exemplo que damos. Ela até pode vir a ser aquela criança que gosta de sair com os pais, aquela adolescente que tem orgulho e não se importa de deixar de ir a um jantar com os amigos para ir a um jantar de família, por exemplo... claro que dramatizo muito essa minha sensação de insegurança e ansiedade... deve ser coisa de mãe de primeira viagem! Do próximo devo ser mais desgarrada... ou não! :D

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