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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Primeiro dia de creche

Muito tenho falado eu da minha dificuldade em desapegar da minha Pipoca ultimamente... mas nunca falei de como foi quando ela foi para a creche, acho que está na hora.

Quando temos opções de escolha sempre nos questionamos quando será melhor colocar o bebé na creche, se será melhor ficar com os avós, com a tia, com uma ama. No meu caso não tive escolha, era a creche ou a creche e também não podia escolher quando, tinha que ser quando acabasse a licença de maternidade, sem perdão.

Ela tinha acabado de completar 5 meses e faltavam apenas duas semanas para eu voltar ao trabalho, mas só porque quando ela nasceu eu estava de férias e ficaria até a DPP, mas como ela nasceu antes as férias interromperam e acabei de gozá-las quando acabou a licença maternidade. A creche escolhida era mesmo ao lado de casa, os fundos faziam fundos com o bloco de apartamentos onde morávamos. Confesso que esta proximidade ajudou bastante na hora de ir deixá-la pela primeira vez... 

Já a tinha pré-escrito quando estava apenas com cerca de 17,18 semanas de gravidez, como se sabe, arranjar vagas em creches não é uma tarefa fácil e temos que inscrever quase mesmo antes de engravidar! Até tivemos sorte, porque apesar de ser uma IPSS, não tivemos que pagar para segurar a vaga, como outra que já tinha visto, onde teria que pagar 75% do valor até que ela entrasse. What? Isso mesmo! Eu acho um completo abuso, por isso nem ponderei mais e escolhi mesmo aquela ali "dentro de casa", da qual já tinha muito boas referências.

Quando a inscrevi fiz uma visita guiada, mostraram-me o berçário, as salas e a parte onde se encontra o centro de dia (lá é creche e centro de dia). Tudo muito simples, mas limpinho, decorado com amor e bom gosto. Falei com a Educadora e fiquei com muito boa impressão. Depois que ela nasceu fui formalizar a inscrição e na semana antes do início tivemos outra reunião com a Educadora... Explicaram tudo direitinho, como seria o período de adaptação, horários, como era o funcionamento... 

Chegou então o tão temido dia. Seria a primeira vez que eu passaria 2h longe da minha Pipoca. Ela tão pequenina, tão frágil (ainda mais aos meus olhos), ai que dor! Só que não!

Foto tirada no 1.º dia da Pipoca na creche
Vou ser sincera que na hora de deixá-la nos braços de alguém que eu acabara de conhecer foi um choque. Foi difícil distanciar-me, mesmo estando a alguns metros de distância e sabendo que qualquer coisa me telefonariam. Ainda pensei: vou chegar em casa e me deitar, descansar um pouco. Hahaha! Só se for em pensamento né! Porque cheguei em casa comecei a por coisas no lugar, a lavar loiça, arrumar roupa e quando vi já tinham passado as 2h. Quase que a correr fui eu buscar a minha princesa, que estava a dormir! Olhei lá para dentro e ela a dormir na espreguiçadeira que parecia um anjinho... e o que eu iria fazer? Ia acordá-la ou deixar mais um pouco? Sim, porque tirá-la da espreguiçadeira dormindo só se ela estivesse drogada porque a moça tem um sono leve desde o primeiro dia... Então lá fui eu para casa novamente, muito desconsolada! 30 minutos depois estavam a ligar-me a dizer que ela tinha acordado. 

Foi uma experiência estranha. No segundo dia foi igual, 2h apenas e aí sim, cheguei em casa e me deitei um pouco. Não me lembro se dormi, mas ao menos deitei. No dia seguinte foi a vez de ficar até a hora do almoço, iria buscá-la as 11:30h. Também correu super bem: ela comeu a sopa e na hora marcada lá estava eu, feito mãe galinha que sou. No quarto dia igual e no quinto foi dia de sesta, só a fui buscar as 3h da tarde. Mas aí já não me custava tanto, porque ela tinha ficado bem nos dias anteriores. Na semana seguinte nem foi preciso mais tempo para adaptação, já podia ficar o dia todo. Infelizmente também foi a semana que comecei a trabalhar. Ia deixá-la as 9h e ia buscar as 16h, este dia sim, este dia eu penei. Foi horrível! Eu passei o dia todo a pensar nela, com saudades dela. 

Com o passar do  tempo a saudade foi amenizando e fui me acostumando com o tempo longe dela. Ela sempre bem, acho que posso contar nos dedos de uma mão os dias que a deixei a chorar e acho que sobrarão dedos. Melhor assim, porque nos dias que ficou a chorar é como se me arrancassem o coração... 

Agora, com quase 23 meses, há dias melhores e outros piores, mas fica sempre bem. De vez em quando não quer lá ficar e aí demoro algum tempo até que ela aceite deixar meu colo por vontade própria. Digo-vos uma coisa: acho que aconteceu pouquíssimas vezes, mas quando a ia deixar e ela se negava a ir com a pessoa que estava a receber e ma tiravam dos braços só me apetecia dar um soco na pessoa! Porque ela sempre ficou bem, mas tal como nós adultos, há dias melhores e outros piores! Há dias que eu não  tenho um pingo de vontade de ir para o trabalho, mas eu sou adulta, sei que tenho que ir e o tem que ser tem muita força... mas ela não... portanto tínhamos que lhe dar tempo para ficar... Odeio, a sério, odeio que a arranquem do meu colo, mesmo que seja o pai. 

Foto tirada no segundo dia da Pipoca na crecheEnfim, tudo isso para dizer que acho que sofremos mais que as crianças. Mas não sou daquela velha opinião que "as crianças adaptam-se muito rápido, não sofrem nada". Eu não sei se não sofrem, acho é que a adaptação rápida é um mecanismo de defesa que criam inconscientemente, uma vez que estão num ambiente estranho com pessoas estranhas e quanto mais rápido se adaptarem menos sofrerão. Elas nessa altura não falam, portanto não sei. Só sei que aparentemente, ficam sempre melhor do que nós pais pintamos que ficarão, isso sim!

Hoje em dia sinto-me até um pouco aliviada apesar de tudo, dela ter ido para a creche cedo. Vejo a aflição de muitas mães quando o bebé já tem por volta de 11 meses ou mais para deixar seus filhos na creche. Choram, choram e choram... e dói viu, dói muito! 

O importante nisto tudo é estarmos atentas aos comportamentos deles. Se vemos que gostam é porque são bem tratados e isso é mais importante de tudo!






quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Eu, Drama Queen

Já li e ouvi muito sobre a fase que os bebes e crianças passam, a tal chamada "ansiedade da separação": 
A ansiedade de separação é um estado emocional desagradável e negativo que ocorre quando a criança se separa das figuras cuja vinculação afetiva é forte.
 (www.maemequer.pt/)  
Parece que um bebé passa por essa fase por volta dos 8-9 meses, uma criança entre os 7 e os 9 anos e pode acontecer até mesmo em adolescentes até os 18 anos. Obviamente que, como tudo, pode variar de intensidade de pessoa para pessoa, em casos mais graves podem aparecer também sintomas físicos como vómitos, dores de cabeça, diarreia... e psicológicos ao ponto de não conseguirem mesmo se separar dos seus pais/cuidadores, casos em que é indicado ajuda profissional.

Penso que minha Pipoca pode ter passado por essa fase antes mesmo dos 8 meses, mais ou menos por volta dos 4,5 meses, quando começou a estranhar as pessoas e só querer-me a mim e aos 15 meses, depois de uma viagem que fizemos apenas nós as duas ao Brasil, quando ela nem o pai queria... foi uma fase complicada. Até pode nem ser considerado ansiedade da separação por muitos, mas se não foi, é muito parecido. 

Para a mãe, neste caso eu, é super desgastante. Não conseguimos sequer respirar, porque a criança não aceita ninguém mesmo e quanto mais as outras pessoas insistem, mais elas se agarram a nós, ao nosso colo, ao nosso pescoço. Mas somos mães e mãe aguenta (quase) tudo. Com muita calma, paciência e alguma compreensão do marido (que também sofre porque a criança não o aceita), lá ultrapassamos essa fase. 

Agora acho que quem sofre da ansiedade da separação sou eu!

Quem me conhece pessoalmente já percebeu que eu sou muito apegada à minha Pipoca e ela a mim. Não o fiz de propósito, aconteceu naturalmente, criamos um vínculo bastante forte desde o primeiro instante. Aquela menina é tudo para mim neste momento. Eu sei, muitas pessoas me dizem que devo desapegar um pouco, pensar em mim, sair mais sem ela, ir viajar num fim de semana sem ela... mas eu sou incapaz. Não consigo sequer pensar na hipótese de passar uma única noite sem ela, não consigo, pelo menos enquanto ela acordar durante a noite; ninguém a vai ouvir como eu ouço nem pular da cama para ir ao seu socorro como eu vou. Conheço os seus gemidos, seu choro, até a tosse! Sei quando ela apenas tosse e sei quando a tosse requer atenção para que não acabe em vómito e sei quando a tosse acaba em vómito. Conheço-a tão bem! Decifro as suas meias palavras, acedo quando me diz "pára mamã" ou "deixa mamã", respeito as suas vontades, as suas "decisões", a sua curiosidade e até mesmo a sua fúria, a sua frustração... Eu sei, eu sei... ela é capaz de sobreviver sem mim. 

Por essa mesma razão eu digo que essa coisa da ansiedade da separação também pode ser coisa de mãe... eu que não consigo desapegar, eu que não consigo me separar. A ideia do tempo passar rápido e eu querer aproveitar ao máximo o pouco que resta para estar com ela aumenta ainda mais esta ansiedade. Vê-la desabrochar, caminhar com as próprias pernas, comer com as próprias mãos, escolher um brinquedo para brincar ou uma roupa para vestir, vê-la já despir as calças de vez em quando e andar com elas nos pés, ir ao bacio mesmo que seja 5 segundos sem fazer nada, colocar a escova de dentes na boca e tentar esfregar mesmo que seja apenas para comer a pasta, tudo isso é um motivo de orgulho, de felicidade e ao mesmo tempo de ansiedade. A minha Pipoca está crescendo, está ganhando a sua independência. Ontem ela era um pinguinho de gente que enchia o meu colo, hoje é uma menina que já quase não cabe nele. Quando vou buscá-la à creche e ela não vem a correr para meus braços para me dar aquele abraço, confesso que é uma pontada no peito, uma sensação que não sei explicar... eu sei que haverá o dia que ela não vai querer um beijo à porta da escola, que ela não vai querer que vá buscá-la à natação, ao ballet, ao karaté ou qualquer atividade que venha a fazer... eu sei isso tudo e penso que seja isso que me aflige.

Hoje em dia eu nem consigo imaginar o que minha mãe sofreu quando resolvi sair de casa, pior, para um país do outro lado do oceano, sem ninguém da família, sem saber sequer o que eu ia encontrar nem quando me veria novamente... hoje eu sei e, mãe, desculpa! Mil vezes! Perdoa-me por essa dor que te causei, perdoa-me por te fazer chorar e perdoa-me por não ter conseguido voltar... 


Se isso não é ansiedade da separação não sei o que é! Serei uma Dama Queen?

Vejo vários artigos na Internet sobre casais que passam todos os fins de semana sem os filhos. Eu não sei o que essa gente faz para viver, mas se trabalham 8 horas por dia, 5 dias por semana como eu trabalho, estando com os filhos (acordados) cerca de 3, 4 horas por dia não faziam isso com certeza. Fico contando os dias para chegar o fim de semana para estar com ela mais tempo, para lhe levar à natação, ao parque ou mesmo para ficar em casa, brincando de tudo um pouco, rolando no chão e ouvindo aquelas gargalhadas gostosas! Também vi artigos de mães que viajam sem os filhos, inclusive bebés de colo. Really? O que os nossos filhos levam de nós? Brinquedos? Jogos eletrónicos? Tenho certeza que ficam muito mais felizes se puderem estar conosco...se nós sentimos necessidade de sair da rotina, acredito que eles também. Ok, quando minha filha estiver maior, já entender as coisas, já gostar de dormir na casa da tia, da avó, é outra história. Mesmo assim, acho que ela vai preferir viajar com os pais... eu sei que os casais precisam de tempo para si, sozinhos. Mas casais com uma relação sólida quando decidem ter filhos também sabem que durante muito tempo terão que abdicar deste tempo sozinhos... depois, a partir do momento que os filhos são adolescentes, o tempo volta a ser todo só dos dois e terão o resto da vida para estarem sozinhos... 

Só sei de uma coisa, Dama Queen ou não, espero que este sentimento de medo da separação se vá atenuando... se não, estou a ver que meu "tempo de mãe" dará uma longa, longa metragem dramática, daquelas de chorar do início ao fim, misturada com uma comédia bem parva, daquelas que a gente ri de coisas que não tem jeito nenhum, porque nesta vida é melhor rir para não chorar! 






Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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