segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh!

Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né! 

Então vamos lá: 


Tu surtas quando a tua casa fica assim?

Acredita, eu não!

Enquanto a minha casa ia ficando assim eu estava sentada em frente ao meu computador assistindo a uma oficina de edição de vídeos. A Pipoca e a prima passaram a tarde toda a brincar... e a bagunçar! Até pintura na cara com tinta guache teve.

Penso que muitas mães e pais também, iriam surtar. É muito fácil perder o controle e começar a gritar e brigar numa hora destas.

Mas, qual será o meu segredo?

Nenhum! Eu não tenho segredo nenhum, mas pode ter a certeza que não é apenas uma questão de ter paciência. É principalmente uma questão de empatia, autocontrole e autoconhecimento.

Como assim?

No meu modo de ver, a empatia permite-me ver e aceitar o que vai na cabeça das crianças. Enquanto brincam estão demasiado concentradas e envolvidas na brincadeira, não tem aquela perceção de que depois terão que arrumar, mesmo que tenham não pensam nisto. Crianças vivem o momento, distraem-se facilmente, são espontâneas e autênticas e quanto mais cedo aceitarmos estas características, mais cedo deixamos de sofrer com as atitudes e ações delas. Por isso mesmo precisamos de ter autocontrole, para não ficarmos zangadas e frustradas por encontrar uma casa assim e evitarmos gritar e brigar. 

Por isso mesmo precisamos também de autoconhecermo-nos. O autoconhecimento permite-me conhecer os meus limites, lidar com as minhas próprias reações e não sofrer ou pelo menos não surtar diante de várias situações. Conhecer-me permite-me colocar-me no lugar dela, lembrando-me de como é ser criança. Às vezes penso repreendê-la por saltar no sofá ou subir num móvel da casa onde ela arrisca-se a cair e magoar-se a sério, mas depois coloco-me no lugar dela e penso na minha própria infância. Ela mora num apartamento, eu morava numa casa com um quintal enorme, a casa da minha avó tinha um quintal enorme cheio de árvores, carros velhos, pneus, galinhas, porcos. O que a minha Pipoca tem? Nada perto do que eu tive. Ao lembrar-me da minha infância reencontro a minha criança interior e consigo mais facilmente lidar com a Pipoca. 

Neste dia da bagunça, quando as duas já estavam pintadas e mais calmas, pedi que arrumassem pelo menos os papeis e canetas que estavam espalhadas, explicando a razão pela qual eu achava que deveriam arrumar: porque se pisassem poderiam escorregar e machucar e não porque "eu estava mandando". Elas entenderam e cooperaram, claro que apanhando apenas o que pedi.

Como as duas eram tinha pura, foram lavar o rosto na casa de banho, que também virou tinha pura! Levantei-me, limpei-lhes o rosto e pedi para arrumarem as tintas e alguns bonecos e depois coloquei-as na banheira. Enquanto brincavam no banho eu e minha paciência arrumamos o resto dos brinquedos.

Depois do banho ficaram a ver o filme Frozen II enquanto eu fazia o lanche. Nem um único berro, nem choro, nem pontapés de raiva. Cooperação foi o que tive depois do caos. Mas, antes de qualquer coisa, eu tive que me controlar. Partiu de mim não gritar, não brigar ou ficar no ouvido delas igual uma maritaca na fruteira. Eu poderia ter levantado e dito: "não tirem isso do lugar", "arrumem aquilo", "olha que depois vão ter que arrumar tudo"... "parem já de fazer isso e vão arrumar aquilo primeiro", "se não arrumarem já não brincam", ou "não brincam com isto enquanto não arrumarem aquilo"... Poderia ainda ameaçar: "se não arrumar a prima já não vem cá à casa". 

Claro que poderia! Mas o que eu ganharia com isso? 

Choro, grito, raiva. Ate poderiam começar a arrumar, mas iam distrair-se e ficar tudo por arrumar, como já aconteceu inúmeras vezes. Aí eu ia levantar outra vez a voz porque ao invés de arrumar estão a brincar e o ciclo de irritação continuaria, cada vez mais intenso e eu chegaria num ponto de explodir. 

Tem que partir de mim, que sou adulta e supostamente sei controlar minhas emoções, dar o exemplo de calma. Já ouviste a expressão "gentileza gera gentileza"? Pois é, eu poderia dizer o mesmo de qualquer sentimento ou atitude: "rancor gera rancor", "raiva gera raiva", "violência gera violência", #grito gera grito"...

Uma casa bagunçada em alguns minutos (ou horas) arruma-se, uma relação problemática, uma criança revoltada, triste ou introvertida é um adulto problemático, impaciente, violento, depressivo, entre outras coisas que se resolvera com anos de terapia ou não se resolverá nunca; este adulto pode nem se aperceber que tem um problema e precisa de ajuda, porque cresceu assim, é o que conhece.

É importante que nós, pais, tomemos consciência disto o quanto antes. Criança precisa brincar e bagunçar mesmo, brincar sem preocupar com nada, viver o momento. Um amiga minha disse-me uma vez nada casa dela: "deixa, se não brincarem agora, vão brincar quando? Os brinquedos depois eu arrumo". Isto porque na casa das outras pessoas, apesar desta minha filosofia, tento que a Pipoca não desarrume as coisas, a gente nunca sabe como o anfitrião irá reagir. Felizmente a minha amiga pensa como eu. Mas conheço algumas pessoas que ficam o tempo todo em cima das crianças, chamando a atenção e mandando fazer isto ou aquilo. Nestas horas eu própria me irrito e apetece-me chamar-lhes à atenção para deixarem as crianças serem crianças... 

NÃO É FÁCIL! 

Acredita que não é! Às vezes ignorar a bagunça também é muito difícil para mim. Sou uma pessoa muito organizada, tenho um lugar para tudo, até para os brinquedos da Pipoca, sempre que arrumo é da mesma forma, nos mesmos lugares. Ela tem caixas para tralhas maiores, para peluches, para brinquedos pequenos e quando arrumo faço questão de separar cada coisa no seu lugar. Sabendo isso, a bagunça deveria deixar-me louca, não é?

O que quero dizer com tudo isto?

Que não devemos deixar que as coisas que tem solução tirar a nossa paz e perturbar a nossa relação com nossos filhos. Eles crescem muito rápido e vamos sentir falta dos momentos que deixamos de ver ou viver para ficar preocupadas com a casa bagunçada. Não estou a dizer que as crianças podem fazer e desfazer sem qualquer disciplina, estou a dizer que há formas de disciplinar que tornam a maternidade mais leve... 

Meu conselho? 

Da próxima vez que teu filho estiver bagunçando, se puderes, bagunça com ele. Senta, brinca, deixa tua criança interior vir cá para fora. Deixa-te levar pela brincadeira e pela imaginação sem se preocupar em arrumar depois. Dai quando ele quiser brincar de outra coisa, diz: "ok sem problemas brincar de outra coisa, mas vamos arrumar estes brinquedos primeiro." Provavelmente haverá resistência ou ate podes te surpreender. Se houver resistência, insiste: "se não arrumarmos, podemos pisar sem querer e magoar-nos ou podemos partir os brinquedos". Provavelmente começará a ter colaboração. Se não, insiste.

Às vezes eu tenho que insistir e ouço coisas como "tá bem, se tu queres arrumar", ela me diz muito contrariada, mas colabora. Outras vezes chora e se tiver sono esperneia e grita. E eu? mantenho a calma e continuo a falar num tom baixo e calmo. Ao reagir assim, ela acalma-se sozinha e admite que está cansada ou que não devia ter feito aquilo. 

É difícil sim, não vou dizer que é fácil porque não é, mas com o tempo torna-se mais leve. Com o tempo vemos que nossas atitudes estão se refletindo no comportamento deles. Experimenta e depois me conta como foi... vais ter que ser persistente, poderás não conseguir na primeira, na segunda ou na terceira, talvez nem na décima! Brincadeiras à parte, é mesmo isso, se não desistir vais sim ver resultados. Tanto nós como eles vamos aprender com o tempo e prática, eles notarão a tua mudança e se adaptarão a ela... 

Comigo funciona...

Obs.: é importante entretanto adaptar a forma de falar e de pedir colaboração consoante a idade da criança. A minha experiência neste momento é com uma criança de quase 5 anos. Funcionou até agora...


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

De cara nova!

O blog está de cara nova! 

Por quê? 

Porque temos que acompanhar as evoluções do mundo digital... após uma pausa em que a mamã deixou de escrever e registar as suas experiências e as peripécias da Pipoca, nada como voltar com um novo visual, mais a nossa cara neste momento. 

Mudamos o logo, mudamos o nome e mudamos o visual mesmo, mas as mensagens continuam e vamos trazer um novo modelo de conteúdos... 



segunda-feira, 18 de maio de 2020

A pandemia do nosso tempo

Há muito tempo que não escrevo nada. Às vezes falta-me inspiração, outras tempo, outras vontade. 
A verdade é que estamos vivendo um período em que temos todo o tempo do mundo e acabamos não tendo tempo para nada. As mães que têm filhos pequenos vão me entender.

Este novo coronavírus chegou, abanou as nossas vidas e parece que já não vai embora, vamos mesmo ter que conviver com ele... Obrigou-nos a reinventar-mo-nos enquanto familias, pois estávamos habituados a uma rotina que virou de pernas para o ar; obrigou empresas a aderir ao teletrabalho, mostrando que as pessoas não precisam estar confinadas em escritórios 8 horas por dia para fazerem o mesmo; fechou restaurantes, cafés, bares, ginásios, centros comerciais... parou o mundo, de certa forma. Parou o mundo, parou-nos, paralisou-nos também. Queria acreditar que vamos mesmo ficar todos bem, mas sei que nem todos vamos... 

Infelizmente ficamos reféns do medo de uma doença sobre a qual pouco se sabe, para a qual não há vacina nem tratamento, que se propaga a uma velocidade alarmante deixando vulneráveis os sistemas de saúde de grande parte dos países afetados, incluindo grandes potências, cuja forma de minimizar é o isolamento social, é deixarmos de estar com família, com amigos. Uma doença que uniu pais e filhos, mas afastou avós e netos, estreitou laços outrora esquecidos mas também revelou monstros capazes de agredir filhos até a morte; reinventou empresas mas derrubou economias; reduziu o buraco na camada de ozono mas provocou o aumento da pobreza e consequentemente da fome no mundo... uma doença que revelou o melhor e o pior de nós.

O medo paralisa e o maior medo dos pais em geral, penso que ainda maiores nas mães é o medo da morte (penso que meu ultimo post foi justamente sobre isto). Não da morte em si, mas por acreditar que ninguém no mundo vai amar nossos filhos como nós, e não vai mesmo. É saber que vão se sentir abandonados, principalmente os que ainda não entendem o contexto de morte. Esse é o meu maior medo e confesso que me sinto paralisada. Ao mesmo tempo que penso que temos que regressar ao ativo, voltar ao trabalho, as crianças à escola, tenho medo. Sinto falta de socializar, de jantar com amigos, de sentar numa esplanada a jogar conversa fora...mas acho que temos todos medo! 

Eu me considero uma pessoa saudável e penso que se for infetada terei sintomas leves, mas isso é o que considero, eu não sei se depois não terei complicações. Pior: e se tenho sintomas leves e tenho que fazer o isolamento dentro de casa? Fechada sozinha num quarto durante duas semanas ou mais, sabendo que minha filha está ali e não podemos estar juntas? Imagina-te a ouvir teu filho a chamar por ti para comer, para tomar banho, para lavar os dentes, para dormir, sabendo que estás ali e tu não podes atender? Imagina! Eu tremo só de pensar nessa hipótese! Por essas e outras coisas, sinto-me paralisada. Quero fazer tantas coisas e não faço nada. Vou ao supermercado e pouco mais. Quando saio com a Pipoca é para passeios breves, sem contato com ninguém, ela própria evita o contato com pessoas, pois sabe que está aí o coronavirus. É triste... 

Se tem uma parte da história da qual eu gostaria de não fazer parte é esta. Mas é uma realidade e tenho que aceitar o que não posso mudar. Têm sido dias desafiantes. No início era mais fácil, para a Pipoca era como férias, acordávamos, brincávamos com os brinquedos dela, ela via vídeos ou televisão enquanto eu cozinhava ou ajudava-me na medida do possível, brincávamos mais um pouco... e assim passávamos os dias. Acontece que morar num apartamento sem espaço exterior, a brincar com os mesmos brinquedos todos os dias foi se tornando aborrecido, ela já não quer brincar tanto, eu já não tenho paciência para certas brincadeiras que antes tinha... há dias que tenho vontade de colocá-la à frente da tv do dia inteiro só para ter um bocadinho de tempo para mim. Estou num estado de cansaço físico e psicológico que acredito muitas mães estão. Para ter um tempinho para mim, comecei a esticar a hora de dormir e nunca consigo ir para a cama antes das duas da manhã e quando vou não adormeço e acordo com ela, por volta das nove. O pai continuou a trabalhar, pois trabalha na área da saúde e era impensável ficar em casa neste momento, acorda e sai cedo e dorme cedo... e assim tem sido nossos dias. Com o início do desconfinamento de vez em quando vamos "dar uma voltinha", mas muitas vezes a Pipoca não quer sair, porque chateiam as voltinhas, ela quer ir ao parque, quer ver os amigos e as voltinhas não são suficientes. 

Ironicamente, neste cenário todo, a pandemia do nosso tempo: as redes sociais, que isolavam as pessoas dentro de casa, tornaram-se a nossa cura, o tratamento para a solidão que o isolamento trouxe, unindo familias, amigos, colegas de trabalho pelo mundo inteiro... é nelas que partilhamos nossos receios, fazemos declarações de amor, comemoramos aniversários... essa é agora a nossa realidade! Espero mesmo que vivamos essa nova realidade de leve, para que não esqueçamos o quanto as pessoas nos fazem falta, porque, para o bem e para o mal, o ser humano habitua-se muito facilmente. Não podemos deixar que o medo nos obrigue a habituar a viver isolados, espero que a pandemia do nosso tempo não substitua por completo a presença e que, pelo contrário, nos ajude a lembrar todos os dias o quanto um abraço conforta, o quando uma boa conversa com amigos à volta de uma mesa nos renova, o quanto os avós fazem falta e que a solidão mata...



Que não nos enlouqueçamos por estar "trancados" em casa, mas que saibamos gerir internamente de forma a usufruir deste tempo da melhor forma possível com nossos pequenos (e grandes também), porque para nós essa pandemia do coronavírus ficará marcada pela liberdade que nos foi tirada, enquanto para eles será o tempo que os pais foram inteiramente deles... porque a realidade que eles conheciam desde sempre era estar com os pais duas ou três horas por dia, agora estar com os pais (nem que seja só um deles, mesmo em teletrabalho) é o melhor que lhes podia acontecer! 

Apesar de às vezes a Pipoca dizer que esse coronavírus não lhe deixa fazer nada, acredito que ela não trocava estes dias por nada neste mundo! 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Eu não quero morrer

Foi a frase que ouvi ontem...

Há uns dias depois da história para dormir, que foi a Cinderela, ela perguntou-me sobre a morte e por que a mãe da Cinderela morreu. Eu expliquei que a mãe da Cinderela estava muito doente e fraca e já era muito velhinha. Ela perguntou se eu também ia morrer e eu respondi que todos nós vamos morrer um dia, mas que ainda ia demorar muito tempo (espero eu). A conversa ficou por aí. 

Ontem a história foi a Branca de Neve... como todos sabem, tal como a Cinderela, ela perde a mãe e sofre nas mãos da madrasta má. Quando acabamos ela começa a chorar e a dizer "eu não quero morrer". Eu tentei acalmá-la dizendo que isso só aconteceria quando ela estivesse muito velhinha (uma vez mais, espero eu). Depois disse "eu não quero que tu morras", eu engoli em seco, porque nunca tive tanto medo de morrer como tenho hoje e expliquei que a mamã ainda é nova e falta muito tempo para isso acontecer e ela acalmou. Acalmou mas não deixou de pensar no assunto. "Mamã, eu não quero que tu morras, se tu e o papá morrerem eu vou ficar sozinha". Repetiu-me isto umas três vezes, o que me cortou o coração só de imaginar que meu maior medo se concretize. 

Num momento em que estou a lidar com a dor da perda do meu avô e de um tio avô numa curta distância de duas semanas, ouvir a minha filha falar na morte com medo dela ainda me dá mais medo. Não da morte em si, mas porque vi nas palavras dela o desespero, o terror de pensar em ficar sem mim. Nunca imaginei que uma criança que ainda não tem 4 anos completos pensasse neste assunto com tão profunda preocupação...

Acho que tal como eu, o maior medo de uma mulher quando se torna mãe (biológica ou não), é desaparecer deste mundo de uma hora para a outra sem saber como seu filho vai ficar, como será cuidado e por quem... Ainda pensei em mentir-lhe, dizer que eu e o papá não vamos morrer, nem ela, mas não consegui. Não me parece correto, pois acho que é um assunto muito forte e que as crianças devem sempre ser confrontadas com a verdade, pois nós não sabemos o dia de amanhã. Até me custa pensar nisto, mas devemos preparar as crianças para a vida e infelizmente a morte faz parte dela.

Claro que nestes momentos eu desejava ter o super poder da imortalidade! Mas infelizmente, a única coisa que tenho é o poder de amenizar a preocupação dela, explicando e ensinando o melhor que posso a lidar com o medo da morte...


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Menos orgulho, mais respeito por favor!

Esta mensagem não era para existir.
Ela era o fim do meu post anterior, onde eu falei sobre o sono da Pipoca, que tem dormido as noites inteiras e sobre o respeito pelo tempo das crianças, mas achei que o tema merecia ser tratado separadamente.

Quando falei sobre o respeito pelo tempo da criança, também quis dizer respeito pela criança no seu todo. Já venho dizendo isto em vários posts, porque é o que acredito. Crianças choram, porque é como sabem lutar pelo que precisam ou querem, é inato e vão fazê-lo enquanto não o souberem fazer de outra forma. Nós adultos choramos, choramos quando nos frustramos, quando nos decepcionamos, quando estamos esgotados, sem forças, sem rumo.

É importante, muito importante aceitarmos que tal como nós, adultos, precisamos de tempo para nos adaptarmos às novas situações, eles que ainda não sabem gerir emoções, precisam ainda mais. Quanto mais cedo nós pais, mães, avós, educadores, familiares em geral nos consciencializarmos disto, menos difícil será lidarmos com as suas reações: "birras", teimosias, choros "infundados", mais leve será a maternidade, mais estreitos os relacionamentos.

Crianças brincam. Crianças brincam à mesa, crianças brincam com a comida, é brincando com a comida que aprendem a comer sozinhas. É brincando à mesa que conseguem lá estar mais tempo sentadas. Levantam-se, correm, abraçam, beijam, deitam no chão e ao mesmo tempo comem. Claro que à medida que vão crescendo, temos que ensinar que a comida não é brinquedo e que à mesa não se brinca e chegará um tempo que eles conseguirão comer sem brincar, sem se levantar. Mas, já vos aconteceu de estarem num jantar, acabarem de comer e estarem desejosos de levantar da mesa? A mim já, várias vezes. Umas vezes levantei-me, outras sentia-me constrangida e limitava-me a esperar que os outros comessem. É uma tortura. Agora imagina, ou melhor, volta no tempo... lembra de quando eras criança e o que te custava estar sentado à mesa e ser obrigado a ali estar, quieto, sem falar, sem brincar, à espera que os adultos acabassem de comer. Lembra do sentimento. É esse sentimento que nossas crianças têm quando passam pelo mesmo. Que adulto quer estar sentado numa mesa com uma criança a chorar ou a queixar-se que está farta de ali estar, inquieta? Não será melhor deixá-la levantar-se e gastar suas energias a brincar no chão enquanto os adultos acabam sua refeição, conversando sem interrupções? A verdade é que antigamente era assim, enquanto os adultos não acabassem não se podia levantar e interiorizamos a criação que tivemos como o melhor, pois hoje somos adultos corretos, educados, de valores. Mas não, existe uma coisa muito importante que se chama evoluir. Não estou dizendo que uma criança pode fazer o que quiser à mesa, que se pode levantar e correr, saltar ou gritar como um selvagem. Estou dizendo que há tempo para tudo. Temos que ter em consideração a idade e a maturidade de cada criança. Claro que não vou aceitar que minha filha com 6 anos se ponha de pé na cadeira, ou que brinque com o garfo, mas aceito-o com 3 anos. Acredito que uma criança com 10 anos tenha maturidade para estar à mesa até o fim da refeição, até mesmo participar na conversa "dos adultos", mas não acredito que uma criança com 6 anos  possa fazer o mesmo. É isso que quero dizer...

Isto do "saber estar" à mesa é só um exemplo dentre muitos outros da educação que muitos de nós tiveram. Não estou a dizer que nossos pais erraram, muito pelo contrário, eles fizeram o que acreditavam ser o melhor para nós e só temos que lhes ser gratos por isso. O que estou a dizer é que hoje sabemos mais, temos acesso a informações que nossos pais nunca sonharam ter. Temos estudos, temos provas científicas, temos troca de experiências nas redes sociais. Somos de certa forma privilegiados e só temos que filtrar essa informação, aceitar e evoluir com ela. Muito provavelmente quando formos avós essas informações e estudos estarão ultrapassados e tudo o que fazemos já não será o melhor, nesta altura as coisas se farão de forma bem diferente e espero eu, que minha filha acompanhe essas mudanças e aceite que apesar de eu ter dado o meu melhor, há sempre formas de melhorar ainda mais.


Mas uma coisa para mim é certa e dificilmente haverá um estudo no sentido contrário: o amor e o respeito não estragam ninguém, eles são a chave da evolução, a chave que abrirá portas para uma humanidade mais humana, porque sem isto, somos apenas animais que agem pelo instinto e que, infelizmente, não é o de sobrevivência, mas principalmente o do poder, o de controle.


Quando abrimos mão do autoritarismo e do orgulho, quando agimos com amor, com compreensão, com respeito acima de tudo, é amor, compreensão e respeito que temos em troca. E não, não me venham com a conversa que eu e todas as mães que pensam como eu estão a criar uma geração cheia de mimimi, uma geração mimada e estragada, porque não é verdade. Geração estragada é a geração que vemos hoje, egoísta, que vive de aparências, que só pensam em ter, custe o que custar. Uma geração sem amor, sem respeito, sem valores. 

Neste mundo de hoje onde mata-se por prazer, onde rouba-se por prazer, onde se maltrata por prazer, onde filhos abandonam pais, onde filhos batem nos pais, onde mulheres são violadas, abusadas, escravizadas e ainda culpadas pelos atos dos agressores, onde pessoas são obrigadas a deixar suas casas, suas vidas por causa de uma guerra que não é sua, mas política, uma disputa de poder que não leva ninguém a lugar nenhum, mas que gera milhões à máfia, ao tráfico de armas, ao tráfico de pessoas, aos governantes de muitos países... dizer que ensinar amor é estragar, é uma heresia, porque o amor e o respeito são as únicas esperanças deste mundo, quando deixarem de existir, a humanidade será a sua própria destruição...

Quando batemos, castigamos, gritamos, punimos uma criança porque fez algo que não devia, que na cabeça dela talvez até nem fosse nada de mal, mas que para nós é "errado", o que estamos ensinando? Paremos e pensemos... estamos ensinando que não se pode errar e que se errarmos seremos punidos. Criamos pessoas que vivem com o medo de errar e que farão de tudo e mais alguma coisa para não errarem, pessoas que passarão por cima de tudo e todos para serem "perfeitas", pois assim não serão punidas. Mais, criamos pessoas que não saberão lidar com os erros dos outros, que não aceitarão um deslize da esposa, do marido, do filho, do amigo, do colega de trabalho e das duas uma: será uma pessoa que agride, que grita, que maltrata sempre que o outro não corresponde às suas expectativas ou será uma pessoa de mau com a vida, que ficará de cara fechada com a esposa, que ignorará um pedido do filho, que acabará com uma amizade ou que será um péssimo colega de trabalho, uma pessoa frustrada porque não pode "punir ou castigar" essas pessoas pelos seus erros, tal como fizeram com ela. O pior é que essa pessoa não se dará conta de que isso é um reflexo da sua infância e achará natural agir assim ou assado, pois é como foi criado e não morreu. Por outro lado, se quando uma criança errar nós acolhermos, abraçarmos e dizermos que não tem mal nenhum em errar, mas que o erro pode ter consequências e que é uma lição a ser aprendida, estamos criando pessoas confiantes, pessoas que aceitam o erro, seja seu, seja do próximo, embora possa ter que arcar com o que dele advenha. Pessoas que saberão aprender com o erro, quando não sabem que "é errado" e pessoas que pensarão duas vezes antes de cometê-lo, quando é propositado.

É um tema complexo e complicado... porque não é fácil para nós, pais, despirmos do que pensamos ser a nossa autoridade. Mas também não é isso que estou a dizer. Eu falo em despir de autoritarismo. É preciso sim, ensinar nossos filhos que somos os seus pais e como tal, devemos ser respeitados, entretanto não devemos fazer disso uma bandeira e dizer: "está a ver esta bandeira? Pois é, tu és minha propriedade e fazes o que eu quiser e disser, só porque sou seu pai/mãe." Devemos usar a nossa autoridade para estabelecer regras e limites e ensinar a respeita-las, ensinando também as consequências do desrespeito às mesmas.

Por exemplo:

Regra: não se joga comida no chão; consequência: vai ter que limpar.
Regra: vai dormir tal hora; consequência: vai dormir mal e ficar cheio de sono no dia seguinte.
Regra: arrumar os brinquedos depois de brincar; consequência: pode pisar e se magoar, os brinquedos podem quebrar ou desaparecer.
Regra: estudar e fazer os trabalhos de casa; consequência: más notas, menos possibilidade de entrar num bom curso universitário.


E por aí vai... isto são exemplos simples e bobos, mas que funcionam. Minha Pipoca já vai tendo noção de algumas regras e consequências... até me dá graça a reação dela a algumas. O banho ela nunca quer, é um filme entrar na banheira todos os dias. Houve um dia que ela não quis tomar banho e como tinha estado em casa o dia todo deixei; à noite tinha comichão no bumbum. Eu disse-lhe: isso é porque não quiseste tomar banho, é o que a sujeira faz. Há dois dias não queria outra vez tomar banho e eu disse: "mas temos que lavar o bumbum"; ela aceitou sem problemas, eu liguei a torneira e ela automaticamente foi tirando a roupa, despiu-se, entrou na banheira e tomou banho sem problemas. Também já está consciente que tem que lavar os dentes, principalmente depois de comer doces e chocolates; ela quando come uma bolacha recheada, uma goma (o que é raro) ou um chocolate, mal acaba diz: "agora tenho que lavar os dentinhos porque tem bichinhos". Eu lhe mostrei a minha boca há um tempo atrás; tive muitas cáries na infância e tenho muitos dentes chumbados, disse-lhe que não gostava de lavar por isso os bichinhos comeram os meus dentes. Ela ficou horrorizada, mas aprendeu a consequência de não lavar os dentes.

Agora, imagina que eu gritasse com ela ou lhe batesse ou mesmo ameaçasse colocá-la de castigo porque ela não quer tomar banho ou lavar os dentes? Todos os dias ia ser mais do mesmo, ela acabaria por aceitar fazer o que eu "mandei" por medo de apanhar, mas que lição ia aprender? Que tem que tomar banho senão a mãe/pai lhe bate ou grita ou castiga; ela teria medo da punição, mas não teria qualquer noção do por quê eu querer que ela tome banho ou lave os dentes. Muito provavelmente quando chegasse a hora de fazê-lo sozinha, não fizesse ou mentisse dizendo que tinha feito, só para não ser punida. Mais, iria arcar com as consequências sem ter aprendido que poderia tê-las evitado, porque ninguém lhe ensinou...

"Ah! Mas eles têm que se frustrar para aprender a lidar com a frustração". Não tem expressão que me digam que me irrite mais do que esta. É verdade, acredito piamente que as crianças precisam aprender a lidar com as frustrações, mas eu, como mãe, não tenho que ser a causadora da frustração só para lhe dar uma lição. Eu como mãe só o faço quando não posso evitar; o meu dever é ensinar a lidar com a frustração e não causá-la. A vida vai se encarregar disso e começa muito cedo: quando um coleguinha diz "não és minha amiga" ou "este vestido é feio", como já acontece com a minha Pipoca, que recusou-se a vestir um vestido pelo que a colega disse.

Quando lhe nego um brinquedo que eu não posso ou acho que não devo comprar naquele momento ela já vai aprendendo o que posso e não posso lhe dar, de certa forma ela já está aprendendo a lidar com a frustração de não poder ter os brinquedos todos que quer. Quando vamos ao centro comercial ela vai direita à loja de brinquedos e diz: "quero escolher um brinquedo", eu muitas vezes digo-lhe: "hoje não filha, a mamã hoje não tem dinheiro" e ela olha, aprecia, diz que encontrou o brinquedo que procurava, mas aceita que não o pode levar. Outras vezes digo: "ok, mas um barato", nestas alturas ela já olha para os brinquedos com outros olhos, quando são grandes diz: "mamã, gosto deste, mas é caro", ou um pequeno: "mamã, este é barato, não é?". No início, eu dizia não e ela chorava porque queria, era uma frustração causada por mim, que eu não podia evitar causar, caso contrário, ela estaria aprendendo que pode ter tudo o que quer quando quer e não é esta a educação que lhe quero dar. Mas eu conversava com ela de forma que ela entendesse que ela não pode ter todos os brinquedos que quer e que nem sempre eu vou poder comprar as coisas que ela pede e aos poucos ela foi aprendendo.

Outro exemplo é comer a ver TV. Às vezes, no fim de semana, colocamos a mesinha dela na sala e partilhamos uma refeição à frente da televisão, um lanche ou umas tapas. Claro que isto não pode virar regra e por isso só o fazemos de vez em quando. Ontem ela quis comer a ver bonecos, o pai disse que não podia, porque é só nos dias que não tem escola. Ela abriu um berreiro e quanto mais tentávamos acalmá-la, mais ela chorava. Deixamo-la na sala para se acalmar e fomos jantar. Aos poucos ela foi se acalmando, apesar de só ter ido para a mesa quando o pai a foi buscar, foi possível conversarmos e explicarmos as coisas. Foi uma frustração que não pudemos evitar, ela tinha que aprender que é só de vez em quando e não pode ser sempre que ela quer.

O que eu quero dizer com isto tudo? Que mesmo sem querermos também somos responsáveis por frustrar nossos filhos e por isso mesmo não precisamos fazê-lo de propósito. Não precisamos dizer "não" só para ensinar uma lição, só para nos afirmarmos como autoridade. O "não" deve ser uma palavra de contingência e não uma constante, porque senão acaba por perder o seu valor, torna-se banal. É importante termos consciência que conceder um desejo aos nossos filhos não é propriamente ceder à sua vontade porque na verdade há mais situações em que podemos dizer "sim" do que "não" e isso não é um sinal de fraqueza, não é perder autoridade, é principalmente aceitar que eles são pessoas que, da maneira deles, sabem o que querem e se não há perigo ou consequência negativa em conceder, qual é o problema? O problema muitas vezes somos nós que criamos! Se eu hoje pensei vestir-lhe umas calças, mas ela se recusa porque quer um vestido, por que negar? Para criar logo uma crise de choro,  ou birra para quem preferir? Para nos stressarmos antes de sair de casa, porque não há dia que não aconteça alguma coisa e já não sabemos fazer diferente? Para ensinar a lidar com a frustração? Para mim isso é no mínimo cruel e não didático...

Por isso, pais, não tenham medo de dar amor e de respeitar seus filhos como filhos, como indivíduos. É melhor ensinar cooperação do que obrigação, isto é, melhor deixar o orgulho da autoridade de lado e dizer "eu preciso da tua ajuda" do que "faz porque eu estou mandando". Ensina o teu filho a cooperar e não a obedecer... a cooperação enche o coração de alegria, é doar-se ao outro, a obrigação enche o coração de fúria, de frustração porque é fazer algo que não se deseja, faz-se porque o outro quer.

Não sou uma mãe perfeita, nem o aspiro ser, mas prefiro acreditar que educar com amor é a solução para uma geração mais gentil e cooperante, de paz, mais preocupada com o seu redor do que seguir uma "doutrina" de medo e punição que pode culminar uma geração violenta, odiosa, indiferente e/ou deprimida, doente...

Menos orgulho, mais respeito por favor...


Toda a noite! Toda a noite!

As pessoas bem dizem, mas a gente só acredita quando acontece! A minha Pipoca há uma semana dorme a noite inteira! Na primeira noite eu dormi 7 horas seguidas... até me custa acreditar. Nas outras ainda acordei e continuo a acordar várias vezes, reflexo de quase quatro anos acordando quase de hora a hora.

Mas não foi assim de uma hora para a outra que ela passou a dormir a noite toda... começou por reduzir o leite que pedia cada vez que despertava, embora não fosse bem acordar mesmo, ela "acordava", pedia o leitinho, bebia, virava para o lado e dormia. Ao invés de beber o leitinho de 2 em 2 horas, foi espaçando e aos poucos também fui reduzindo a quantidade. Dos 600 a 700 ml de leite que ela bebia todas as noites, passaram a apenas 300 ml, pouco mais de metade antes de ir para a cama e o restante já de manhã, pelas 6h. Há dias que o restante fica... 

Acreditem ou não, eu não precisei forçar nada! Eu não apliquei técnicas de sono, eu não a obriguei a dormir chorando, eu não fiz absolutamente nada, simplesmente chegou o tempo dela. Assim como a fralda e a chucha, agora dorme e daqui a nada já não haverá biberão, nem antes de ir para a cama nem de manhã, nem durante a noite... 

Todas as transições de forma tranquila, sem traumas, sem noites chorando, no tempo dela... só precisei ter paciência e muita resistência, porque não é fácil. Mas se respeitarmos acima de tudo o tempo, eles vão dormir toda a noite e nós também... 


terça-feira, 8 de outubro de 2019

Um amigo lá em casa

De uns tempos para cá tenho me dado conta que nós, pais, já não somos suficientes para a Pipoca. Ela precisa de mais. 

Como assim não são suficientes? Poderia se perguntar. 

Mas é mesmo isso. O que venho me apercebendo é que ela chegou numa fase em que já vai conseguindo socializar e não só consegue como precisa dessa socialização. Brincar com a mamã e o papá continua sendo bom, mas não chega. Ela  já tem quase 4 anos e já sente necessidade de brincar com alguém da idade dela, de amigos. 

Ah, mas ela tem amiguinhos na escola, lá ela não brinca com eles? Claro que brinca! Uns mais que outros, mas não chega. Tem também a prima, que é 2 anos e 8 meses mais velha, por quem ela tem uma adoração, mas que está na primária e tem seus próprios amigos, sem contar que nesta fase mais brigam do que brincam, mas também não chega. 

O que ela está sempre a dizer-me é: "mamã, nenhum amigo vem à minha casa brincar comigo"... eu pergunto-lhe sempre: "que amigo gostavas que viesse cá em casa"? Ela responde logo uma amiga ou outra e eu digo-lhe que logo falamos com a mamã dessa amiga. E falo. Já falei em combinarmos um dia a tarde, não precisa ser muito tempo, mas como deve imaginar, com a vida corrida que temos hoje em dia, a resposta é sempre "temos que combinar"... 

E como é óbvio, nunca se combina! 

De certa forma fico um bocado triste por não conseguir levar uma amiguinha lá à casa para ela brincar. No fundo, acho que ela quer mostrar o cantinho dela, os brinquedos dela. Cada vez que ela fala no assunto eu já nem sei o que lhe responder mais, porque ela já raciocina o suficiente para me dizer: "tu falas sempre isso". Pois é. 

Nós continuamos brincando de bonecas, de cozinha, de dentista e médico, mas confesso que já não consigo acompanhá-la. Uma coisa é brincar com bebés, que chega amontoar uns blocos para eles deitarem abaixo, ou abanar um boneco à sua frente fazendo barulhos... outra coisa é brinca com uma criança cheia de imaginação, que quer que falemos e tenhamos as reações que ela imagina e espera. Não chega!

Há uns dias atrás recebemos uma visita inesperada do Diego, um amiguinho da creche que ela não via já há alguns meses, mas de quem nunca esquece. Só eu sei a felicidade que vi naqueles olhinhos quando eu disse que o amigo viria a nossa casa. Ela saltava, ela corria, ela me abraçava... ficou completamente extasiada com a ideia de ter um amigo a ir lá a casa para brincar com ela. Foi só um bocadinho, mas foi o suficiente para ela ficar muito feliz e só tenho a agradecer à mamã do Diego por ter lhe dedicado este tempo. Obrigada, de coração.


Estamos em tempos bem diferentes do que eu cresci, tempo em que ambos os pais trabalham fora e quando não se trabalha no fim de semana, tem-se sempre coisas para fazer. Eu entendo isso, eu sei isso. No meu tempo de criança, na maioria das famílias só o pai trabalhava fora ou quando a mãe também trabalhava, tinha os avós para tomar conta dos filhos. Tínhamos como amigos os vizinhos da avó, os nossos vizinhos, brincávamos na rua com crianças que nem sabíamos o nome e muitas vezes os levávamos para brincar na nossa casa; nossa mãe fazia um lanche, ou a mãe dos amigos quando lá íamos. Hoje sou incapaz de deixar minha filha na rua, muito menos com crianças que não conheço sem que eu esteja a ver. Na idade da Pipoca eu já brincava na rua e tenho amizades deste tempo que ainda duram. Hoje, é impensável, infelizmente.

Eu tento levá-la a todas as festas de anos a que ela é convidada. Além de acreditar que quem convida vai ficar extremamente feliz, senão não convidava, a minha Pipoca tem oportunidade de brincar com os amigos fora da escola. De certa forma é como transportar a amizade para um ambiente neutro, quebrando aquela associação de ter amigos só na escola, que no fundo acho que é o que ela quer quando pede para um amigo ir lá à casa.

Enfim! É só um desabafo de uma mãe que está aprendendo a lidar com a frustração da filha, aprendendo ao tentar ensinar que nem sempre é possível termos o que queremos e que nós adultos corremos muito e muitas vezes não conseguimos satisfazer as necessidades dos nossos filhos, muito menos quando também dependemos de outras pessoas...

E você? Já se deu conta que não é suficiente? 



Socorro, que bagunça!

Hoje venho aqui falar de um assunto muito delicado: bagunça. Yeahhh! Só que não! Desde quando bagunça é assunto delicado, né!  Então vamos l...

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