Como assim não são suficientes? Poderia se perguntar.
Mas é mesmo isso. O que venho me apercebendo é que ela chegou numa fase em que já vai conseguindo socializar e não só consegue como precisa dessa socialização. Brincar com a mamã e o papá continua sendo bom, mas não chega. Ela já tem quase 4 anos e já sente necessidade de brincar com alguém da idade dela, de amigos.
Ah, mas ela tem amiguinhos na escola, lá ela não brinca com eles? Claro que brinca! Uns mais que outros, mas não chega. Tem também a prima, que é 2 anos e 8 meses mais velha, por quem ela tem uma adoração, mas que está na primária e tem seus próprios amigos, sem contar que nesta fase mais brigam do que brincam, mas também não chega.
O que ela está sempre a dizer-me é: "mamã, nenhum amigo vem à minha casa brincar comigo"... eu pergunto-lhe sempre: "que amigo gostavas que viesse cá em casa"? Ela responde logo uma amiga ou outra e eu digo-lhe que logo falamos com a mamã dessa amiga. E falo. Já falei em combinarmos um dia a tarde, não precisa ser muito tempo, mas como deve imaginar, com a vida corrida que temos hoje em dia, a resposta é sempre "temos que combinar"...
E como é óbvio, nunca se combina!
Nós continuamos brincando de bonecas, de cozinha, de dentista e médico, mas confesso que já não consigo acompanhá-la. Uma coisa é brincar com bebés, que chega amontoar uns blocos para eles deitarem abaixo, ou abanar um boneco à sua frente fazendo barulhos... outra coisa é brinca com uma criança cheia de imaginação, que quer que falemos e tenhamos as reações que ela imagina e espera. Não chega!
Há uns dias atrás recebemos uma visita inesperada do Diego, um amiguinho da creche que ela não via já há alguns meses, mas de quem nunca esquece. Só eu sei a felicidade que vi naqueles olhinhos quando eu disse que o amigo viria a nossa casa. Ela saltava, ela corria, ela me abraçava... ficou completamente extasiada com a ideia de ter um amigo a ir lá a casa para brincar com ela. Foi só um bocadinho, mas foi o suficiente para ela ficar muito feliz e só tenho a agradecer à mamã do Diego por ter lhe dedicado este tempo. Obrigada, de coração.
Estamos em tempos bem diferentes do que eu cresci, tempo em que ambos os pais trabalham fora e quando não se trabalha no fim de semana, tem-se sempre coisas para fazer. Eu entendo isso, eu sei isso. No meu tempo de criança, na maioria das famílias só o pai trabalhava fora ou quando a mãe também trabalhava, tinha os avós para tomar conta dos filhos. Tínhamos como amigos os vizinhos da avó, os nossos vizinhos, brincávamos na rua com crianças que nem sabíamos o nome e muitas vezes os levávamos para brincar na nossa casa; nossa mãe fazia um lanche, ou a mãe dos amigos quando lá íamos. Hoje sou incapaz de deixar minha filha na rua, muito menos com crianças que não conheço sem que eu esteja a ver. Na idade da Pipoca eu já brincava na rua e tenho amizades deste tempo que ainda duram. Hoje, é impensável, infelizmente.
Eu tento levá-la a todas as festas de anos a que ela é convidada. Além de acreditar que quem convida vai ficar extremamente feliz, senão não convidava, a minha Pipoca tem oportunidade de brincar com os amigos fora da escola. De certa forma é como transportar a amizade para um ambiente neutro, quebrando aquela associação de ter amigos só na escola, que no fundo acho que é o que ela quer quando pede para um amigo ir lá à casa.
Enfim! É só um desabafo de uma mãe que está aprendendo a lidar com a frustração da filha, aprendendo ao tentar ensinar que nem sempre é possível termos o que queremos e que nós adultos corremos muito e muitas vezes não conseguimos satisfazer as necessidades dos nossos filhos, muito menos quando também dependemos de outras pessoas...
E você? Já se deu conta que não é suficiente?
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