Muito tenho falado eu da minha dificuldade em desapegar da minha Pipoca ultimamente... mas nunca falei de como foi quando ela foi para a creche, acho que está na hora.
Quando temos opções de escolha sempre nos questionamos quando será melhor colocar o bebé na creche, se será melhor ficar com os avós, com a tia, com uma ama. No meu caso não tive escolha, era a creche ou a creche e também não podia escolher quando, tinha que ser quando acabasse a licença de maternidade, sem perdão.
Quando temos opções de escolha sempre nos questionamos quando será melhor colocar o bebé na creche, se será melhor ficar com os avós, com a tia, com uma ama. No meu caso não tive escolha, era a creche ou a creche e também não podia escolher quando, tinha que ser quando acabasse a licença de maternidade, sem perdão.
Ela tinha acabado de completar 5 meses e faltavam apenas duas semanas para eu voltar ao trabalho, mas só porque quando ela nasceu eu estava de férias e ficaria até a DPP, mas como ela nasceu antes as férias interromperam e acabei de gozá-las quando acabou a licença maternidade. A creche escolhida era mesmo ao lado de casa, os fundos faziam fundos com o bloco de apartamentos onde morávamos. Confesso que esta proximidade ajudou bastante na hora de ir deixá-la pela primeira vez...
Já a tinha pré-escrito quando estava apenas com cerca de 17,18 semanas de gravidez, como se sabe, arranjar vagas em creches não é uma tarefa fácil e temos que inscrever quase mesmo antes de engravidar! Até tivemos sorte, porque apesar de ser uma IPSS, não tivemos que pagar para segurar a vaga, como outra que já tinha visto, onde teria que pagar 75% do valor até que ela entrasse. What? Isso mesmo! Eu acho um completo abuso, por isso nem ponderei mais e escolhi mesmo aquela ali "dentro de casa", da qual já tinha muito boas referências.
Quando a inscrevi fiz uma visita guiada, mostraram-me o berçário, as salas e a parte onde se encontra o centro de dia (lá é creche e centro de dia). Tudo muito simples, mas limpinho, decorado com amor e bom gosto. Falei com a Educadora e fiquei com muito boa impressão. Depois que ela nasceu fui formalizar a inscrição e na semana antes do início tivemos outra reunião com a Educadora... Explicaram tudo direitinho, como seria o período de adaptação, horários, como era o funcionamento...
Chegou então o tão temido dia. Seria a primeira vez que eu passaria 2h longe da minha Pipoca. Ela tão pequenina, tão frágil (ainda mais aos meus olhos), ai que dor! Só que não!
Vou ser sincera que na hora de deixá-la nos braços de alguém que eu acabara de conhecer foi um choque. Foi difícil distanciar-me, mesmo estando a alguns metros de distância e sabendo que qualquer coisa me telefonariam. Ainda pensei: vou chegar em casa e me deitar, descansar um pouco. Hahaha! Só se for em pensamento né! Porque cheguei em casa comecei a por coisas no lugar, a lavar loiça, arrumar roupa e quando vi já tinham passado as 2h. Quase que a correr fui eu buscar a minha princesa, que estava a dormir! Olhei lá para dentro e ela a dormir na espreguiçadeira que parecia um anjinho... e o que eu iria fazer? Ia acordá-la ou deixar mais um pouco? Sim, porque tirá-la da espreguiçadeira dormindo só se ela estivesse drogada porque a moça tem um sono leve desde o primeiro dia... Então lá fui eu para casa novamente, muito desconsolada! 30 minutos depois estavam a ligar-me a dizer que ela tinha acordado.
Foi uma experiência estranha. No segundo dia foi igual, 2h apenas e aí sim, cheguei em casa e me deitei um pouco. Não me lembro se dormi, mas ao menos deitei. No dia seguinte foi a vez de ficar até a hora do almoço, iria buscá-la as 11:30h. Também correu super bem: ela comeu a sopa e na hora marcada lá estava eu, feito mãe galinha que sou. No quarto dia igual e no quinto foi dia de sesta, só a fui buscar as 3h da tarde. Mas aí já não me custava tanto, porque ela tinha ficado bem nos dias anteriores. Na semana seguinte nem foi preciso mais tempo para adaptação, já podia ficar o dia todo. Infelizmente também foi a semana que comecei a trabalhar. Ia deixá-la as 9h e ia buscar as 16h, este dia sim, este dia eu penei. Foi horrível! Eu passei o dia todo a pensar nela, com saudades dela.
Com o passar do tempo a saudade foi amenizando e fui me acostumando com o tempo longe dela. Ela sempre bem, acho que posso contar nos dedos de uma mão os dias que a deixei a chorar e acho que sobrarão dedos. Melhor assim, porque nos dias que ficou a chorar é como se me arrancassem o coração...
Agora, com quase 23 meses, há dias melhores e outros piores, mas fica sempre bem. De vez em quando não quer lá ficar e aí demoro algum tempo até que ela aceite deixar meu colo por vontade própria. Digo-vos uma coisa: acho que aconteceu pouquíssimas vezes, mas quando a ia deixar e ela se negava a ir com a pessoa que estava a receber e ma tiravam dos braços só me apetecia dar um soco na pessoa! Porque ela sempre ficou bem, mas tal como nós adultos, há dias melhores e outros piores! Há dias que eu não tenho um pingo de vontade de ir para o trabalho, mas eu sou adulta, sei que tenho que ir e o tem que ser tem muita força... mas ela não... portanto tínhamos que lhe dar tempo para ficar... Odeio, a sério, odeio que a arranquem do meu colo, mesmo que seja o pai.
Hoje em dia sinto-me até um pouco aliviada apesar de tudo, dela ter ido para a creche cedo. Vejo a aflição de muitas mães quando o bebé já tem por volta de 11 meses ou mais para deixar seus filhos na creche. Choram, choram e choram... e dói viu, dói muito!
O importante nisto tudo é estarmos atentas aos comportamentos deles. Se vemos que gostam é porque são bem tratados e isso é mais importante de tudo!
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