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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Eu romantizo a maternidade sim!

Parece que foi ontem. 

Acho que sempre que falo de mais um mês da Pipoca profiro esta frase. Mas é porque parece mesmo!

Há tão pouco tempo era uma bebezinha frágil, careca e desdentada com o sorriso mais lindo do mundo, hoje é uma menina cabeluda, com a boca cheia de dentes e toda dona de si... 

Já se passaram 23 meses!

Como assim 23 meses? Ah pois é! Sabem quando dizem que as pessoas romantizam demais a maternidade e que deviam mostrar mais o lado feio? Acho que sou incapaz. Eu sou uma dessas pessoas que romantiza a maternidade. Admito. Mas não sei ser de outra forma... devo ser romântica por natureza!

Como não romantizar? Tive uma gravidez "santa", sem enjoos, sem problemas de saúde, sem sustos. O trabalho de parto foi quase todo "sem sentir"... tinha cólicas, mas facilmente suportáveis, tanto que demorei a ir para o hospital e mais um pouco a moça nascia em casa ou no carro! O parto em si foi super descontraído e natural, tranquilo demais! A recuperação, essa então foi muito melhor do que eu alguma vez imaginei, porque algumas horas depois do parto eu já me sentava e levantava sem qualquer problema. O pós-parto, o tão falado sofrido e cansativo pós-parto? Mal acabei de parir já dizia que se pudesse tinha logo outro filho...

Minha Pipoca era muito calminha... tanto que só soube o que era o choro dela por volta dos 8 meses, quando ela começou a chorar de verdade, porque até então eu costumo dizer que gemia. Ela dormia super bem, apesar do problema que teve da Pelionefrite, que contei no meu post "Em casa, os dois primeiros meses". Até hoje a considero uma criança calma e dócil. 

Tirando a parte da amamentação, que é a parte que mais me custou, da qual falo no meu post "Amamentar é natural, mas não acontece naturalmente", posso dizer que sou uma mulher realizada enquanto mãe. De verdade... costumo dizer que a maternidade é a melhor coisa que me aconteceu.

Custa as noites sem dormir? Custa quando a criança está doente e não sabemos o que fazer? Custa não conseguir acalmá-la quando faz certas birras? Custa quando levas uma chapada na cara? Claro que custa, mas não é por isso que vou dizer que ser mãe é muito difícil. Para mim não é!

Ainda ontem estava no cabeleireiro (coisa mais rara do mundo!) e meu marido apareceu lá com a minha Pipoca, que inacreditavelmente chegou e se jogou nos braços de uma moça que lá trabalha. Ela ficou toda derretida, dizendo que adora crianças e que não sabe se vai ser assim quando tiver os dela, mas que é louca com os filhos dos outros. Uma outra senhora que lá estava disse: "aguarda até teres os teus, vais ver se gostas tanto assim". Eu engoli em seco para não responder à senhora, afinal, cada pessoa tem a sua experiência e fala do que sabe, ela sabe de si. Eu apenas sorri e disse: "vais continuar a gostar e vai ser ainda melhor". Eu acredito mesmo nisto... 

Claro que não é só rosas! Meu blog mesmo está cheio de posts sobre dias cansativos, idas ao hospital, sujeira na hora da comida, noites mal dormidas entre outras coisas. Eu não escondo que há momentos difíceis. Mas não acho que sejam esses os momentos que definem a maternidade. Prefiro defini-la com os momentos tranquilos, felizes e saudáveis. 

Quer saber porque meu parto foi tão tranquilo? Porque sempre ignorei quem me dizia que eu era louca de não querer cesariana, que eu era louca de não querer epidural. Eu acreditava em mim e no meu próprio corpo, assim como acredito em mim como mãe. 

Comentários desagradáveis são difíceis de ouvir, críticas negativas então nem se fala! Mas é importante saber filtrar e absorver só o que interessa de verdade. 

E o que eu quero dizer com isso tudo? Que se acreditarmos em nós, seremos as melhores mães do mundo, mesmo não sendo igual a mais ninguém, porque criaremos seres humanos felizes. Acho que estou a fazer um bom trabalho...

Em 23 meses de maternidade cheios de aprendizado, vejo na minha filha uma criança feliz e nada mais importa nessa vida! 

Parabéns minha Pipoca! 


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Amamentar é natural, mas não acontece naturalmente.

Há muito que quero falar da amamentação e queria aproveitar o dia 01 de Agosto, dia Mundial da Amamentação, mas não me foi possível, então é hoje.

Vou começar dizendo que sou suuuuuper a favor da amamentação. Aliás, até faço campanha por ela, em livre demanda e enquanto houver leite e a criança quiser. Faço mesmo. Até coloquei foto no meu perfil no Facebook fazendo campanha de apoio à amamentação.

Aqui na Europa também se faz campanhas, mas nem é muito, pois é natural que uma mãe amamente seu bebe. Mas o Brasil precisa urgentemente de uma mudança de mentalidade. Num país onde o Carnaval é cultura e a mulherada sai à rua completamente despida de roupas, conceitos e preconceitos e o mundo inteiro acha o máximo, a amamentação em público é praticamente atentado ao pudor. É triste. Uma realidade muito triste.

Antes de ser mãe não via nem ouvia falar nisto, não me tocava e eu nem fazia ideia que isso acontecia. Hoje cada vez mais vejo que é sim preciso campanhas e é preciso sim fazer "mimimi" como muitos palpiteiros de plantão comentam nas redes sociais, principalmente o Facebook. Assim já é difícil, imagina se não for! O mais revoltante é ver mulheres, mães, muitas vezes mães de primeira viagem que são contra elas própria; porque não querem amamentar ou porque não conseguiram e até mesmo algumas que amamentam, mas que apoiam a ignorância e o preconceito e acham "feio", "indecente" que uma mãe alimente o seu bebé em locais públicos. Vergonha, é só o que digo.

Enfim... desabafos e revolta à parte, conto a minha frustrante experiência da amamentação.

Antes mesmo de engravidar sempre sonhei em amamentar. Achava que era uma coisa que aconteceria naturalmente. Quando me perguntavam se ia amamentar eu abria um enorme sorriso e dizia sempre: claro que sim! Além de todos os benefícios conhecidos da amamentação para mãe e filho, para mim era uma missão de vida, eu tinha que viver essa experiência.

Infelizmente nem tudo é como parece. Amamentar é natural sim, mas não acontece tão naturalmente quanto se pensa. É difícil. Se não formos persistentes desistimos muito rápido. Mesmo que sejamos persistentes, com pouca informação ou informações erradas e enganosas desistimos. Eu desisti.

Só eu sei o arrependimento que tenho. Ainda hoje quando falo neste tema vem-me um aperto no peito e só penso: se fosse hoje...ah! se fosse hoje, minha pipoca estaria mamando até hoje. Acreditem que sim.

Minha pipoca nasceu de 37 semanas, pequenina com apenas 2,465 kg e 46 cm às 2:58h. Não era como eu esperava pois pelas ecografias parecia que seria grande e mais pesada. Mas era linda como nada no mundo. Sempre no meu peito, pele com pele. Assim que fomos para a sala de recobro a enfermeira sugeriu colocá-la para mamar. Tentamos nas duas mamas, em diversas posições e ela não apanhava, não se mostrava sequer interessada em sugar. Depois de muitas tentativas, eu exausta e ela também, pediram minha permissão para lhe dar leite num copinho. E não, não foi o meu leite. Ainda não tinha descido (ou subido) e deram-lhe uma fórmula própria para prematuros. Fomos para o quarto passadas duas horas para descansar.

Descansamos até perto das 8 da manhã e ela choramingou. Como já tinham passado algumas horas pensei eu que era fome e lá fui tentar lhe dar a mama e nada. Ela não conseguia. Tentei, tentei, tentei... nada. Apertei o tal botão de chamar a enfermeira e passado algum tempo me aparece uma auxiliar a dizer que era mudança de turnos e que aguardasse que assim que acabasse a enfermeira viria, mas não veio. Voltei a apertar o botão umas quantas vezes... eu já estava num estado de nervos tremendo... já chorava porque ela choramingava. Nunca foi bebe de chorar aquele choro alto... era parecido a um gatinho... passado mais algum tempo veio a enfermeira a perguntar se estava tudo bem e eu desmanchei-me em lágrimas. Expliquei e ela me disse que às vezes os bebes nascem "enjoados" e só mamam passadas 24h e que era para eu descansar. Colocou-a no meu peito e disse para tê-la assim. Foi assim que passei a manhã... ela realmente acalmou e ficamos agarradinhas até meu marido chegar.

Na próxima troca de turnos eu disse à enfermeira que achava estranho ela não mamar e ela lá foi buscar o copinho e me explicou como lhe dar. Ela tinha sim fome, só não conseguia agarrar a mama e não  tinha forças para sugar. Fiquei triste e ao mesmo tempo aliviada porque apesar de tudo ela estava alimentada. Depois esta mesma enfermeira trouxe-me uma bomba para tirar leite, disse para usar enquanto não conseguia dar a mama. Explicou-me tão rápido como se usava que eu percebi mal! Tinha que ligar e apertar o botão + para aumentar a força da bomba, porque ao ligar ela apenas estimulava. Durante 3 dias eu estimulei as mamas com a bomba, sem ter a menor ideia do que estava a fazer. Se estranhei? Estranhei porque não saía nada!! Mas eu pensava que era normal porque o leite demorava a descer (ou subir). Enquanto isso de 3 em 3 horas lá ia eu pedir leite para dar à pequenina, com o coração na mão porque aquele leite não era o meu.

No dia que eu me vim embora estava eu "tirando" leite e a enfermeira de plantão viu e me foi explicar o que estava a fazer mal. Qual não é meu espanto o tanto de leite que saiu!! Eu parvinha toda contente ao invés de começar a dar só o meu leite a ela fui perguntar à pediatra se podia, e tive uma resposta evasiva, por azar era outra vez troca de turnos e assim continuei a dar dos dois leites, até a hora de ir embora.

Vim para casa com uma receita para dar fórmula especial para prematuros mesmo já tendo conseguido tirar leite, o que me deixou mais confusa. Se eu já tinha leite, porque não podia dar só o meu? Mas como foi ordem médica, lá acatei. Era dia 01 de Janeiro, farmácias fechadas, chovendo torrencialmente, à noite. Tive que deixar a pequenina em casa, faminta, com a minha mãe e ir com meu marido à procura de uma farmácia e de uma bomba para tirar leite. As poucas farmácias de plantão não tinham o leite para prematuros e as bombas só manuais. Que dia! Que desespero... as mamas doridas, a pequena com fome e eu ali, desesperada já. Até que lembrei de uma pessoa que tinha a bomba e já me tinha oferecido e eu resolvi aceitar. Consegui a bomba, depois de umas 5 farmácias consegui o leite e fui para casa, completamente exausta.

Dei-lhe a fórmula e tirei o leite para aliviar a mama. Sempre tentava que ela agarrasse, mas nada. Recebi a visita da enfermeira que deu a preparação para o parto (faz parte do programa um acompanhamento) e ela me disse que eu tinha bons mamilos e muito leite, para ir tentando e assim o fiz. Comecei a dar só o meu leite que  tirava com a bomba e sempre insistindo para ela mamar. Mas nada, ela não mamava. Ela engolia muito ar e acabei comprando um biberão (o calma da Medela) e assim os dias foram passando.

Depois de uma semana recebi novamente a enfermeira (por norma é só uma, mas como ela era muito pequenina e era inverno, a enfermeira me visitou 3 vezes para que eu não saísse com ela para o controle de peso). Quando a enfermeira chegou eu estava a insistir para a pipoca mamar, ela empurrava meu peito, chorava e fazia muito esforço e foi quando me disseram a pior coisa que me podiam dizer: ela não pode se esforçar tanto, porque perde peso (nesta altura já tinha perdido muito e estava com 2,280 kg). Vamos ter que passar para o plano B, que era a fórmula outra vez. Eu chorei, chorei, chorei e chorei. Eu não aceitava, não queria, mas para o bem dela lá voltei à fórmula, alternando com o meu leite, mamada sim, mamada não.

Todos os dias de 3 em 3 horas, dia e noite durante 10 a 15 minutos estava eu com a bomba a tirar leite. Houve dias que eu dormia sentada com a bomba na mão, mas tinha que aguentar porque sempre acreditei que o leite materno é essencial.

Depois de muito insistir, um dia à tarde coloquei-a à mama e ela pegou e mamou... feriu-me o mamilo, a dor era horrível, mas eu sorria e escorriam-me lágrimas de felicidade!! Nunca fiquei tão feliz de sentir tanta dor! Acho que nem no parto tive aquela sensação, de dever cumprido, de vitória.

Agora que ela mamava no peito, se eu estivesse bem informada ou tivesse a experiência que tenho hoje, tudo seria diferente. O problema é que na minha cabeça eu tinha que controlar o que ela comia, então ao invés de lhe dar sempre a mama e depois a fórmula, só para complementar, eu fazia justamente o contrário: dava-lhe a fórmula e a seguir punha-a à mama. É óbvio que ela não ia mamar! Já estava cheia...  então vinha à mama e assim que começava a sugar adormecia. Sempre.

Ela mamou apenas durante cerca de 20 dias, porque eu desisti. Como ela adormecia sempre não fazia sentido insistir e aos poucos fui deixando de a por à mama. Resignei-me a tirar o leite com a bomba e continuar a revesar com a fórmula. Só que assim não havia oxitocina, não havia estimulação e aos poucos o leite foi diminuindo, eu fui ficando cansada e os intervalos de "bombagens" foram aumentando... até que deixei de bombear. Isso durou até ela completar os 3 meses, porque essa passou a ser a minha missão após me aperceber que ela não iria mamar: dar-lhe leite materno pelo menos até que completasse 3 meses.

Ainda hoje quando lhe preparo um biberão (agora que já bebe leite de vaca) sinto um vazio, um sentimento de culpa, porque se eu tivesse insistido mais, se eu tivesse me informado mais, se eu tivesse procurado ajuda... se, se, se... mas no fundo eu sei que fiz o meu melhor.  Talvez não o melhor que podia, fiz o melhor que sabia.

Hoje apesar de sentir essa tristeza de não ter amamentado e de sempre pensar que podia ter feito mais, sinto-me realizada como mãe, porque olho para ela e vejo que é uma criança feliz.

Não foi porque eu não amamentei que o meu vínculo com ela é menor. Muito pelo contrário. O facto de não amamentar levou-me a buscar esse vínculo de outras formas como o cantar, o embalar, o brincar, o adormecer juntas fazendo carinho... os miminhos que trocamos mesmo quando o carinho dela se resume a festinhas (tapas mesmo) no rosto...

O que tiro de tudo isso é que amamentar é uma aprendizagem que nem sempre corre bem, por várias razões. Ninguém deveria sentir-se culpada por não amamentar e as campanhas devem sobretudo ressaltar isso mesmo. Campanhas que apoiam a amamentação devem, acima de tudo, apoiar a quem não conseguiu, porque ouvir e ler comentários a dizer alhos e bugalhos de quem não amamenta dói, dói tanto quando a culpa de não amamentar, talvez mais. Devemos julgar menos e apoiar mais, pois não sabemos a realidade de quem não amamentou. Respeitar acima de tudo, mesmo que não concordemos. Todos temos que fazer escolhas e se a sua é diferente da minha, eu só tenho que aceitar e respeitar. Tenho o direito de argumentar e tentar te convencer e você igual, temos também o direito de rejeitar opiniões, sempre com respeito mútuo.

Amamentar é o melhor para seu filho sim, para você também, mas se não conseguir, erga a cabeça e siga em frente e pelo menos poderá dizer: eu tentei.

#amamentaçãosimjulgamentosnão






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Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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